Procissão, música e fé: tradicional Festa de São José, no Rodeadouro, reúne centenas de fieis e turistas

Na imensidão silenciosa das águas do Velho Chico, cinco barcos avançavam pelo rio rompendo a quietude das ondas com cânticos, palmas e batuques. A procissão fluvial em homenagem a São José, celebrada todo ano no dia 19 de março em Juazeiro, contou com o apoio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Seculte), e reuniu centenas de fiéis e turistas para viverem a tradição que une fé e história popular.

Em um dos barcos, mais de 90 fiéis entoavam em uníssono o hino do santo. “Da Virgem Maria, vós sois santo esposo”, cantavam. Em outro, onde vão devotos integrantes do Samba de Véio do Rodeadouro, o compasso dos tambores marcou a dança e as vozes alegres que celebravam a sua cultura secular.

A procissão integra a festa centenária da divindade na comunidade do Rodeadouro, de quem é padroeiro. O dia começou às 5h, com uma caminhada ao alvorecer até o porto, de onde partiram os primeiros barcos rumo à Orla de Juazeiro. Lá, uniram-se a outras embarcações e fiéis, que os aguardavam, retornando ao Rodeadouro em um cortejo ampliado, agora com cinco barcos, duas lanchas da Marinha e motos aquáticas. Todos seguiam a lancha que levava consigo a imagem do santo em um andor.

Para quem estava em terra firme, aguardando a chegada dos devotos e da imagem, o som dos cantos ganhava força à medida em que os barcos se aproximavam. Entre os que circulavam por ali, estava Rice Mota. Emocionada frente à representação do santo, contou que “José” nomeia o seu pai e o seu filho.

 “Sou devota de São José há muito tempo. Eu tenho um verdadeiro carinho, porque ele protege as nossas famílias e ele que ajudou Maria a criar Jesus, não tem importância maior”, disse.

De lá, Rice se despediu da imagem, que seguiu viagem junta às demais lanchas e barcos, de volta ao Rodeadouro. Nesse percurso, com cerca de 15 quilômetros, os devotos puderam navegar suas orações pelas águas do rio São Francisco.

A chegada de volta à comunidade também foi acompanhada de emoção. O andor desceu da lancha e foi carregado nos braços de algumas jovens, com vestimentas de marinheiro, em alusão às águas do Velho Chico. Ali, a procissão seguiu, mas agora como uma caminhada em direção à paróquia. O sol era intenso, mas não intimidava os fiéis. Enquanto os pés pisavam o chão, as vozes louvavam cânticos destemidos e esperançosos.

É o caso de Antônio Laurindo, marinheiro e comunitário do Rodeadouro, que guiou um dos barcos da festa. “Estou com 76 anos e sou devoto desde criança. Eu peço que São José proteja todos e que nos traga um pouco de chuva. A felicidade de ser devoto de São José é saber que ele nunca nos deixa em falta.”, comentou.

Segundo o secretário de Cultura, Targino Gondim, apoiar o evento é importante, já que a festa tem relação íntima com os sertanejos e o plantio. “É um santo que traz a benção e a esperança. Não à toa, se canta ‘plantei meu milho todo na festa de São José’. Por isso, estamos aqui para ajudar, pois vemos uma união cultural, religiosa e turística. Queremos impulsionar esta festa, para que a gente possa trazer pessoas do Brasil e do mundo para este momento”, diz.

Samba e oração

O fim da manhã foi marcado por mensagens de fé destacadas pelo padre Marcos da Silva, organizador da festividade, e por dona Ovídia Izabel de Sena, líder comunitária. Os participantes seguiram, então, para um café da manhã, encerrado com apresentação do Samba de Véio, manifestação cultural tradicional.

Como conta Marlene de Sena Silva, o samba tem origem nas casas de farinha, onde era cantarolado pelos trabalhadores. Ela explica que as cantorias começaram inspiradas nos reisados, tornando-se uma atividade única há mais de 200 anos. “A gente não tem ideia de como começou, mas como dizem nossos antepassados: foi uma cultura negra, uma forma de passar a alegria deles”, diz.

A manifestação cultural se encontra com o festejo a São José por sua característica de celebração. Conta-se que, historicamente, o Samba de Véio costumava ser convidado para animar todas as festividades, unindo a comunidade. “É uma mistura de religiões e culturas. A gente pega algumas coisas da celebração de São José e coloca no samba… por aí vai. Assim fomos misturando”, explica.

