Doença de Chagas - Pesquisadores piauienses descobrem fármaco promissor contra a doença - DIVULGA PETROLINA

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3 de abr de 2018

Doença de Chagas - Pesquisadores piauienses descobrem fármaco promissor contra a doença

Doenças negligenciadas e a Doença de Chagas
Você sabe o que é uma doença negligenciada? Doenças negligenciadas são aquelas, geralmente causadas por parasitas, que acometem populações de baixa renda. Ou seja: são negligenciadas porque sua pesquisa não interessa aos grandes laboratórios farmacêuticos porque não gerarão riquezas. Dentre estas doenças estão várias que acometem regiões brasileiras como a Doença de Chagas, a barriga d’água ou Esquistossomose, a Dengue, a Cisticercose e sua variante mais grave, a Neurocisticercose e muitas outras.
A Doença de Chagas, também chamada de Tripanossomíase Americana é causa pelo protozoário Trypanosoma cruzi. A doença tem uma fase aguda que em 60% dos casos, de acordo com o Ministério da Saúde, passam para uma fase indeterminada da doença. O restante (40%) desenvolve a doença na fase crônica, tendo o parasita se instalado no músculo cardíaco ou nos órgãos do sistema digestivo. Atualmente calcula-se que 1 milhão de brasileiros apresentem contaminação com o T. cruzi e cerca de 12 milhões de pessoas, no Continente Americano apresentem a doença.
A transmissão da Doença de Chagas é feita pela picada do Triatoma infestans, um inseto que se alimenta de sangue (Hematófago) e chamado popularmente de Barbeiro ou Bicudo.
 A pesquisa da Dra. Nayra Rego
A Doença de Chagas não tem cura. Uma vez contaminado, o paciente com Trypanosoma permanece com o mesmo instalado no organismo, geralmente entre as fibras cardíacas e no sangue, durante a fase crônica da doença. A doença é combatida com o Benznidazol, medicamento que tem grande eficácia na fase aguda, mas que não se mostra eficiente durante a fase crônica, além de produzir vários efeitos colaterais indesejados. A quimioterapia da Doença de Chagas feita à base de Benznidazol reduz a capacidade reprodutiva do parasita, minimizando os efeitos da doença.
Porém, uma pesquisa da professora do Colégio Técnico da UFPI, Dra. Nayra da Costa e Silva Rego traz uma nova perspectiva. Durante seu Doutorado na Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO), ela utilizou a planta Pilocarpus microphyllus, o Jaborandi, endêmica dos Estados do Piauí, Maranhão, Pará e Ceará.
Esta planta já tem parte do seu potencial farmacológico conhecido desde o século XIX, quando o médico brasileiro Sinfrônio Coutinho a levou para Europa. Dentre os princípios farmacológicos mais conhecidos desta planta destaca-se a Pilocarpina, que tem uso já bem estabelecido em doenças oftalmológicas.
Dra. Nayra trabalhou com a substância Epiisopiloturina (EPI), um alcaloide residual da extração da Pilocarpina. Em parceria com seu orientador, Dr. Francisco das Chagas Alves Lima (Química / RENORBIO), que é especialista em Docagem Molecular (pesquisa sobre o acoplamento de moléculas, o que culmina em promissores resultados na pesquisa de planejamento de fármacos), Nayra associou a EPI ao Complexo Rutênio. Esta interação se mostrou extremamente eficaz para combater os trypanosomas.
Nos testes laboratoriais (in vitro) o composto apresentou resultados excepcionais na degradação dos microorganismos causadores da Doença de Chagas, tanto na presença quanto na ausência de sangue. Nas experiências com cobaias (in vivo), as doses de 50 e 75 mg/ml mostraram-se devastadoras em relação ao Trypanosoma. O mais importante é que a nova droga não se mostrou lesiva a órgãos como o fígado. As taxas de alteração hepática das cobaias usadas no experimento não apontaram toxidade significativa para a nova droga.
O experimento conduzido pela Dra. Nayra Rego, sob orientação do Dr. Francisco Lima pode ter alcançado um medicamento que represente a cura definitiva de pacientes acometidos por Doença de Chagas. O passo seguinte é avançar com testes em humanos.
Embora sofrendo com restrições financeiras severas, a perspicácia dos pesquisadores brasileiros tem apontado saídas importantes para problemas seculares. Viva a Ciência! Ciência Viva!
Por: Cidadeverde

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