A Polícia Civil da Bahia lamenta a morte do investigador Hilberto da Silva Lopes, em Juazeiro-BA

Hilberto da Silva Lopes

Hilberto da Silva Lopes, de 52 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo durante o cumprimento de mandados contra acusados de homicídios e tráfico de drogas, na Vila do Rodeadouro, naquele município, nesta sexta-feira (23). O policial estava lotado na sede da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Juazeiro) e integrava a equipe da Coordenação de Apoio Técnico à Investigação (Cati/Norte).

Natural de Senhor do Bonfim, Hilberto entrou na instituição no ano 2000 e foi designado para a Delegacia Territorial de Sento Sé. Pouco mais de três anos depois, passou a fazer parte da sede da Coorpin de Juazeiro. No final daquela década, passou a trabalhar perto de casa, em Itiúba, na área da 19ª Coorpin, e foi lotado em sua cidade-natal no ano de 2011.

Em 2017, depois de uma rápida licença para disputar cargo eletivo, Lopes fez parte da Delegacia de Homicídios de Juazeiro. Dois anos depois, transferiu-se para a Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core), à época ainda denominada COE. Ele permaneceu na divisão de elite da Polícia Civil até 2021, quando voltou a Juazeiro.

A Delegada-Geral da Polícia Civil da Bahia, Heloísa Campos de Brito, une-se no luto da família e dos amigos e expressa suas condolências.

Casal sofre descarga elétrica e mulher morre no bairro Padre Cícero, em Petrolina-PE

Um casal de personal trainers sofreu uma descarga elétrica ao manusear um varal de roupas em casa, no bairro Padre Cícero, em Petrolina (PE).

Segundo informações, Aila Pimenta tentou retirar o varal que estava preso a um ar-condicionado na área externa da residência, acabou sofrendo uma descarga elétrica e não resistiu.

Ao tentar salvar a esposa, o marido de Aila, Giovanny Diniz, também sofreu o choque. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Universitário.

Ainda não há detalhes sobre o estado de saúde de Giovanny.

Edição: Blog do Carlos Britto

Transforma Petrolina encerra agenda em São Paulo com visita ao projeto ‘Favela 3D’ da Gerando Falcões

Após três dias de intensa agenda para explorar projetos de impacto social em São Paulo, a equipe do Transforma Petrolina concluiu os compromissos nessa quinta-feira (22), numa importante visita ao município de Ferraz de Vasconcelos para conhecer a ‘Favela dos Sonhos’, que faz parte do projeto Favela 3D (Digital, Digna e Desenvolvida), da ONG Gerando Falcões.
 A Favela 3D tem o objetivo de superar a pobreza, e funciona com uma metodologia escalável e autossustentável para reestruturar territórios vulneráveis com melhorias habitacionais, saneamento básico e construções sustentáveis. A iniciativa ainda oferece capacitação profissional, geração de renda, acesso gratuito à internet Wi-Fi, CEP digital, ecopontos, iluminação sustentável e outras soluções para que as famílias tenham suporte tanto estrutural quanto às demais necessidades.
O projeto reúne parcerias e conta com o apoio da iniciativa privada e ações integradas com o poder público e outras instituições do terceiro setor. Durante a agenda em São Paulo, a equipe do Transforma Petrolina também se reuniu com a primeira-dama do Estado e presidente do Fundo Social, Cristiane Freitas para discutir políticas públicas, e também conheceu o Instituto de Recuperação Missão Amor (IRMA), em Osasco.
 De acordo com a coordenadora voluntária do Transforma Petrolina, esse intercâmbio de experiências reforça a necessidade da prática voluntária de todos os segmentos da sociedade para enfrentar os desafios sociais. “A equipe retorna a Petrolina com uma bagagem de experiências que certamente moldarão nossas futuras ações. A Favela 3D, por exemplo, demonstrou claramente como a colaboração e o engajamento voluntário podem catalisar mudanças significativas pra quem mais precisa”, afirma.

