Terça-feira de carnaval em Salvador: folia tem Claudia de noiva sexy, trio quebrado e arrocha de prefeito na BA

Terça-feira de carnaval teve de tudo um pouco nos circuitos de Salvador.
No Campo Grande, cantor atirou notas de R$ 100 e Daniela fez reestreia.

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A terça-feira de carnaval, penúltimo dia de festa em Salvador, teve de tudo um pouco nos principais circuitos da folia. No Dodô (Barra-Ondina), os foliões puderam acompanhar desde à sensualidade de Claudia Leitte, que desfilou vestida de noiva, à ‘irritação’ de Bell Marques e de Carlinhos Brown com o ‘engarrafamento na avenida’. Já no circuito Osmar (Campo Grande) teve o retorno de Daniela, após 20 anos, prefeito arrochando e dançado até o chão e cantor jogando notas de cem reais para o público.

Antes de iniciar o percurso de quatro quilômetros, na orla, Claudinha, com um figurino branco com cerca de 10 mil cristais, que demorou um mês para ficar pronto, pediu para avisar às “recalcadas que a lua de mel começou”. Era o início do desfile da musa, que arrastou uma multidão atrás do bloco Largadinho.

 A opção da cantora por ir de noiva, esbanjando sensualidade, teve relação com o tema escolhido por ela para o carnaval desse ano: “O que você faria se o mundo fosse acabar amanhã?”. Como resposta, Claudia revelou que se casaria novamente com o marido, Márcio Pedreira. Ela ainda recebeu no trio a bateria da Mocidade, escola de samba de quem foi rainha de bateria no carnaval do Rio de Janeiro.

No desfile, Claudia cantou sucessos do próprio repertório, como “Claudinha Bagunceira”, “Beijar na Boca” e “Cartório” – hit que concorre ao título de melhor música da folia em 2015. Os cantores Sam Alves, Kim Lírio e Kall Medrado, ex-participantes do reality musical “The Voice Brasil”, também estiveram no trio da cantora.

Bell Marques e Carlinhos Brown, outros que se apresentaram no circuito, reclamaram por atrasos no desfile. Brown, que comandou o ‘Camarote Andante’, ficou  irritado porque o trio da banda Torres da Lapa, que estava à frente do seu bloco, quebrou e atrasou o desfile.

“O que eu mais ouço aqui é: tem um trio quebrado lá na frente, tem um trio parado na frente. Não dá para trazer lata velha para o carnaval da Bahia. Tem que ter responsabilidade”, disse o cantor, que desfilou no chão.

Produção tenta identificar defeito no trio elétrico para seguir percurso (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)
Trio elétrico da banda Torres da Lapa quebrou e atrasou desfile no circuito Dodõ. (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)

Já Bell chegou a parar a apresentação para criticar um trio que estava na frente de seu bloco, o Camaleão. Segundo o cantor, o trio estava parado há muito tempo e prejudicava a saída de outros artistas. “Tem que ter alguém que tire esse trio aí da frente não, bicho? Não dá para você ficar parado em uma avenida dessa três horas de relógio”, esbravejou, antes de voltar a cantar.

Wesley safadao (Foto: Mauro Zaniboni /Ag Haack)
Wesley safadao estreou no carnaval de Salvador. (Foto: Mauro Zaniboni /Ag Haack)

Quem não reclamou no carnaval foi o cantor Wesley Safadão, que nesta terça-feira fez sua estreia na folia de Salvador. Ele colocou os foliões para dançar forró na avenida, atrás do bloco Pirraça, quinta atração do dia.

Além de Wesley, se apresentaram no Barra-Ondina Vina Calmon, vocalista da banda Cheiro de Amor, Durval Lelys, Tuca Fernandes, Tomate e o trio Armandinho, Dodô e Osmar, que agitou os foliões ‘pipoca’ em um bloco sem cordas.

O cantor Xanddy, do Harmonia do Samba, também foi outra atração do circuito Dodô. Em homenagem aos 30 anos da axé music, ele comandou o trio com uma roupa estampada com nomes de artistas consagrados da música baiana.

Harmonia do Samba em Ondina 02 (Foto: Júnior Improta/Ag Haack)
Xanddy foi com roupa com nomes de artistas consagrados da axé music. (Foto: Júnior Improta/Ag Haack)

Circuito Osmar
Quem preferiu curtir a passagem de trios no Campo Grande, pode ver o retorno de Daniela Mercury ao circuito Osmar, depois de 20 anos. A cantora, que puxou um trio sem cordas, resolveu fazer um show especial e dobrar o percurso do desfile. O trio da “Rainha do Axé” fez a volta na Praça Castro Alves, ao invés de encerrar o trajeto no local, e voltou para o Campo Grande pela rua Carlos Gomes.

