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Especialista compartilha na Codevasf experiência de Israel com os desafios do acesso à água

No país, 85% de toda a água de reuso é aplicada na agricultura – o maior percentual do mundo; além disso, plantas de dessalinização fornecem 70% da água de consumo doméstico 

Dessalinização, reuso, sólida regulação e promoção de uma cultura que fixa o cuidado com a água como prioridade. Essas são algumas das medidas responsáveis por permitir que Israel supere seus constantes desafios de acesso a água, de acordo com Oded Distel, diretor do Programa Nacional de Sustentabilidade em Energia e Água do país, situado no Oriente Médio. Distel tratou do tema em evento que compôs a programação de atividades alusivas ao Dia Mundial da Água realizadas esta semana na sede da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Brasília. O evento foi transmitido por videoconferência para as Superintendências regionais da empresa.

Na abertura da programação, a presidente da Codevasf, Kênia Marcelino, ressaltou a importância dos recursos hídricos e a atuação da empresa no desenvolvimento regional ao promover o uso sustentável desse recurso natural. “A Água é a mãe da vida. Mais que nunca precisamos zelar e preservar esse bem que é finito. Antes, só se ouvia falar em estiagem no Nordeste, hoje é uma realidade de várias regiões do país. Nesse contexto, a Codevasf tem investido em diversas ações para preservar a água nas áreas em que atua, além de permitir o acesso à população que sofre com sua escassez. Por isso, precisamos conscientizar a sociedade sobre a necessidade de cuidar da água. Ela é vital”, ressaltou.

De acordo com o gestor israelense, o esgoto da região de Tel Aviv, a mais densamente povoada de Israel, é tratado para uso em atividades agrícolas. No país, 85% de toda a água de reuso é aplicada na agricultura – o maior percentual do mundo. Além disso, plantas de dessalinização fornecem 70% da água de consumo doméstico, fonte cujo custo de produção é comparativamente o mais elevado; atualmente cerca de um terço de todo o consumo de água de Israel provém da dessalinização. Mais de 60% do país é ocupado pelo deserto de Neguev.

“Todas as casas e fábricas estão conectadas a uma rede de abastecimento nacional, que é suprida por diferentes fontes: dessalinização, águas de subsolo, águas de superfície. Então quando abro a torneira em casa, provavelmente recebo um misto de água de diferentes fontes. A autoridade de água determina a qualidade e capta águas de fontes diversas, a depender de disponibilidade, do preço da energia, de muitos fatores”, explicou. Segundo Distel, a cobrança das tarifas de água sempre observa o real custo de produção das diversas fontes de abastecimento.

“Israel tem uma estrutura legal muito clara em relação a água. Há uma lei que estabelece que a água pertence à sociedade. Todos os tipos de água: água da chuva, água de superfície, água de subsolo, água residual, tudo”, disse. “Isso significa que, quando você tem uma propriedade, você não é dono da água de subsolo eventualmente existente nessa propriedade, e também não é dono da água que eventualmente corra na superfície”, explicou.

O diretor do Programa Nacional de Sustentabilidade em Energia e Água de Israel também ressaltou que o arcabouço legal de proteção da água, as campanhas de conscientização voltadas sobretudo para crianças e o estímulo a empreendedorismo e inovação nas áreas de gestão da água, dessalinização, irrigação e soluções para a área urbana são decisivas para o desenvolvimento de uma sociedade que conserva e economiza recursos hídricos.

“É muito produtivo receber todas essas informações. Quando vemos que Israel utiliza água dessalinizada para consumo humano, água reutilizada para irrigar a agricultura e um mix de águas no abastecimento da população, nós percebemos que a questão do uso da água no mundo moderno passa por uma mudança de paradigma. Precisamos pensar diferente o seu aproveitamento e as novas gerações já devem ser formadas considerando novos modelos. Só assim poderemos mudar a realidade futura que hoje prevê que até 2050, 66% da população mundial vai sofrer com a escassez de água potável, número apresentado pelo próprio Oded Distel em sua palestra”, afirmou Inaldo Guerra, diretor da Área de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf, área que organizou o evento.

Fórum Mundial da Água

Também dentro da programação de atividades alusivas ao Dia Mundial da Água realizadas na sede da Codevasf nesta semana, o assessor especial do Ministério da Integração Nacional (MI) Irani Braga Ramos realizou palestra sobre as principais perspectivas para o encontro Fórum Mundial da Água – Brasília / 2018.

Segundo Ramos, o objetivo do Fórum é intervir em políticas públicas. Ele explicou que esse processo político está organizado em torno de três encontros no Fórum de 2018: um de ministros, um de parlamentares e outro de autoridades locais. “Precisamos transformar as nossas questões em questões globais”, destacou. Ramos informou que Ecossistema é o tema que estará sob a coordenação do Ministério da Integração na ocasião. “Completamente alinhado aos esforços que o MI e a Codevasf vêm empregando”, frisou.

O Fórum Mundial da Água é o mais importante evento relacionado água. Ele acontece a cada três anos em uma diferente cidade do mundo e tem como objetivos gerais aumentar a percepção da importância da água na agenda política dos governos, além de promover o aprofundamento de discussões, a troca de experiências e a formulação de propostas para desafios relacionados a recursos hídricos. Tradicionalmente, o evento conta com a participação dos principais especialistas, gestores e organizações envolvidas com a questão da água no planeta. A organização do 8º Fórum é realizada pelo governo federal, pelo governo do Distrito Federal e pelo Conselho Mundial da Água. Informações adicionais podem ser obtidas em http://www.worldwaterforum8.org/.

Semiárido

Ainda dentro das agenda de atividades da Codevasf nesta semana, o coordenador do Programa Água para Todos na Companhia, Elton Silva Cruz, realizou palestra sobre o papel da empresa no esforço para promover a universalização do acesso à água nas regiões em que atua. Dentre os desafios encontrados pela Codevasf em sua atuação no Semiárido, Cruz listou a alta taxa de evaporação da água e a distribuição desordenada de chuvas. Brasil”.
ASCOM e Promoção Institucional da Codevasf

Editor: Nelson Fontes

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