Saída de premiê do Reino Unido é algo sem precedentes, diz especialista

Análise: A crise por trás da renúncia de Keir Starmer no Reino Unido

A saída de Keir Starmer do cargo de primeiro-ministro Reino Unido é um evento sem precedentes na história recente do Partido Trabalhista britânico, segundo o professor de Economia da FAAP e de Relações Internacionais da FGV Vinícius Rodrigues Vieira, em entrevista ao WW.

De acordo com Vieira, ao se analisar a história do Partido Trabalhista, Starmer é aquele que liderou o partido de volta ao poder após um longo período na oposição e, ao mesmo tempo, o que menos tempo permaneceu no cargo depois desse processo. “Pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial, isso é algo sem precedentes”, afirmou o especialista.

Reform Party e o alerta definitivo

Um dos fatores determinantes para a perda de apoio a Starmer foi o desempenho do Reform Party, de Nigel Farage, nas eleições municipais. De acordo com Vieira, o partido obteve aproximadamente 1.500 cadeiras nos conselhos locais — o equivalente às câmaras de vereadores no Brasil —, partindo de apenas duas cadeiras anteriormente.

“Acendeu-se ali o alerta definitivo entre os trabalhistas de que o Starmer não seria mais o líder adequado para manter o poder”, explicou o especialista.

Diante desse cenário, a ala interna situada à esquerda de Starmer — mas que, segundo Vieira, não representa exatamente a ala esquerda tradicional do Partido Trabalhista — passou a articular movimentações para substituí-lo na liderança.

Andy Burnham como possível substituto

O nome que surge com mais força para assumir o posto é o de Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester, uma região metropolitana que engloba diversos municípios, incluindo a própria cidade de Manchester.

Vieira destacou que Burnham goza de considerável aprovação entre o eleitorado de regiões que sofreram com o declínio industrial provocado pela globalização. “Ele parece ser de fato o nome mais adequado para substituir o Starmer”, avaliou o especialista.

Para o professor, a moderação excessiva de Starmer pode ter sido um dos principais fatores para a sua queda, especialmente em um contexto político em que os extremos — tanto à direita quanto à esquerda — têm ganhado cada vez mais espaço.

Burnham já teria assumido uma cadeira no Parlamento, condição necessária para que possa ser eleito primeiro-ministro em um sistema de democracia parlamentar, com a possibilidade de assumir o cargo já em julho.

Fonte: CNN