Ecologia

Este ano, o tema da Festa foi “Caminhando com São José na estrada da Esperança, vivendo a Fraternidade e a Ecologia Integrais”. Com apoio da Seculte e da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), a comemoração teve início um dia antes, quando aconteceu um mutirão de limpeza e educação ambiental com as crianças da comunidade.

Segundo o secretário de meio ambiente, Cláudio Leal, o evento, bem como a procissão fluvial de São José, tem grande significado, ao unir cultura, religião e compromisso com a preservação do meio ambiente.

“Este ano, ao destacar a fraternidade e a ecologia e a valorização do Velho Chico, o evento reafirma nosso dever de proteger esse rio tão vital para a nossa história, economia e biodiversidade”, diz.

Para a festividade, também foram realizados mutirões de limpeza e capina promovidos pela Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), além de melhorias na iluminação pública.
Ascom PMJ

Na posse da nova diretoria da Amupe, governadora em exercício Priscila Krause ressalta força da parceria entre Estado e municípios

A governadora em exercício Priscila Krause participou, na manhã desta quarta-feira (19), da cerimônia de posse da nova diretoria da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). Durante a solenidade, que aconteceu na sede da entidade, no Recife, a gestora destacou a importância da união entre os gestores municipais e o Governo de Pernambuco para o desenvolvimento do Estado
 
“Não há outra forma de chegarmos na vida das pessoas para transformá-las para melhor que não seja por meio da parceria e da colaboração com os municípios. Todos os programas do Estado são formados exatamente para que haja uma atuação direta no território onde as pessoas vivem, e os prefeitos e as prefeitas são um elo imprescindível para que isso se torne realidade. Essa relação de diálogo, de construção de soluções, de apontamento de caminhos para superar os desafios é fundamental e crescente”, disse a governadora em exercício Priscila Krause.
 
O evento, que contou com a presença de administradores municipais de todas as regiões do Estado, marcou a posse da nova diretoria executiva e dos conselhos fiscal e deliberativo da Amupe para o biênio 2025/2027. 
 
Marcelo Gouveia, presidente reeleito da entidade, compartilhou suas expectativas sobre o novo biênio à frente da associação. “A expectativa que temos para esse novo biênio é muito grande. Sabemos que o Governo do Estado tem uma parceria importante com os municípios e que tem demonstrado muita sensibilidade com as causas municipalistas, apoiando as gestões na construção de creches e na redistribuição de ICMS, por exemplo. Tenho certeza que nos próximos dois anos o Executivo estadual irá apoiar ainda mais os municípios e desenvolver programas que melhorem a vida do cidadão pernambucano na ponta da linha”, disse Gouveia. 
 
“Nós sabemos que as discussões muitas vezes são distintas, temos uma diretoria que está totalmente focada em avançar cada vez mais na representatividade da Associação e no enfrentamento dos problemas comuns. E o Governo do Estado é fundamental na construção dessas soluções, porque muitas vezes elas não passam exclusivamente pela capacidade que os municípios têm”, afirmou Pedro Freitas, vice-presidente da Amupe e prefeito de Aliança, na Mata Norte.
 
Metade dos integrantes da diretoria da associação neste biênio são mulheres. Para a prefeita de Serra Talhada e secretária da Mulher da Amupe, Márcia Conrado, este é um marco importante para a equidade de gênero. “Este é um mês dedicado à luta e à conquista de mulheres, e a gente lutou muito para termos essa paridade, mostrando que temos força para ultrapassar todos os desafios”, afirmou a gestora municipal. 
 
Representante da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) no Nordeste, o pernambucano Eduardo Tabosa parabenizou a nova diretoria pela sua capacidade de diálogo e concertação. “Quero parabenizar Marcelo e Pedro pela construção de consensos aqui na Amupe, afinal de contas o que todos nós queremos é contribuir na ajuda aos municípios. Tenho certeza que a nova diretoria será exitosa e que teremos dias muito melhores dentro da pauta municipalista”, observou.
 
Também compuseram a mesa do evento os prefeitos João Campos (Recife), Mirella Almeida (Olinda) e Professora Elcione Ramos (Igarassu). Acompanharam a governadora na cerimônia de posse os secretários estaduais Túlio Villaça (Casa Civil) e Cícero Moraes (Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca).
 
Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

Senac Petrolina celebra o Dia Mundial da Síndrome de Down

Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2012, o Dia Mundial da Síndrome de Down é comemorado em 21 de março e celebra a vida das pessoas que têm a alteração genética, reforçando a importância de garantir que elas tenham as mesmas oportunidades que toda a sociedade. Para lembrar a data, o Senac, em Petrolina, realiza uma Oficina de Gastronomia para alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Apae. O evento acontece no dia 20 de março, a partir das 14h, no Senac.

Na oficina serão realizadas atividades para estimular o desenvolvimento e o aprendizado por meio dos cinco sentidos. Em seguida, os participantes vão trabalhar com inspiração e criatividade na decoração de brigadeiros.

A Síndrome de Down é uma condição genética que causa alteração no cromossomo 21 das células, fazendo com que existam três cromossomos no lugar de dois. O dia 21 de março foi escolhido como data para comemoração, em analogia a chamada trissomia do 21.  Estima-se que no Brasil 1 em cada 700 nascimentos ocorre o caso de trissomia 21.

Serviço:

  • Oficina de Gastronomia Apae
  • Data: 20 de março
  • Horário: A partir das 14h
  • Local: Senac Petrolina (Rua Projetada, 650 – Antigo Aeroporto)

Crea-PE realiza II CreAgro em celebração e homenagem à Agronomia do Vale do São Francisco

É possível conciliar lucro com responsabilidade socioambiental? Numa região, onde a Agronomia está entre os pilares do seu desenvolvimento econômico, o questionamento é de extrema importância e o equilíbrio entre os dois é fundamental para o crescimento sustentável de Petrolina e região. Não à toa, este é o tema da palestra magna do II CreAgro.

O evento, que celebra a Agronomia e promove a troca de conhecimento de qualidade, já é um sucesso consolidado. Promovido pelo Crea Pernambuco, o CreaAgro acontece no dia 11 de abril, a partir das 18h30, na Casa Freire, localizada na Rodovia Estrada Jatobá Carneiro – Pedra do Bode, Petrolina.

O CreAgro é um evento gratuito para os profissionais do Sistema Confea/Crea/Mútua. Mas é preciso confirmar a presença com a inscrição pelo Google Forms, no link: https://forms.gle/vfpK3uoRmFRQJcWj9.

A noite contará com a palestra magna “Lucro com Responsabilidade Socioambiental”, que será apresentada pelo engenheiro eletricista Paulo Dantas, diretor da Agrodan Agropecuária Roriz Dantas Ltda. Haverá espaço para interação com o público, com perguntas e comentários sobre o tema.

O objetivo é promover debates de interesse do setor. Até porque, a fruticultura irrigada na região desenvolve a economia local, atraindo novos investimentos e gerando lucro para municípios que investem na atividade. Esse ramo mudou a realidade de produtores que passaram a ter a produção de frutas como principal fonte de renda.

E os números comprovam. Dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) coloca Petrolina como a segunda cidade de Pernambuco com maior geração de empregos. Ao longo de 2024, o município criou mais de 36 mil postos de trabalho, com um saldo positivo de 4.239 empregos.

No Ranking das Melhores Cidades para Fazer Negócios, elaborado pela consultoria Urban Systems, em 2024, Petrolina está no top 10 das melhores cidades do interior do Nordeste para fazer negócios. Nos últimos anos, vem ganhando grande destaque na exportação de uva e manga. Dados da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport) revelam que a região é responsável por mais de 87% do volume de manga e cerca de 98% das uvas exportadas.

Após a palestra, seguindo a tradição do CreAgro, a celebração à Agronomia do Vale do São Francisco reconhece e homenageia profissionais que contribuem e contribuíram pelo desenvolvimento do setor na região. Nesta edição, três segmentos serão agraciados: Ensino e Pesquisa; Cooperativismo; e Fiscalização.

Na primeira edição, foram homenageados os profissionais das categorias Revenda de Insumos Agrícolas, Consultoria e Assistência Técnica e Extensão Rural. O tema da palestra foi “Perspectivas da Fruticultura do Vale do São Francisco, para Atender ao Mercado Chinês e Indiano”, comandada pelo engenheiro agrônomo e presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho.

