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Utilidade Pública

Ação da Codevasf gera emprego e renda em comunidade rural no Norte da Bahia

Roupas infantis, lençóis e panos de prato são alguns dos itens confeccionados por  mulheres da Associação Comunitária e Assistencial dos Pequenos Agropecuaristas de Mônica, povoado a 34 quilômetros da cidade de Morro do Chapéu, município localizado no Norte da Bahia, a 391 quilômetros de Salvador. A produção é resultado de uma ação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) que estruturou a entidade com um kit de corte e costura. 


O investimento do governo federal foi de R$ 14,2 mil – recurso do Orçamento Geral da União, destinado à Codevasf por meio de emenda parlamentar. O kit é composto por máquina portátil de costura 24 pontos, máquina Interlock industrial completa, máquina galoneira, ferro de passar a vapor industrial, mesa retangular para enfesto de tecido, máquina bordadeira computadorizada, duas tesouras industriais e fitas métricas.

A professora e moradora do povoado há mais de dez anos Patrícia Figueiredo Barbosa da Silva, de 37 anos, disse que as associadas quase não acreditaram quando as máquinas chegaram. “Uma caminhada de mil passos só começa quando a gente dá o primeiro, e a Codevasf foi o nosso primeiro grande passo. Nós tínhamos um sonho, uma vontade, mas a gente não tinha dinheiro para adquirir um maquinário desses, e a Codevasf foi e está sendo algo fundamental na aquisição de toda esta riqueza aqui”, afirmou.

Já a agricultora Maria Normeide Pereira de Souza, de 52 anos, contou que sempre teve vontade de aprender a costurar. “Quando era adolescente tentei aprender com minha mãe, mas a necessidade me levou para a roça”, lembrou. Hoje, ela é uma das costureiras da associação e fez algumas peças vendidas no Ateliê Regina Miranda dos Santos, que foi montado em um galpão construído ao lado da cozinha comunitária e que leva o nome de uma das idealizadoras do projeto.

No ateliê, parte da renda da venda dos produtos é usada para comprar tecidos e aviamentos. Com o trabalho realizado, o grupo já conseguiu ampliar a cozinha comunitária. “Sempre tive o sonho de buscar para a comunidade alguma atividade lucrativa que não necessitasse diretamente da água, pois com essa seca a agricultura fica prejudicada e o povoado não se desenvolve”, revelou Patrícia da Silva. “Somos aproximadamente 56 famílias reunidas. Deste total, mais de 65% são mulheres que já não podem trabalhar diariamente no campo”, acrescentou.

Segundo o analista da Codevasf Everaldo Andrade, da 6ª Superintendência Regional, sediada em Juazeiro (BA), a maior importância da ação refere-se à questão da inclusão de gênero. “A maioria das beneficiárias são mulheres, que muitas vezes, por heranças culturais, ficam relegadas apenas aos afazeres domésticos e, às vezes, aos trabalhos desgastantes no campo. A atividade de Corte e Costura constitui-se como um caminho para geração de ocupação e renda mesmo nos períodos de estiagem prolongada, sendo permanente e não sazonal como as culturas agrícolas”, explicou.

“A seleção da associação dos pequenos agropecuaristas de Mônica observou a boa organização e o comprometimento da entidade frente as demandas comunitárias, a proximidade com parceiros para alavancar os negócios e o histórico de sucesso do grupo”, completou Everaldo Andrade.

Reconhecimento

A Associação Comunitária e Assistencial dos Pequenos Agropecuaristas de Mônica foi uma das dez classificadas em todo o estado no projeto “Mãos Femininas – Reconstruindo sua História”, realizado recentemente pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM-BA). Como prêmio, o grupo vai receber incentivos de R$ 25 mil, que serão usados para aquisição de mesas, armários, computadores, tecidos e aviamentos, entre outros itens.

O principal objetivo da entidade, fundada em 2000, é buscar melhorias para os  produtores familiares, que praticavam essencialmente a agricultura de subsistência. Com determinação e força de vontade, as mulheres estão transformando a associação comunitária em referência na geração de emprego e renda. “A gente se sente muitas vezes pequeno, por morar no interior do interior, mas descobrimos que basta a gente se unir e buscar os benefícios da maneira correta, que as coisas acontecerão”, destacou Patrícia da Silva.

Editor: Nelson Fontes

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