Fundarpe abre exposição sobre seus 50 anos na Casa de Câmara e Cadeia de Brejo da Madre de Deus 

A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) abriu, nesta quinta-feira (22), a exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio na Casa de Câmara e Cadeia, localizada no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste do Estado. A abertura contou com a participação de alunos da Escola EREM André Coelho; do escritor e poeta Jonnata Henrique; e a presença do Maestro Nino, da Banda Musical Madre de Deus (fundada em 1957), tocando os hinos de Pernambuco e do município.

A visitação segue aberta até o dia 25 de março. A entrada é gratuita, e a visitação poderá ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados das 9h às 12h.

“A exposição é uma das ações comemorativas dos 50 anos da Fundarpe, instituição que conseguiu acompanhar a evolução da política de preservação do País, como está bem retratado nos diversos painéis expositivos”, afirma a presidente da Fundação, Renata Borba.

“A cultura brejense é detentora de uma imensa riqueza que precisa se descortinar diante do olhar sensível dos seus moradores, pois entendemos que uma história só poderá ser valorizada e preservada se for descoberta pela comunidade local de modo que possa ressignificar o passado, valorizar o presente e vislumbrar um futuro pleno de conhecimentos”, destaca Mônica Mendonça, gestora da Casa de Câmara e Cadeia do Brejo da Madre de Deus. 

FUNDARPE – Após meio século de história, completado em 17 de julho passado, a impressão é que a Fundarpe já possui 100, 200 anos. De um órgão criado, como intitulado, para cuidar do patrimônio histórico e artístico do Estado, ao longo dessas cinco décadas foram acrescidas responsabilidades que ampliaram ainda mais seu leque de atuação para um órgão executor da política cultural estadual, desenvolvida em bases democráticas, em todas suas dimensões e expressões.

Como missão, ao longo do tempo, além do incentivo à cultura e da preservação dos monumentos históricos e artísticos, a Fundarpe passou a ter a promoção, o apoio, o incentivo, a preservação e a difusão das identidades e produções culturais de Pernambuco de forma estruturadora e sistêmica, focada na inclusão social, na universalização do acesso, na diversidade cultural, na interiorização das ações e no desenvolvimento regional integrado. Nesse processo tem sido também protagonista como testemunha atuante na história da cultura do Estado.

Percorrer os caminhos dos 50 anos da Fundarpe é observar marcos importantes no entendimento e na difusão da cultura e dos patrimônios pernambucanos. É encontrar, nesse trajeto, muitos desafios e a consolidação de políticas públicas e de fomento voltadas para as histórias, memórias e identidades, construídas coletivamente.

Por considerar a pluralidade e a riqueza cultural pernambucanas, em seus 50 anos a Fundarpe, ligada à Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco (Secult-PE), em parceria com os municípios e demais coletivos, viabilizou iniciativas potentes e relevantes no que se refere ao campo da preservação, da salvaguarda, da valorização e da divulgação do patrimônio cultural, artístico e histórico do Estado iluminando a diversidade e buscando a interiorização e a inclusão social.

A exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio leva o público ao encontro com os Patrimônios Materiais, Imateriais e Vivo do Estado. Continua com um passeio pela variedade dos equipamentos culturais (Casa da Cultura, Cinema São Luiz, Cine-Teatro Guarany, Espaço Pasárgada, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Sacra, Museu do Barro de Caruaru, Museu do Estado, Museu Regional de Olinda, Teatro Arraial Ariano Suassuna e, claro, a anfitriã Torre Malakoff) e da multiculturalidade dos festivais culturais, assim como encaminha à reflexão sobre a relevância da contribuição do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) para a cultura estadual.

Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio convida o público a conhecer as experiências e ações desenvolvidas pela Fundação e a se reconhecer nos muitos projetos e nas muitas atividades elaboradas e acompanhadas pela instituição reforçando o sentimento de pertencimento nos diversos grupos que constituem nossa sociedade.