Simão Durando apresentará programação oficial do São João em evento na orla

A programação do Melhor São João do Brasil já tem data para ser divulgada oficialmente. O prefeito de Petrolina, Simão Durando, anunciou que todos os detalhes da festa serão divulgados na noite de 24 de março, em um evento na Orla de Petrolina, em frente ao Haus Beer.

Reconhecido como um dos maiores e mais tradicionais festejos juninos do país, o São João de Petrolina atrai milhares de pessoas a cada edição, impulsionando a economia local e valorizando a cultura nordestina. A festa de lançamento terá a participação de diversos artistas que costumam se apresentar no ciclo junino. Também será montada uma estrutura na orla com decoração, bares, ativações para colocar o público no clima junino, entre outros atrativos.

Simão Durando reforçou a importância do evento para a cidade e destacou as novidades da programação deste ano. “Estamos preparando uma festa democrática, com atrações que vão do forró ao sertanejo, para atender a todos os públicos. Vamos apresentar Petrolina através da nossa maior riqueza, o nosso povo. A programação está recheada de grandes nomes, respeitando todos os gostos e gerações”, afirmou.

Petrolina recebe Fórum de Cidades Digitais e Inteligentes na próxima semana

Na próxima semana, Petrolina será palco de um dos maiores eventos sobre inovação tecnológica e gestão pública do Brasil. O Fórum de Cidades Digitais e Inteligentes reunirá prefeitos de várias cidades de Pernambuco, especialistas, gestores públicos, empresários e profissionais da área de tecnologia para discutir como as soluções digitais podem transformar as cidades, tornando-as mais inteligentes, sustentáveis e conectadas.
As inscrições para o Fórum estão abertas, são gratuitas e limitadas para servidores públicos, representantes de entidades e todos que trabalham e estudam em universidades. Os interessados precisam se inscrever de forma online, através do site https://www.sympla.com.br/rcd.  O evento ocorrerá na próxima quinta-feira (27), das 8h às 17h, na Facape, e tem como objetivo promover o intercâmbio de conhecimentos e práticas sobre o uso de tecnologias para melhorar a qualidade de vida nas cidades, com destaque para a gestão pública, segurança, mobilidade, saúde e sustentabilidade.
A escolha de Petrolina como sede do Fórum reforça a crescente importância da cidade como polo de inovação no Nordeste. A região, conhecida por sua capacidade de se reinventar e se destacar em diversas áreas, tem se tornado um exemplo de desenvolvimento inteligente, investindo em infraestrutura digital para melhorar a qualidade de vida da população.
O Fórum de Cidades Digitais e Inteligentes é promovido pela Rede Cidade Digital (RCD) em parceria com a Prefeitura de Petrolina, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação.
Texto: Luzete Nobre – Assessora de Comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação

Produtores vão criar primeira cooperativa de manga do Vale do São Francisco

Depois de seis meses de mobilização, os produtores de manga do Vale do São Francisco, se reuniram neste sábado (15), em Petrolina-PE, para criação da Cooper Manga, a primeira cooperativa de manga da região, que responde por 87% das exportações nacionais da fruta.

Com um número inicial de 50 cooperados, que produzem em uma área de 1.500 hectares, distribuídos nos municípios de Petrolina, Juazeiro e Casa Nova, na Bahia, a Cooper Manga já nasce forte e com boas perspectivas. Segundo o produtor e um dos componentes do grupo de criação da cooperativa, Rodrigo Fernandes, a futura organização já tem estatuto e vai eleger a primeira diretoria até o final de abril. “Vamos agregar valor à produção, fortalecer a comercialização e o desenvolvimento sustentável, ampliando as oportunidades para a cadeia produtiva”, ressaltou.

Logo na abertura da reunião, no auditório do Sebrae, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, deu as boas vindas, falando da importância da atitude empreendedora e reafirmando o apoio à criação da nova cooperativa. “É importante para a cadeia produtiva da manga, é importante para o desenvolvimento da região. Os associados da Cooper Manga, terão muitas dificuldades iniciais, mas vão perseverar e servir de exemplo para muitas associações que virão”, frisou.

A analista do Sebrae-PE, Laianne Macedo, também reafirmou o apoio da instituição à nova cooperativa. “O Sebrae sempre está presente nas iniciativas de organização dos pequenos produtores, por que entende que essa é a melhor forma de superar as barreiras de mercado e desenvolver territórios”, afirmou.

