O Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), vinculado à HU Brasil, participou de um estudo clínico nacional focado em avaliar o impacto de intervenções nutricionais no tratamento de pessoas com Hipercolesterolemia Familiar (HF). A condição é uma doença genética crônica caracterizada por níveis elevados de colesterol LDL, o chamado “colesterol ruim”, o que aumenta o risco de infartos precoces.
O ensaio clínico, chamado de DICA-HF, foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa do Hcor (IP-Hcor) em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), mobilizando diversos centros de saúde e universidades em todo o país.
O estudo buscou compreender como diferentes intervenções alimentares podem auxiliar na redução do colesterol LDL, funcionando como um braço complementar às terapias com medicamentos que os voluntários já realizavam.
Durante a pesquisa, os participantes foram acompanhados durante 120 dias (quatro meses), com quatro visitas programadas aproximadamente a cada 40 dias. O acompanhamento ocorreu de forma híbrida, mesclando consultas presenciais e remotas. A investigação avaliou os efeitos de uma versão adaptada da Dieta Cardioprotetora Brasileira (DICA Br), suplementação com fitosteróis e com óleo de krill, além da comparação dessas estratégias com placebo.
Ao longo do projeto, os voluntários receberam orientação nutricional especializada, acompanhamento alimentar contínuo, suplementação nutricional, exames de imagem cardiovascular e testes genéticos para confirmação e caracterização da doença. A Hipercolesterolemia Familiar é considerada uma condição severamente subdiagnosticada no Brasil, o que significa que milhares de pessoas convivem com o risco cardíaco elevado sem saber da própria herança genética.
De acordo com a chefe interina do Setor de Paciente Crítico e pesquisadora principal do estudo no HU-Univasf, Hildene Melo, além da redução do LDL, a pesquisa pretende gerar evidências científicas robustas sobre o papel da alimentação no tratamento da doença, contribuindo para o desenvolvimento de abordagens complementares ao tratamento medicamentoso e para a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis.
“O estudo fortalece a produção científica, amplia a experiência das equipes multiprofissionais em pesquisa clínica e promove a qualificação da assistência prestada aos pacientes com doenças cardiovasculares hereditárias. Além disso, possibilita acesso a exames especializados, incluindo testes genéticos, e contribui para o diagnóstico mais preciso da doença”, enfatizou.
A pesquisadora destacou ainda que o projeto promove capacitação de profissionais de saúde, fortalece ações de educação alimentar e nutricional e pode apoiar a incorporação de intervenções efetivas em larga escala na rede pública. “Isso contribui para a prevenção de eventos cardiovasculares e para a melhoria da qualidade de vida da população”, finalizou.