A mostra tem coordenação de Flávio Barbosa; projeto expográfico de Rinaldo Oliveira; design gráfico de Íkaro Câmara e Hana Luzia; produção e revisão de textos de Luciana Gama; e produção de conteúdo de Clarice Andrade, Flávio Barbosa, Hana Luzia, Íkaro Câmara, Luciana Gama, Marcelo Renan, Maria Rosa Brito Maia, Neide Fernandes, Raphaela Rezende e Teresa Amaral.

Serviço:Exposição Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e PatrimônioCasa de Câmara e Cadeia de Brejo da Madre de Deus (Rua Maestro Tomás de A. Maciel, Centro)Visitação: Até o dia 25 de março, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados das 9h às 12hAcesso gratuito

Volume de chuvas em Petrolina nos dois primeiros meses de 2024 já é o maior dos últimos 20 anos

As chuvas do mês de fevereiro deste ano vieram mais intensas e com mais volume. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em fevereiro já choveu o dobro da média climatológica. Desde o último domingo (18) foram 144,4 milímetros, a média climatológica do mês era de 78,1 milímetros. De janeiro até agora, o acumulado foi de 322,2 milímetros. Ainda segundo o Instituto, quando comparado os dois primeiros meses de 2024 com anos anteriores, o volume de chuvas é o maior já registrado desde 2004.

De acordo com a previsão meteorológica da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), o restante da semana será de céu parcialmente nublado com pancadas de chuva que podem variar entre fraca e moderada, com um acúmulo de água previsto de 10 a 30 milímetros.

A equipes da Prefeitura de Petrolina, através da Defesa Civil, Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade e Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, estão nas ruas para fazer o levantamento das comunidades mais atingidas. As equipes estão em campo vistoriando os pontos considerados críticos. O foco é identificar locais com alagamentos, quedas de árvore, casas invadidas pela água, famílias desalojadas, entre outros.

Quem precisar de algum tipo de assistência pode acionar a Defesa Civil através do número 153 ou pelo whatsapp (87) 991329568, que funciona 24h. Os servidores estão de prontidão para atender à população em caso de emergência.

Texto: Luzete Nobre  / Fotos: Deivid Menezes 

River Shopping e Sanvale firmam parceria inédita de reciclagem e economia circular

O River Shopping é referência quanto ao descarte do lixo, que já é feito naturalmente, separado de acordo com a seleção correta dos materiais e doado às entidades que recolhem e reaproveitam esses resídios. Mas pensando em ampliar essa ação, o River Shopping e a Sanvale Soluções Ambientais uniram forças e irão receber os materiais descartáveis dos clientes através de grandes conteiners instalados no estacionamento do mall.

A partir desta quinta-feira (22), será inaugurada a Estação de Resíduos, com um contêiner com cinco espaços para eletrônicos, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, monitores e computadores antigos, além de pilhas, baterias e lâmpadas. O espaço irá funcionar das 10h às 18h, de segunda a sábado, e aos domingos, entre as 14h e 18h.

O objetivo da iniciativa é incentivar ainda mais a coleta seletiva e dar destino a itens que seriam descartados no lixo comum: “A nossa ideia é que as pessoas possam utilizar este ponto de coleta como um apoio, ajudando o meio ambiente e propagando a coleta seletiva do lixo também na suas casas e comunidade em geral”. Explica Welton Carvalho, superintendente do River Shopping.

A parceria faz parte da iniciativa dos cinco R’s da Economia Circular: Recusar, Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar. O evento de inauguração será nesta quinta-feira (22), a partir das 16h. O espaço vai estar aberto ao público no dia seguinte, a partir das 10h.

Motorista de guincho é autuado após destruir o passeio na Avenida João Campos em Petrolina

A Autarquia Municipal de Mobilidade de Petrolina (AMMPLA) informa que o motorista do guincho que danificou o passeio na Avenida João Campos, no bairro Caminho do Sol, no início dessa semana, recebeu duas autuações e teve o veículo removido para o depósito do órgão por transitar com equipamento de segurança em desacordo com normas do CONTRAN.

O motorista também foi conduzido para Delegacia para responder pelo crime previsto no Artigo 163 do Código Penal, que trata sobre destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia.