Na sequência, os produtores conferiram uma palestra com o gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sescoop/PE, Adriano Fassini. Depois de apresentar a entidade, Adriano, falou do papel de uma cooperativa; da necessidade de criação de um plano de negócio participativo e da viabilidade e sustentabilidade econômica, social e técnica da nova organização.

Por: Clas Comunicação e Marketing

Conheça a tradição da Festa de São José no Rodeadouro, celebração centenária e parte das raízes juazeirenses

Célia Regina Santos, 68 anos, aprendeu cedo a cultuar São José, padroeiro da comunidade do Rodeadouro, no sertão baiano. A admiração pela imagem divina foi herdada do seu pai, um promesseiro fiel que nunca faltava à tradicional festa para o santo, realizada há séculos na região. “Quando se falava em São José, ele movia céus e terra para participar de tudo”, conta. De sua infância para cá, a filha já soma décadas envolvida na cerimônia, que acontece sempre no dia 19 de março.

A festividade encerra o rito do novenário, período de nove dias de orações e celebrações ao pai adotivo de Jesus. Este ano, a programação inclui alvorada e o tradicional ‘Samba de Véio do Rodeadouro’, manifestação cultural da comunidade. O evento ainda leva barcos ao rio para uma viagem que carrega a imagem do santo pelas águas do Velho Chico. Para 2025, navegações estarão à espera dos devotos em Juazeiro para fazer a viagem à comunidade. Estima-se que centenas de pessoas deverão comparecer à festa. Entre elas, a dona Célia e seus familiares.

Conta-se que a celebração é tão antiga que não se sabe ao certo quando começou. Mesmo os moradores mais velhos, como Benedita Isabel De Sena, 84, relatam que a reverência ao padroeiro já existia antes mesmo de seu nascimento.

“Eu sei que sempre cantamos a novena – naquela época, tudo em latim – mas ninguém sabe como São José apareceu por aqui. Meus antepassados diziam que a imagem veio de uma casa construída na região do Alagadiço”, comenta. Qual tenha sido o percurso, a devoção chegou a boa parte das casas da região. Benedita mesmo ressalta, ao apontar para uma imagem do santo na sala: “aqui, a gente conserva São José em todo lugar”.

Entre os registros mais antigos conhecidos, está o de uma antiga capela, construída com madeira e barro. A igrejinha foi derrubada pelas chuvas, mas sabe-se que ainda ali já eram feitos os cultos em devoção a São José. Mesmo com a destruição, a fé da comunidade continuou firme.

Uma certeza é de que a história de fé está profundamente ligada à realidade da comunidade, segundo explica o padre Marcos da Silva, responsável pela Paróquia de São José, organizadora do festejo. De um lado, o santo é o protetor da Sagrada Família e padroeiro dos trabalhadores e da agricultura, do outro, a população, que é remanescente de quilombo, carrega a resistência e a cultura de suas raízes, atravessando gerações. E é aí que as histórias se cruzam, diz o padre.

“Como protetor dos plantios e intercessor dos trabalhadores, ele é especialmente significativo aqui, para um povo quilombola, que vive às margens do rio e que, provavelmente, realizava plantios coletivos para garantir o sustento no passado”, explica.

Para ele, em tempos de cheia ou de seca, muitos dos antepassados de Benedita e Célia podem ter recorrido ao santo em busca de abundância nas colheitas. Afinal, diz a crença que se o céu se veste de nuvens no dia de São José, o ano inteiro será de colheitas fartas. Quem sabe, mais que um santo, José de Nazaré tenha se tornado um fiel jardineiro de almas e das plantações na região.

Mas a fé vai além da natureza e das chuvas. Isso porque o Rodeadouro repousa nas curvas do Rio São Francisco, localizado a 13 quilômetros da sede do município de Juazeiro. Inclusive, os antigos contam que o nome surgiu das inúmeras voltas – ou “rodeios” – que as embarcações precisavam fazer para alcançar a terra firme. Ainda hoje, os moradores mais velhos guardam a lembrança do seu nome original: “Rodeador”.

O Rodeador é abençoado pelo Velho Chico, e tem na fé de sua população o pedido, sobretudo, por proteção e esperança. Benedita diz que a comunidade costuma pedir, durante as novenas, por ajuda para enfrentar dificuldades, amparo e auxílio aos irmãos.

