Demolição do Ceape inicia com susto aos permissionários em Petrolina, PE

Negociações não chegaram a uma conclusão.
“Novas demolições irão acontecer”, afirma secretário Jenivaldo dos Santos.

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Começou por volta das 4h desta sexta-feira (6), a demolição de um galpão no Centro de Abastecimento de Petrolina (Ceape). No local, que estava desativado há, pelo menos, oito meses, já funcionou um restaurante. Os permissionários que chegavam para o trabalho levaram um susto com a presença das equipes de Ordem Pública e Guarda Municipal e uma retroescavadeira que já realizava a derrubada do imóvel.

A permissionária Zeneide Ferreira de Silva mora e trabalha há 10 anos no Ceape. Ela tem um restaurante próximo ao galpão demolido. Segundo a mulher, ainda estava escuro quando começou a ouvir o barulho das máquinas. “Meu filho veio correndo me chamar, dizendo que tinha uma retroescavadeira tirando os canos. Comecei a ligar para as pessoas e fiquei sem saber o que fazer. Não sei como não nos levaram, pois meu quarto fica bem próximo do galpão derrubado”, afirmou Zeneide Ferreira.

Ceape Petrolina (Foto: Amanda Franco/ G1)
Galpão do Ceape foi destruído (Foto: Amanda Franco)

Josevan Pedro tem um ponto e comercializa sorvete há 14 anos no local. Ele explica que as negociações entre prefeitura e trabalhores acontecem desde 2011, mas que ainda não chegou a uma conclusão. “Aconteceram propostas verbais e a gente não sabe. Temos que aguardar uma ordem judicial. A força será complicado”, disse.

Para João Soares, que trabalha há 30 anos com cebola, a chegada da equipe de Operações é um caso que deve ser levado à polícia. “Como é que manda na madrugada? Isso é caso de polícia. Só saímos daqui depois da última instância. Já estamos na justiça, mas vamos ver se isto está certo”, reforçou o  ceboleiro.

Ceape (Foto: Antônio Melo/Arquivo pessoal)
Demolição do Ceape (Foto: Antônio Melo/Arquivo pessoal)

Jorge Damião agencia cargas no Ceape há 25 anos. Ele disse que o fechamento do local tende, somente, a dificultar a situação financeira de todas as famílias que dependem do espaço para trabalhar. “Fica difícil para mim e para outros pais para manter a família. É uma injustiça o que está sendo feito”, lamentou.

Damião Ferreira, de 38 anos, e há pelo menos 30 está no Ceape. Ele tem uma lanchonete e questiona a forma como tudo aconteceu. “Parecia coisa de terrorista. Eles não avisaram nada e chegaram de madrugada. Religamos a água e eles arrancaram tudo. Não temos um lugar para ir. Eles querem doar um terreno, mas não temos condições para levantar a lanchonete”, disse. Ele alegou ainda que tem medo de sair do local, chegar no dia seguinte e encontrar tudo destruído.

De acordo com o Secretário de Ordem Pública e Segurança Cidadã, Jenivaldo dos Santos, não era preciso uma ordem judicial para que o local começasse a ser demolido. “O diálogo de relocação é constante e precisamos seguir o conograma de construção do Centro Administrativo que já está atrasado”, afirmou o secretário. Segundo Jenivaldo, os permissionários já estão avisados que devem deixar o local. “O prazo já estourou no final de 2014”, disse o secretário.

Segundo Jenivaldo dos Santos, um terreno no bairro José e Maria foi oferecido para que os permissionários pudessem construir os boxes. “Já aos ceboleiros foi oferecido outro lugar, mas eles não estão aceitando a localização. O que a prefeitura poderia oferecer a eles, já foi feito”, concluiu Jenivaldo dos Santos.

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