As empresas responsáveis pelo guincho e pelo caminhão-pipa que estava sendo guinchado no momento da infração, serão acionadas juridicamente para que assumam os custos do reparo do local destruído.

Univasf realiza processo seletivo para estágio na Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), através da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Propladi), realiza processo seletivo para vaga de estágio na Diretoria de Planejamento (DP). Podem se inscrever estudantes regularmente matriculados nos cursos de Administração e Engenharia de Produção, em qualquer Instituição de Ensino Superior reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até o dia 28 de fevereiro.

Os estudantes interessados devem ter concluído no mínimo 30% do curso exigido no Edital Nº 1/2024 , que regula a seleção. Os candidatos deverão encaminhar um e-mail para o endereço dp.propladi@univasf.edu.br, com o assunto “Seleção Estágio DP/Propladi”, e anexar os seguintes documentos: ficha de inscrição (Anexo 1 do edital) devidamente preenchida, comprovante de matrícula do semestre atual, currículo, histórico escolar de graduação atualizado, e carta de intenção.

A seleção é composta por três etapas: análise da carta de intenção, entrevista e teste prático. Os candidatos irão receber pelo seu e-mail, no dia 4 de março, as orientações para realizar a entrevista e o teste prático entre os dias 5 e 7 de março.

Os estagiários irão cumprir uma jornada de 20 horas semanais com bolsa mensal de R$ 787,98, e auxílio transporte mensal no valor de R$ 220,00. O horário de estágio será correspondente ao expediente das diretorias e compatível com o horário de curso de graduação do estagiário. O estágio terá duração de 12 meses, podendo ser prorrogado por mais um ano. O resultado final do processo seletivo será divulgado no dia 12 de março no site da Propladi. Mais informações estão disponíveis no edital da seleção.

Estabelecimentos podem proibir uso de notebooks sem infringir a lei

Os comerciantes têm o direito de estabelecer normas que permitam ou proíbam o uso de equipamentos como notebooks e tablets em seus estabelecimentos. No entanto, é necessário que as restrições sejam comunicadas, de forma clara, antes de os clientes ocuparem mesas ou fazerem pedidos.Ao comunicar previamente que o estabelecimento se destina exclusivamente à prestação de serviços alimentícios e não pode ser utilizado para finalidades distintas, o comerciante está em conformidade com sua obrigação, conforme estipulado no Código de Defesa do Consumidor, artigo 6, inciso III, que trata do direito à informação do consumidor.

A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Carolina Vesentini, esclarece que o consumidor consciente da informação poderá escolher se permanece no estabelecimento ou se procura outro que atenda às suas necessidades.

Bares, restaurantes e padarias podem proibir clientes de usarem computador na mesa? Foto: Freepik
Consumidor consciente da informação poderá escolher se permanece ou não no estabelecimento. Foto: Anna Zielinska/Gpoint studio/Freepik
“Caso a informação esteja nitidamente disponível para todos os consumidores que optarem por utilizar o estabelecimento, o consumidor estará consciente e, consequentemente, deverá aderir às normas estabelecidas pelo local, mantendo assim sua liberdade de escolha quanto a permanecer ou deixar o estabelecimento e procurar outro que atenda às suas necessidades.”

A discussão surge após viralizar, no início deste mês, nas redes sociais, a filmagem do dono de uma padaria em Barueri (SP), na Grande São Paulo, se irritar, ameaçar e tentar agredir com um pedaço de madeira um cliente que usava um notebook no local, onde consumia alguns alimentos do estabelecimento.

Estabelecimentos comerciais

Sobre o caso, em nota pública, a Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp) alertou para o que considera como uso inadequado de notebooks, de tablets ou de smartphones em ambientes gastronômicos. “Com o objetivo de evitar novos conflitos, a principal orientação da entidade é que as partes adotem bom senso na utilização dos equipamentos, bem como na aplicação de restrições por parte dos estabelecimentos.”

O diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, afirma que, mesmo não tendo essa finalidade, bares, restaurantes, cafés e padarias, frequentemente, oferecem estrutura que comporta trabalho remoto, como acesso gratuito à internet, energia elétrica para carregar as baterias de eletrônicos, além de estacionamento e sanitários.

“A realização de longas reuniões online e a maior permanência nos ambientes gastronômicos, por força do trabalho remoto, estão indo além do consumo in loco e em alguns casos, têm gerado problemas, como o ocorrido há poucos dias em Barueri.”

“Muitos dos clientes querem transformar os locais em verdadeiros escritórios particulares. A prática acaba por reter as mesas por tempo excessivo, e, muitas das vezes, sem consumo equivalente. Trata-se de conduta que impede a rotatividade de outros consumidores que desejam se alimentar”, esclarece o diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto.

Caso não haja bom senso entre as partes, o diretor sugere que os estabelecimentos adotem restrições, como impedir o acesso de wi-fi, não permitir o carregamento de baterias ou até cobrar valores adicionais, majorar os preços do cardápio ou consumo mínimo pelo uso da estrutura para fins comerciais. “Para reuniões e ações relacionadas ao trabalho administrativo ou criativo, entendemos que os coworkings (espaço e recursos de escritório compartilhados), e os espaços públicos são os ambientes mais propícios.”

A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Carolina Vesentini, considera que a questão, realmente, envolve princípios de boa-fé. “Não parece justo que um consumidor ocupe espaço significativo e utilize as instalações e energia do estabelecimento sem fazer consumo, especialmente considerando que o propósito do local é fornecer comida e não oferecer acesso à internet, havendo outros lugares mais adequados para isso”.

Em Brasília, a idealizadora e CEO (Chief Executive Officer) do Betina Cat Café, Mariana Eduarda Brod, entende que a cobrança de taxa pode ser uma saída. “Atualmente, com esse crescimento do home office, foi criado o coworking e você aluga o espaço, onde paga pela internet, por um espaço confortável para fazer reunião, para estudar e tudo mais. Claro que uma cafeteria tem o diferencial do ambiente. Mas, hoje, para mim, não faz sentido cobrar uma taxa.”

Relação com clientes

A reportagem da Agência Brasil entrevistou empresárias do ramo no Distrito Federal sobre o assunto. Alguns estabelecimentos até incentivam os consumidores a utilizar suas instalações como parte de uma estratégia de marketing, visando aumentar as oportunidades de consumo.

Como descreve a proprietária do Sophie Café Bistrô, Fernanda Iglesias de Lima Xavier, “nosso conceito é realmente ser esse local aconchegante, com atendimento diferenciado e estrutura para eventos, reuniões e coworking, em um espaço mais reservado, com estrutura projetada para tal”.

O Constantina Café e Quitutes também disponibiliza wi-fi aos clientes. A sócia do estabelecimento, Carolina Maia Moreira, propõe, durante a semana, um ambiente agradável para as pessoas que procuram lugares para trabalhar, seja online ou para fazer reuniões que necessitam de internet.

“Inclusive, disponibilizamos um cardápio especial chamado Coffee Office, com preço diferenciado, para o cliente aproveitar melhor seu tempo em nosso estabelecimento.” E mesmo diante de clientes que apenas usufruem dos benefícios, mas não consomem, Carolina Moreira enxerga uma oportunidade. “Só do cliente ir e conhecer nosso local, já achamos válido. pois pode ser uma futura visita!”

Entendimento semelhante ao da proprietária de duas unidades do Vert Café, Ligia Braga. Ela confirma que as pessoas que frequentam o estabelecimento para usar wi-fi e estudar, normalmente, consomem itens do cardápio e que a relação é vantajosa. “Para nós, é vantagem sim, até porque eles ocupam um horário mais ocioso, como às 14h, que ainda não é mais de almoço, nem de lanche da tarde”.

Porém, Lígia revela que há pessoas vão ao local, não consomem nada, apenas pedem a chamada água da casa, garantida pela lei distrital nº 1954 de 08/06/1998, que determina aos estabelecimentos gêneros alimentícios, hotéis e, mais recentemente, casas noturnas do Distrito Federal devem fornecer gratuitamente água potável a seus clientes e frequentadores.