Para Célia, é sobre coragem para enfrentar qualquer desafio. “Quando eu invoco São José, eu sou valente”, diz. Na próxima quarta-feira, ela, Benedita, e grande parte da comunidade embarcam para a procissão, que irá atravessar o rio, ecoando seus cantos, rezas e, sobretudo, a história de seu povo.

Lei Rouanet: Pernambuco sedia fórum de diálogo para ampliar acesso ao incentivo cultural

O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Economia Criativa e Fomento Cultural (Sefic), realizou nesta quarta-feira (12) o primeiro Fórum de Incentivo à Cultura de 2025. Sediado no Recife (PE), o evento integrou as atividades da 355ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) e buscou aproximar agentes culturais regionais dos mecanismos de incentivo fiscal da Lei Rouanet. O encontro, que segue até sexta-feira (14), foi realizado em parceria com a Secretaria de Cultura do Pernambuco e apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Pernambuco (Sebrae-PE), a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e do Serviço Social da Indústria do Pernambuco (Sesi-PE).

Durante a solenidade, a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, destacou a importância da realização do evento no estado. “A escolha do Recife para sediar este fórum é um reconhecimento da força e da diversidade cultural de Pernambuco. Agradecemos ao Ministério da Cultura por trazer esse debate para cá, fortalecendo o diálogo entre o governo federal e os fazedores de cultura locais”.

O secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural (Sefic), Henilton Menezes, reforçou o compromisso do MinC com a nacionalização das políticas de incentivos culturais. “A CNIC Itinerante simboliza um marco na aproximação do Ministério da Cultura com os fazedores de cultura de todo o país. Estar frente a frente com esses agentes nos permite entender suas demandas e desafios, além de disseminar de forma clara e acessível as informações sobre como acessar os mecanismos de incentivo fiscal”, declarou.

Menezes também ressaltou o esforço de reconstrução da credibilidade da Lei Rouanet, defendendo a democratização do acesso aos incentivos e a valorização da participação social como pilares para integrar a cultura e a economia criativa ao desenvolvimento do país.

O coordenador do escritório do MinC em Pernambuco, Carlos Augusto Pereira, enfatizou a importância do diálogo entre o Governo Federal e os agentes culturais do estado. “Este evento é uma oportunidade única para alinhar as necessidades locais com as políticas nacionais, garantindo que os recursos cheguem de forma eficiente aos projetos que realmente transformam a realidade cultural de Pernambuco”, disse.

Superintendente do Sebrae Pernambuco, Murilo Guerra, destacou sobre a relevância do setor cultural para a população recifense e como os incentivos fiscais são necessários para continuar fomento à produção cultural. “A cultura é um dos pilares do desenvolvimento social e econômico do Recife. Os incentivos fiscais são fundamentais para manter viva a produção cultural e gerar oportunidades para os artistas e empreendedores da região”, ressaltou”, destacou.

Após as falas institucionais, Henilton Menezes conduziu uma apresentação detalhada sobre os aspectos técnicos da Lei Rouanet e anunciou avanços em programas como o Rouanet Nordeste e o Rouanet da Juventude, que capacitam jovens como novos agentes culturais.

O evento, que contou com a presença de mais de 300 inscritos, ofereceu salas temáticas para debates setoriais sobre artes cênicas, artes visuais, música, audiovisual, humanidades e patrimônio cultural. Durante as discussões, os participantes compartilharam experiências sobre o mecanismo de incentivo fiscal federal, sanaram dúvidas com comissários presentes e promoveram a troca de conhecimentos sobre a atuação da CNIC.

Dora Dimenstein, produtora-executiva da ADCE Comunicação e uma das responsáveis pelo livro “Pernambuco: Folclore e Folguedos”, afirmou que a realização de um encontro presencial do Ministério da Cultura com os agente culturais e proponentes representa “um cuidado carinhoso, informativo e professoral para os responsáveis por moverem o setor cultural do Pernambuco”. “Aqui, hoje, temos artesãos, dançarinos de frevo e maracatu, escritores, produtores de cinema e todo tipo de fazedor de cultura interessado em dialogar e conhecer mais sobre a Lei Rouanet. Para mim, esta reunião representa um grande cuidado do governo em orientar e informar os responsáveis por mover o setor cultural”.

