Faculdade Soberana
Homenagem

Carta aberta aos Namorados

Caros namorados de 1 mês, 1 ano, 1 década ou uma vida.
Eu imagino que vocês devem estar de comum acordo que entraram numa jornada lindamente complexa: a vida à dois.
Gostaria de sugerir algumas ideias de coisas que só conseguimos perceber no convívio mais ou menos íntimo com alguém que dizemos EU TE AMO.
Entrar num relacionamento é a coisa mais gostosa do mundo, de verdade, apaixonante e digna de aplauso.
Se manter nela é desafio para muitos. E terminar (quando necessário) com dignidade mútua é ainda mais maduro.
São duas pessoas, duas histórias, duas vidas, duas culturas que se tocam por meio de um relacionamento.
O amor é uma empresa que precisa ser administrada com maestria para que o jogo de poder se alterne de forma saudável e sem atropelos. Os papéis que cada pessoa desempenha em diferentes momentos da vida se alternam, mudam, se impõe, sobrepõe, dispõe. Oras um cede, oras toma o comando numa dança linda em que dois corpos, duas almas se acordam para gerar uma vida de felicidade.
Complementos que se independem, individualidades que se aninham, convicções que se ajustam, o amor é sempre um enigma indecifrável, como a vida.
Quando tentamos encaixar o certo no amor ele dá “errado”. Amor é laboratório, descoberta, enlace, desbravamento de caminhos de si mesmo à dois.
Toda experiência que se teve antes daquela pessoa conta e não conta. Somos sempre virgens para cada novo minuto que se apresenta, nunca teremos um repertório de vida que nos previna da inebriante loucura boa do amor.
Não tentem corrigir o outro, mas facilitem o desabrochar. O relacionamento é um caminho cheio de descaminhos. Um perder-se cheio de encontros desencontrados. Nem fogo, nem água, nem tudo e nem nada. Sem fórmula. O amor é um inesperado em forma de emoção.
Não se esqueçam das pequenas gentilezas imperceptíveis, são elas que constroem ou derrubam um império inteiro. O amor é uma ação silenciosa no âmago do casal. O que se diz ou o que se deixa de dizer tem um efeito explosivo, para bem e para mal. Negar ao outro o direito de ser o que se é o maior dos crimes. E o tempo revelará se você cultivou a liberdade que exalta a vida ou o apego às regras que a mortifica.
Aos desiludidos que esbravejam essa data como comércio ignore, são chatos incorrigíveis. Oferecer um agrado nunca é demais, mesmo que seja um abraço, hoje, amanhã, depois e sempre. Aliás, evite os conselhos de quem está infeliz, eles sempre verão a metade do copo vazia. Cultivem admiração mútua, elevem o padrão da vida de casal por quem celebra a vida e não quem resmunga o tempo todo.
Deixe o medo de lado, ele não faz bem no amor. Pois ele finge assegurar estabilidade, mas na verdade protege um ego enorme cheio de certezas e explicações sobre a verdade. A grande verdade é que só vocês dois poderão descobrir o que mais podem exaltar em si mesmos. O amor ousado e não aquele cheio de cautelas e temores é o que tem mais chance de amadurecer. Quando entrar, caia de cabeça e de corpo inteiro, deixe que a outra pessoa te possua, sem temor de perder-se de si. É incrível a sensação de não saber-se mais o que se é. No silêncio da noite irá perceber que mesmo que esteja sozinho na cama serão duas respirações que te penetram numa só arfada. Agora são UM que no entanto, permanecem DOIS.
O tesão? É o mais fácil, ele vem, sempre vem. O que pode não vir é o brilho no olho e é esse que você deverá ter sempre em mente. Não se deixe perder o próprio brilho, realce o seu e o do outro sem inveja (em forma de crítica, ironia e acidez). É no peito cheio de altas aspirações que o tesão acontece.
Enfim, aos que estão no começo relevem mais o amor (e deixem de impor condições), os que estão a mais tempo renovem mais o amor (e reinventem a própria vida) e aos que não avançaram para mais aconchego depois de 7 anos só lamento, não sabem o próximo passo delicioso que vem pela frente.
Em tempos em que crime e amor podem caminhar lado a lado lembre-se que impedir que o outro se manifeste como ele poderia ser em sua plenitude num relacionamento amoroso a pretexto de proteger ou amar é tão ou mais penoso do que um esquartejamento.
Que cada um possa olhar para esse dia dos namorados como uma celebração da vida que transborda e não da vida que se restringe sob um nome qualquer.
Vá lá, aninhe-se e goze sem receio da vida em comum…
Por: Frederico Mattos - Psicólogo e Escritor
Uma homenagem do Portal Divulga Petrolina à todos os casais apaixonados.

Editor: Nelson Fontes

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