Ainda assim, a empresária Lígia Braga aposta em vendas futuras. “Achamos que se essas pessoas vêm trabalhar, eventualmente, virão também consumir, jantar, lanchar, trarão a família. Este é um jeito deles conhecerem o café e trazerem mais público em outras vindas.”

A CEO do Betina Cat Café, Mariana Eduarda Brod, que mantém no espaço da cafeteria um projeto de adoção de felinos resgatados, que possibilita aos clientes brincar com os bichanos mediante o pagamento. Ela comunica ao público que quer trabalhar ou estudar no local, com vista para os animais, que dispõe de internet rápida, oito tomadas e senha de wi-fi.

No entanto, a proprietária admite abertamente que precisa de faturamento médio diário para custear as despesas do estabelecimento.

“Tenho doze mesas para um espaço de 40 metros quadrados. Então, cada mesa tem que ter um giro a cada uma hora, uma hora e meia de, no mínimo, para que as contas fechem no fim do mês. Eu nunca tive nenhum cliente, por exemplo, que veio ao café, usou internet e energia elétrica e, no fim, não consumiu nada. Porém, há quem consuma menos. Esse pessoal acaba indo ao café mais no início da semana. Sexta, sábado e domingo são dias de mais movimento.”

Clientes

Muitos frequentadores de cafeterias gostam da possibilidade de expandir o local de trabalho para além das paredes da própria casa ou de um escritório tradicional.

Bares, restaurantes e padarias podem proibir clientes de usarem computador na mesa? Foto: Anna Zielinska/Gpoint studio/Freepik
Bares, restaurantes e padarias podem proibir clientes de usar computador na mesa? Foto:  – Anna Zielinska/Gpoint studio/Freepik
A estudante de farmácia Aline Oliveira é uma desses consumidores. “Acho ótimo poder sair de casa, do meu ambiente para estudar. Faz toda a diferença ter um lugar para se conectar ao meu celular, sair com os amigos. Lá em casa, não usamos celular à mesa, mas quando saio com amigos acho que isso é impossível.”

Em viagem a trabalho, o profissional do ramo de vendas de Ribeirão Preto (SP), Antônio Oliveira, afirmou que acha conveniente trabalhar em cafés quando está fora de sua cidade. “Eles fornecem internet, a partir da consumação. Então, para mim é muito bom. O ambiente é diferente e bem aconchegante. Eu precisei, por exemplo, de internet e de um ponto de apoio para parar e resolver algumas coisas. Então, este café foi o lugar ideal que eu achei para isso.”

Outra cliente de uma loja de Brasília de integra uma cadeia multinacional de cafeterias, a bancária Amanda Mendes, disse à Agência Brasil que não costuma usar a internet do local e prefere consumir a franquia da própria rede móvel de dados. O que a influencia a buscar um ambiente de cafeteria é se sentir produtiva e mais estimulada a estudar. “Quando estou em casa, me distraio mais do que se eu estiver e, em um lugar assim, me concentro mais. Embora, eu tenha mais fluxo de gente, eu consigo me concentrar mais do que se eu estiver em casa sozinha.”

Ameaças

No que diz respeito a comportamentos agressivos de proprietários ou empregados, como a intenção de agredir o cliente, proferir ameaças ou realizar agressões físicas, por qualquer razão, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor informa que a situação transcende a relação padrão entre fornecedor e consumidor e deve ser tratada no âmbito criminal.

“Compreendemos que, se efetivamente ocorreram ameaças ou agressões, os responsáveis podem ser passíveis de responder criminalmente pelos delitos de ameaça ou lesão corporal”, afirmae a advogada Carolina Vesentini.

