“A fruticultura brasileira tornou-se muito mais competitiva com a entrada em vigor do acordo. No caso da uva, a importância foi ainda maior, já que a redução tarifária foi imediata, passando de tarifas que podiam chegar a 14% para zero”, afirma Jorge de Souza, gerente de projetos da Abrafrutas.
No entanto, De Souza enfatiza que o acordo por si só não garante um crescimento automático das exportações.
“O setor deve continuar trabalhando em inovação e qualidade, já que a competitividade só é igualada em termos tarifários”, alerta.
A União Europeia continua sendo o principal destino das uvas brasileiras, embora a Abrafrutas ressalte que o Brasil também é uma importante região produtora.
“As uvas importadas apenas complementam o abastecimento da Europa quando a produção nacional não é possível ou atende apenas parcialmente à demanda”, explica De Souza.
Portanto, não esperam uma expansão rápida das vendas para o bloco europeu. Segundo De Souza, o aumento das exportações deverá ser moderado e dependerá também de fatores externos, como as condições climáticas dentro e fora da Europa.

Entre os pontos fortes do Brasil, De Souza destaca a capacidade produtiva do país. “A principal vantagem do Brasil sobre seus principais concorrentes na produção de uvas de mesa reside na sua capacidade de produzir mais de uma safra por ano e ainda ter considerável espaço para crescimento na produção e na produtividade.”
No entanto, a organização ressalta que a concorrência internacional continuará intensa. Fatores como genética vegetal, qualidade da fruta, logística e acesso ao mercado continuarão sendo cruciais para a conquista de participação de mercado.
Em relação às tendências de consumo, as variedades sem sementes continuam a liderar as preferências dos consumidores europeus, especialmente nos segmentos premium . Além disso, fatores como sustentabilidade, comércio justo e segurança alimentar estão se tornando cada vez mais importantes nas decisões de compra.
As projeções iniciais para 2026 apontavam para um crescimento de quase 10% nas exportações brasileiras de uva. No entanto, a incerteza geopolítica e logística continua a afetar as perspectivas do setor.
“A logística desempenha um papel fundamental na capacidade de entregar o produto desejado ao seu destino, com a qualidade e o prazo acordados”, enfatiza De Souza, acrescentando que a evolução do contexto geopolítico global será crucial para a competitividade futura.
“Atualmente, existe um grau razoável de otimismo no setor frutícola brasileiro”, afirma De Souza. “Queremos aumentar nossas exportações de frutas e vamos conseguir, mas estamos cientes dos desafios e das áreas em que precisamos melhorar para atingir esse objetivo.”
Fonte: Fresh Plaza
Fonte: CNN