Encontro com o empresariado

Em um segundo momento de diálogos, representantes do MinC e da Secretaria de Cultura de Pernambuco se reuniram com o empresariado nordestino para discutir o funcionamento da Lei Rouanet e como o mecanismo de renúncia fiscal pode ser uma oportunidade para investir no setor cultural local.

Na abertura do encontro, Bruno Veloso, presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), destacou a importância do apoio empresarial para o fomento da cultura regional. “O setor industrial tem um papel fundamental no desenvolvimento cultural. Investir em projetos por meio da Lei Rouanet não só fortalece a identidade local, mas também gera impacto econômico e social para toda a região”, declarou.

Yasmin Neves, secretária-executiva de Cultura de Pernambuco, agradeceu a presença dos empresários e reforçou o impacto da cultura no desenvolvimento do estado. “A cultura pernambucana é um dos pilares do nosso crescimento social e econômico. Parcerias com o setor privado são essenciais para ampliar o alcance de projetos que valorizam nossa diversidade cultural e fortalecem um setor produtivo valioso para todo o Pernambuco e para o Brasil”, afirmou.

O evento foi conduzido pelo secretário Henilton Menezes, que apresentou os resultados gerais e regionalizados do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) nos dois primeiros anos da atual gestão. Ele destacou números recordes de captação de recursos e propostas culturais, além de prospectar novos programas segmentados, destinados a regiões e setores historicamente menos atendidos, com o objetivo de promover a nacionalização dos recursos da Lei Rouanet.

CNIC Itinerante

A CNIC Itinerante é uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) que visa promover a troca de experiências entre comissários e agentes culturais de diferentes regiões do país, além de aprimorar o uso do incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Em 2024, a Comissão visitou os estados do Espírito Santo, Mato Grosso, Ceará e Distrito Federal.

Composta por 21 representantes da sociedade civil de diversas áreas culturais e por sete autarquias vinculadas ao MinC — incluindo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fundação Nacional de Artes (Funarte), Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Fundação Cultural Palmares (FCP), Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) e Agência Nacional do Cinema (Ancine) —, a CNIC tem como objetivo subsidiar o Ministério nas decisões relacionadas à Lei Rouanet. O presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Cultura dos Estados também integra a comissão. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, preside a CNIC, e o secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural, Henilton Menezes, ocupa a suplência.

Fotos: Eduardo Cunha e Morgana Narjara/Secult-PE/Fundarpe

Projeto da Facape debate o impacto das tecnologias digitais na fruticultura regional

O projeto de extensão ‘Papo de Administrador’, da Faculdade de Petrolina (Facape), abriu sua programação de 2025 com um debate importante sobre o impacto das tecnologias digitais na fruticultura regional. A palestra, realizada nesta quarta-feira (12), trouxe o tema “Agricultura Digital na Fruticultura – Inovações e Impactos” e reuniu alunos de diversos cursos, como Administração, Ciência da Computação, Direito, Economia, Comércio Exterior, Ciências Contábeis e Gestão da Tecnologia da Informação (GTI).

O evento contou com a participação do projeto FruitTech e do especialista Valdner Daizio, além dos professores da Facape, Ricardo Amorim e Dinani Gomes. Juntos, os palestrantes discutiram como a inovação tecnológica tem transformado a produção de frutas na região, impulsionando eficiência e sustentabilidade no setor.

Para o coordenador do ‘Papo de Administrador’, professor Antônio Padilha, a iniciativa reforça o compromisso social da Facape ao aproximar os acadêmicos do mercado e da comunidade.

“Precisamos evidenciar nossas atividades para que as pessoas percebam a importância da extensão universitária. Esse nosso projeto vai justamente nessa direção: agregar valor e criar esse intercâmbio entre os nossos alunos da faculdade e os alunos da escola pública. A extensão universitária contribui significativamente para esse papel social da Facape”, destacou.

Criado em 2018, o projeto ‘Papo de Administrador’ tem como principal objetivo levar o conhecimento produzido na Facape para além dos muros da instituição. Os monitores do projeto trabalham temáticas específicas junto a alunos de escolas públicas estaduais de Petrolina e Juazeiro, promovendo uma troca de saberes e ampliando o acesso ao conhecimento acadêmico.

Edição: Magnólia Costa – Assessora de Comunicação da Facape