"Número de carros-pipa é suficiente para famílias do Sertão", diz Codecipe

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Sertanejos temem que números sejam insuficientes.
Chefe disse que caso haja novos cadastros aumentará o número de pipas.

 

Desde o dia 1º de novembro desde ano, a administração dos carros-pipa do governo do estado que atuam nas cidades do Sertão pernambucano e que antes eram de responsabilidade do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), estão sob o controle da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe). A mudança agravou a redistribuição do número de carros para cada uma das seis cidades da região: Petrolina, Lagoa Grande, Dormentes, Afrânio, Santa Maria da Boa Vista e Orocó.

O assunto foi debatido em uma audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (12) na Câmara de Vereadores de Petrolina. O auditório ficou lotado com pipeiros e integrantes das comunidades da região.

Auditório da Casa Plínio Amorim (Foto: Amanda Franco/ G1)Somente em Petrolina, dos 73 carros-pipa que atendiam ficaram 17. Segundo o chefe da Casa Militar, coronel Mário Cavalcanti, este quantitativo é suficiente para atender o sertanejo que depende desta água. “Acreditamos que seja suficiente, mas como todo planejamento pode sofrer ajustes, este também pode. Quando o carro se desloca para a cisterna, ele sabe quantas pessoas serão abastecidas ali pela tecnologia que será usada. Ele já sabe para quantos dias vai dar um caminhão-pipa com 8 mil litros de água. Ele sabendo disso, vai passar depois que a família consumir aquela água. Não é feito aleatoriamente”, disse o chefe da Casa Militar.

Para o coronel, nenhuma família deverá ser excluída do processo para a sobrevivência da população.“Todas as cisternas que eram abastecidas pelo IPA vão continuar sendo abastecidas. Foi uma readequação usando a tecnologia, é um modelo que tem um equipamento inteligente dentro do carro-pipa”, explicou. Neste modelo um cartão registra desde o abastecimento do carro até a distribuição na cisterna.

Chefe da Casa Militar, coronel Mario Cavalvanti (Foto: Amanda Franco/ G1)De acordo com o padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma família com cinco pessoas precisa em média de 100 litros de água por dia. Estão sendo investidos cerca de R$ 2 milhões para usar no abastecimento para os próximos dois meses. 34 mil pessoas estão cadastradas para ser atendidas nos seis municípios. Somente em Petrolina são 10.120 sertanejos registrados no órgão para receber a água distribuída por carro-pipa e 1.578 cisternas cadastradas.

Porém, o que para a Codecipe é suficiente, não é compreendido, por exemplo, por Faustino Nunes, que é presidente da Associação de Cruz de Salinas. Ele conta que não entende como esta redução continuará atendendo as 60 famílias do povoado. “Se nós tínhamos uma quantidade de 73 como é que vai fazer com 17? Eu ainda não fiz esta conta”, questionou. O representante do povoado disse ainda que até os animais estão precisando da água distribuída por carro-pipa e que muitas famílias estão tendo que pagar um valor entre R$ 130 a R$ 150 por 8 mil litros por mês. “E tem família que essa água não dá para um mês. Antes de um mês termina e eles têm que pagar outro pipa com muita dificuldade”, lamenta.

Pipeiro há quatro anos, Flávio de Souza era cadastrado pelo IPA e disse que ficou surpreso com a mudança. “O que a gente ficou sabendo no começo era que todos os carros tinham sido suspensos. Isso pegou a gente de surpresa”, disse.

 

(Via):G1

 

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