Entre tarifas dos EUA e oportunidades na Europa e Ásia, Abrafrutas projeta US$ 2 bilhões em exportações de frutas brasileiras

A estratégia de diversificação também inclui mercados de menor porte, mas com potencial de crescimento. Segundo Brandão, o Brasil abriu recentemente o mercado da Costa Rica para o caqui paulista e já realizou os primeiros embarques da fruta.

“Abrimos em 4 meses e já exportamos Caqui Paulista para Costa Rica.”

Dependência de poucos mercados preocupa

Apesar das perspectivas positivas, a Abrafrutas avalia que a concentração das exportações em poucos destinos ainda representa um risco para o setor.

Atualmente, cerca de 70% das vendas externas têm como destino a União Europeia, enquanto o Reino Unido responde por aproximadamente 15% e os Estados Unidos por cerca de 12%.

“Se somar esses três aí, vai dar mais ou menos 80 e poucos por cento concentrado em três destinos. Para mim isso é um risco.”

Por isso, a abertura de novos mercados passou a ocupar posição estratégica dentro da entidade.

Logística ainda limita competitividade do Brasil

Além das barreiras comerciais, a logística continua sendo um dos principais desafios para o avanço das exportações brasileiras de frutas.

Segundo Brandão, os exportadores enfrentam dificuldades relacionadas aos custos de transporte, à disponibilidade de embarques e à dependência de rotas compartilhadas com outros tipos de cargas.

Como o volume exportado pelo Brasil ainda é inferior ao de concorrentes como Chile e Peru, os embarques de frutas normalmente ocupam apenas parte dos contêineres transportados pelos navios.

Na prática, isso reduz o poder de negociação dos exportadores brasileiros junto aos armadores. Em alguns casos, mesmo após o agendamento da carga, alterações operacionais podem impedir o embarque dos contêineres previstos, obrigando produtores a redirecionar a produção ao mercado interno e comprometendo relações comerciais construídas ao longo de anos com compradores internacionais.

O transporte aéreo surge como alternativa para produtos de maior valor agregado ou com menor vida útil, mas os custos são significativamente mais elevados. Enquanto o frete marítimo para a Europa gira em torno de US$ 0,58 por quilo, o transporte aéreo pode superar US$ 1,80 por quilo, reduzindo as margens dos exportadores.

O cenário reduz a competitividade do Brasil frente a concorrentes como Chile e Peru, que operam volumes maiores e contam com estruturas logísticas mais eficientes para atender mercados estratégicos, especialmente na Ásia.

A localização geográfica também favorece esses países em algumas rotas internacionais. Situados na costa do Pacífico, Chile e Peru possuem acesso mais rápido aos mercados asiáticos e embarcam volumes suficientes para operar navios dedicados ao transporte de frutas, sem depender de rotas compartilhadas com outros segmentos.

Para ilustrar a diferença de competitividade, Brandão faz uma comparação direta entre os principais exportadores da América do Sul. Segundo o executivo, os US$ 1,45 bilhão exportados pelo Brasil em frutas em 2025 equivalem aproximadamente ao faturamento obtido pelo Chile apenas com as exportações de cereja e pelo Peru somente com avocado, evidenciando o espaço para crescimento da fruticultura nacional.

A entidade também acompanha projetos de infraestrutura voltados à ampliação da competitividade logística do setor. Entre eles está a Rota Bioceânica, corredor que pretende conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos no Pacífico, reduzindo distâncias para mercados asiáticos. A expectativa é que iniciativas desse tipo contribuam para diminuir custos e ampliar a presença das frutas brasileiras em países como China, Japão e Coreia do Sul.

Fonte: Agrofy News

 

Fonte: CNN