Nesta sexta-feira (28), produtores, criadores, técnicos, setor empresarial, estudantes e poder público se reuniram no Centro de Excelência de Fruticultura de Juazeiro para discutir os caminhos da caprinovinocultura na Bahia, com um olhar voltado para Juazeiro e o Vale do São Francisco. Com o tema “Inovação, Sustentabilidade e Competitividade da Caprinovinocultura”, o evento teve o apoio da Prefeitura Municipal de Juazeiro, através da Agência de Desenvolvimento Rural (ADR).
A Bahia possui o maior rebanho de caprinos e ovinos do Brasil, já Juazeiro ocupa o segundo lugar dos municípios do Brasil em produção de caprinos e ovinos. Esses dados são importantes para entender o contexto e a importância da caprinovinocultura no município.
Com uma programação voltada à troca de conhecimentos, à qualificação dos produtores e à discussão de estratégias de desenvolvimento sustentável, o seminário levantou questionamentos, apresentou pesquisas de alternativas alimentares para caprinos e ovinos no semiárido e contribuiu para o avanço nas discussões sobre ações emergenciais nos momentos de menos alternativas de manejo, com destaque para estratégias de alimentação dos rebanhos durante o período de estiagem e experiências com forragens.
O produtor rural, Ricardo Oliveira, elogiou a iniciativa. “Eventos como este são de grande valia para adquirir conhecimento e eu estou nesse curso para aprender, trocar experiências com outros produtores e criadores e me aprofundar sobre as raças de caprinos e ovinos da região”, afirmou.
O veterinário, Tiago Cruz, um dos palestrantes convidados, falou um pouco da importância de se discutir a criação de caprinos e ovinos para além da criação para subsistência enxergando a produção como uma alternativa de negócio e crescimento dentro do cenário nacional.
“É preciso que os produtores, principalmente daqui da nossa região, comecem a encarar a atividade como um negócio, como uma atividade que venha a dar lucro de fato, não somente como uma atividade de subsistência, que é o que sempre existiu. Hoje, nós já encontramos produtores que encaram a atividade como uma atividade econômica e encaram seus rebanhos como rebanho comercial. Já existem produtores que começam a aprimorar o manejo, a ter anotações dos seus rebanhos, a tomar atitudes diferentes com relação ao manejo nutricional, reprodutivo, sanitário, que vem a trazer uma diferença e começam a ter um produto mais apresentável para esse mercado consumidor além do regional. Apesar de não termos uma assistência técnica presente, essas pessoas estão conseguindo desenvolver essas atividades e melhorar seus produtos”, explicou.
A programação também abordou o mercado de carnes da caprinovinocultura, apresentando o cenário atual, os desafios e as oportunidades para o setor, além de temas relacionados ao melhoramento genético e ao fortalecimento da produção regional. O evento ainda promoveu uma mesa-redonda sobre os desafios e perspectivas da caprinovinocultura no Vale do São Francisco, estimulando o debate e a troca de experiências entre produtores, especialistas e instituições parceiras.
A diretora-presidente da ADR, Thyara Ribeiro, destacou que o investimento em capacitação e discussões entre criadores é importante para fortalecer a cadeia produtiva.
“Juazeiro tem um papel estratégico na caprinovinocultura da Bahia, por isso é fundamental que o município seja também um espaço de debate, troca de conhecimentos e construção de soluções para fortalecer essa cadeia produtiva. O Seminário representa uma importante oportunidade para aproximar produtores, técnicos, pesquisadores e instituições, discutindo desafios reais e novas possibilidades para o setor”, disse.
Realização e apoio
O Seminário de Caprinovinocultura do Vale do São Francisco foi construído de forma coletiva, reunindo o esforço de realização e parceria de diferentes instituições comprometidas com o fortalecimento da cadeia produtiva, como o Governo do Estado da Bahia, por meio da SEAGRI, a Prefeitura de Juazeiro, FAEB/SENAR, Sindicatos, SEBRAE e FLEM.