Edição: Maria Claudia/Agência Brasil

Pesquisadores criticam comparação de número de igrejas e escolas

Foto: Tomaz Silva

Pesquisadores consideram relativo o fato de o Brasil ter mais estabelecimentos religiosos que escolas e hospitais e questionam comparações feitas com base nesses dados, que foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início deste mês.O levantamento, que faz parte do Censo 2022, apresenta um mapeamento de 111,1 milhões de estabelecimentos no território brasileiro. Destes, 579,8 mil são relativos a finalidades religiosas, independentemente de qual seja a crença. Isso inclui igrejas, sinagogas, templos, centros espíritas e terreiros, por exemplo.

Os estabelecimentos de ensino somam 264,4 mil localizações, e os de saúde, 247,5 mil endereços. O consolidado desses dados forma o Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (Cnefe).

O detalhamento considera a destinação final do imóvel, e não a administração do estabelecimento. Por exemplo, uma escola católica é registrada como uma unidade de educação, e não como localização religiosa. O mesmo vale para um hospital mantido por santa casa, que é contabilizado como endereço com atividade de saúde.

Comparação

O professor Matheus Cavalcanti Pestana, da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV), considera “alarmante” haver comparação apenas numérica. “São coisas incomparáveis justamente por atenderem públicos com focos diferentes, terem estruturas distintas. O indivíduo que vai à igreja também é atendido no hospital, estudou na escola.”

Pestana acrescenta que, mesmo se os dados fossem comparáveis, a conclusão não acrescentaria muita coisa. “Imagine uma comparação: no município X, temos mais escolas particulares que públicas. Mas quantos alunos são atendidos pelas particulares? Quantos pelas públicas? A dimensão da pública é muito maior”, justifica.

Preconceito

Pesquisador associado no Instituto de Estudos da Religião (Iser), Pestana diz que comparações que levem ao entendimento de que há muitas igrejas no país revelam algum grau de preconceito religioso.

“Foi perceptível, entre diversos comentaristas, que houve uma associação do ‘alto número de estabelecimentos religiosos’ com o fato de ‘a maioria desses locais ser composta por templos evangélicos’. Isso nunca foi dito”, critica o professor. Ele reconhece que outras pesquisas mostram, por exemplo, crescimento no número de igrejas evangélicas e ressalta que esta não é uma constatação do Censo.

Além disso, o professor observa que o IBGE não identifica a vinculação religiosa dos estabelecimentos. “Pode ser uma catedral católica que atende a milhares de fiéis, ou uma igreja evangélica que recebe dez pessoas, ou um terreiro de candomblé que está ali presente há gerações, ou um centro espírita”.

Pestana destaca que o Brasil é um país religioso, com formação religiosa plural e coexistência de diversos credos, o que deve ser um combustível para tolerância religiosa. “A tolerância é algo que deve vir não só entre as religiões, mas também dos segmentos não religiosos”, afirma.

Por fim, o professor acrescenta que também não cabe fazer comparações com outros países. “Cada local tem sua forma de desenvolvimento. Mas é absolutamente normal o Brasil ter mais igrejas do que escolas e hospitais.”

Estereótipo

O especialista do Iser Ronilso Pacheco também critica a comparação dos dados. Admitindo a possibilidade de o número de estabelecimentos religiosos ter crescido no Brasil, ele usou a rede social X (antigo Twitter) para criticar comparações. “A gente pode discutir esse crescimento. Mas alguém teve a brilhante ideia de comparar isso com o número de escolas e hospitais, como [se] as três coisas tivessem o mesmo processo de construção, instituições afins. Equivocado.”

“Resultado: analistas políticos e comentaristas passaram o dia comentando isso como se fosse razoável achar que para cada templo (não apenas de igreja) que se abre, uma escola e um hospital deixam de ser construídos ou perdem investimento ou relevância”, completou.

Ronilso compartilha da opinião de que críticas à quantidade de estabelecimentos no país recebem contornos de preconceito. “Além disso, claro, o reforço do estereótipo de que as igrejas crescem porque o Estado é ausente. Mais uma vez, vitória da ideia elitista de que as pessoas na periferia só são crentes porque são pobres e não têm assistência do Estado, não é mesmo?”, escreveu.

Edição: Nádia Franco/Agência Brasil