Daniela Mercury (Foto: Emmanuel Carneiro/Ag Haack)
Daniela Mercury voltou ao circuito Osmar depois de 20 anos. (Foto: Emmanuel Carneiro/Ag Haack)

Antes do show, Daniela falou ao G1 sobre a sensação de voltar ao circuito. “Estou muito emocionada. Fui a primeira a descer para a Barra [Circuito Dodô], porque aqui, na época, não tinha espaço. Mas a avenida [circuito Osmar] nunca saiu do meu coração”, disse.

Leo Santana vestido de baiana no Campo Grande (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)
Leo Santana vestido de baiana no Campo Grande. (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)

No centro, o que também não faltou foi irreverência. O cantor Léo Santana puxou o bloco As Muquiranas vestido de baiana, assim como o que seguiram o seu trio. Sobre o figurino, disse: “Eu gosto de entrar no clima. Sou a baiana periguete”, brincou.

O vocalista fez suspense sobre descer ou não do trio elétrico, para fazer a alegria da galera de perto, mas não descartou a possibilidade.

O ex-cantor da banda Parangolé, que completou um ano em carreira solo, fez referência aos 30 anos da axé music, soltou a voz cantando inúmeros sucessos do grupo É o Tchan e também saudou os pagodes antigos.

Até o prefeito de Salvador, ACM Neto, não resistiu à folia. Em cima do trio comandado por Alinne Rosa, que puxou o bloco Papa com figurino mais comportado, o gestor municipal arriscou uns passos de arrocha e ‘desceu ate o chão’ ao lado da cantora, ao som da música “Porque homem não chora”, de Pablo. O ator Caio Castro também se empolgou no trio e dançou ao lado de Alinne.

Representante do pagode ostentação, cantor Robyssão desfila no Campo Grande (Foto: Júnior Improta/Ag Haack)
Robyssão desfilou no Campo Grande. (Foto: Júnior Improta/Ag Haack)

Em meio à irreverência, até nota de cem reais foi jogada para o público. O ato foi do cantor líder do “pagodão ostentação”, Robyssão.

Antes do show, o músico falou que chegou a gastar 200 garrafas de champagne dando “banho” nos foliões. “Já joguei muita nota de R$ 100 para o povo nos meus shows e no carnaval. Mas tudo nota falsa, claro! Já joguei também muito champagnen na galera”, disse o cantor.

O cantor Saulo Fernandes chegou a descer do trio, mas não foi para pegar as notas de cem jogadas por Robyssão, mas sim para ficar mais perto da galera. À frente do bloco Coruja, Saulo cantou no meio dos foliões a música “We are carnaval” e ainda dançou no chão com o ator Tiago Abravanel. Antes, ainda em cima do trio, comprou um saco de pipoca de um vendedor ambulante.

saulo no chão (Foto: Emmanuel Carneiro/Ag Haack)
Saulo desceu do trio e dançou no chão ao lado do ator Tiado Abravanel. (Foto: Emmanuel Carneiro/Ag Haack)

A Banda Eva, comandada pelo cantor Felipe Pezzoni, fez homenagem aos trinta anos do axé e aos 35 anos do “bloco Eva”. Durante a apresentação, o artista vestiu uma mortalha branca usada por foliões do bloco no carnaval do ano de 1981. Além disso, Pezzoni recebeu no trio outros cantores que já estiveram à frente da banda, como Ricardo Chaves, Emanuelle Araújo e Marcionílio.

Felipe Pezzoni, do EVA, recebe Ricardo Chaves e Emanuelle Araújo em trio (Foto: Jailton Suzart/Ag Haack)
Felipe Pezzoni, do EVA, ao lado de Ricardo Chaves e Emanuelle Araújo. (Foto: Jailton Suzart/Ag Haack)

O Circuito Dodô também teve nesta terça-feira de carnaval apresentações das bandas Olodum, Muzenza e Cortejo Afro. Ao todo, 27 atrações desfilaram no circuito. Já no Batatinha (Pelourinho), o público acompanhou shows dos grupos musicais Swing do Pelô, Samba de Raíz, Filhos de Omolú, Korin Nagô, Blocão da Liberdade e da banda de percussão Luaê.

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