Pernambuco supera média nacional em alfabetização e fica entre os dez estados com a melhor colocação na série histórica

Pela primeira vez na história, a taxa de alfabetização de Pernambuco ficou acima da média nacional. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 59% dos estudantes pernambucanos estão alfabetizados na idade certa. O número supera a taxa nacional, que é de 56%. Os dados são relativos a 2023 e foram apresentados, nesta terça-feira (28), pelo 1º Relatório de Resultados do Indicador Criança Alfabetizada. O Estado ainda aparece entre os dez com a melhor colocação na série histórica de alfabetização.
 
“Temos priorizado a educação por entendermos que a melhoria na qualidade do ensino, na infraestrutura das escolas e na garantia da permanência dos jovens na sala de aula transforma, de fato, a realidade do nosso Estado. Estamos trabalhando para ampliar o direito à alfabetização das crianças em todas as regiões, porque é desta forma que diminuímos as desigualdades e melhoramos a qualidade de vida dos pernambucanos”, destacou Raquel Lyra.
 
Pernambuco ainda obteve uma melhor colocação na série histórica de alfabetização. Em 2019, ocupava a 15ª posição no ranking, caindo para 16ª em 2021. No entanto, em 2023, subiu para a 9ª colocação, estando agora entre os dez melhores Estados do Brasil.
 
De acordo com os dados divulgados pelo MEC, Pernambuco ultrapassou a meta estabelecida pelo para 2023, que era de 45%. Com um aumento de 41% em relação à meta, o Estado já superou o objetivo projetado para 2025, que é de 56,3%. Outro destaque foi a alta taxa de participação dos estudantes nas avaliações, com 92% dos estudantes avaliados, sendo o terceiro melhor estado neste quesito.
 
“Este indicador é extremamente representativo para o nosso Estado. Pela primeira vez, ficamos acima da média nacional e em segundo lugar na região Nordeste. Chegamos à nona colocação, superando a meta deste ano, que era voltar para os índices pré-pandêmicos. O resultado demonstra a mobilização e o incentivo promovidos pelo Governo do Estado”, pontuou a secretária executiva de Desenvolvimento da Educação, Tárcia Silva.
 
O avanço de Pernambuco é ainda mais notável quando os dados são relacionados aos de anos anteriores. Em comparação à última avaliação, realizada em 2021, o Estado mais que dobrou o percentual de estudantes alfabetizados na idade certa, saltando de 28% para 59%, representando um aumento de 114%.
 
O Governo de Pernambuco tem executado o maior investimento da história na rede pública de ensino. Por meio do Juntos pela Educação, o orçamento de R$ 5,5 bilhões será aplicado até o ano de 2026 na melhoria das escolas, criação de 60 mil vagas de educação infantil e transporte escolar, por exemplo.
 
Fotos: Hesíodo Góes/Secom.

Exposições Patrimônios de Pernambuco e Fundarpe 50 anos desembarcam em Bodocó

O patrimônio do Estado de Pernambuco vem sendo reverenciado, desde o semestre passado, em duas exposições itinerantes: Patrimônios de Pernambuco, que teve como ponto de partida o conteúdo da 4ª edição da Cartilha Patrimônios de Pernambuco: Materiais e Imateriais; e Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio, que resume a trajetória da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, órgão tão importante e necessário cujos resultados da atuação transcendem as fronteiras do Estado. Agora a próxima parada desse combo acontece no município de Bodocó, na região do Sertão do Araripe pernambucano, onde ficam à mostra no Colégio Municipal Antônia Lócio da Cruz, nesta quarta-feira (29), às 19h. A visitação pública, gratuita, ocorre de 3 e 28 de junho, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h.

Realizada pela Gerência Geral de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, Patrimônios de Pernambuco foi lançada durante o 31º Festival de Inverno de Garanhuns, realizado pelo Governo de Pernambuco, em julho de 2023, no espaço Praça da Palavra Luís Jardim. A exposição reúne informações sobre os bens culturais do Estado, sua localização e seus processos de reconhecimento.

Com recursos lúdicos, a mostra permite a interação do público com o universo cultural do Estado, contando com quebra-cabeças sobre as categorias de patrimônio cultural. A proposta é que todas as pessoas visitantes aprendam, reflitam e brinquem com o patrimônio e se sintam motivadas a atuar em seu reconhecimento e proteção.

Em 20 de dezembro foi inaugurada, na Torre Malakoff, no Recife, Fundarpe 50 anos: História, Arte, Cultura e Patrimônio. A exposição leva o público ao encontro com os Patrimônios Materiais, Imateriais e Vivos do Estado. Continua com um passeio pela variedade dos equipamentos culturais (Casa da Cultura, Cinema São Luiz, Cine-Teatro Guarany, Espaço Pasárgada, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Sacra, Museu do Barro de Caruaru, Museu do Estado, Museu Regional de Olinda, Teatro Arraial Ariano Suassuna e Torre Malakoff) e da multiculturalidade dos festivais culturais, assim como encaminha à reflexão sobre a relevância da contribuição do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) para a cultura estadual.

A mostra ainda convida o público a conhecer as experiências e ações desenvolvidas pela Fundação e a se reconhecer nos muitos projetos e nas muitas atividades elaboradas e acompanhadas pela instituição reforçando o sentimento de pertencimento nos diversos grupos que constituem nossa sociedade.

Em fevereiro de 2024 a exposição desembarcou no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste Central do Estado, e, em maio, aportou em Salgueiro, no Sertão Central, onde ficou exposta até o último domingo (26), em conjunto com Patrimônios de Pernambuco.

De Bodocó, o combo segue para Triunfo, no Sertão do Pajeú, onde permanece no mês de julho. Também já está prevista uma parada em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco, em setembro.

Assessoria de Comunicação
Secretaria de Cultura de Pernambuco
Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – Fundarpe

Inscrições para o Enem 2024 começam hoje

Começa nesta segunda-feira (27) e vai até 7 de junho o período de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. No Rio Grande do Sul, devido à calamidade pública no estado, haverá um calendário estendido, que ainda será divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

As provas serão aplicadas nos dias 3 e 10 de novembro. Para se inscrever, os estudantes devem acessar a Página do Participante e utilizar o cadastro na conta gov.br.

Os resultados dos recursos sobre a isenção da taxa de inscrição foram divulgados na última sexta-feira (24), assim como dos recursos que tratam das justificativas de ausência no Enem 2023, para candidatos que estavam isentos da taxa e faltaram às provas.

A taxa de inscrição custa R$ 85 e poderá ser paga até o dia 12 de junho. Os moradores do Rio Grande do Sul também terão isenção desse valor.

Criado em 1998, o Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica e também é a principal porta de entrada para a educação superior no país. Os resultados da avaliação podem ser usados para acesso ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Programa Universidade para Todos (ProUni). Também são aceitos em instituições privadas e de outros países de língua portuguesa que tenham acordo com o Brasil.

Os estudantes que não concluíram o ensino médio também podem participar na condição de treineiros, para autoavaliação nos anos anteriores ao término da educação básica.

Edição: Graça Adjuto/Agência Brasil

III Fórum ESG da Yduqs reuniu grandes organizações, lideranças e personalidades para debater educação, inclusão, diversidade e sustentabilidade

Com a presença de membros da comunidade acadêmica, de grandes organizações, lideranças e de diversas personalidades, o III Fórum ESG da Yduqs, realizado no último dia 22 de maio no Supercampus Estácio Maracanã, promoveu discussões profundas sobre questões ambientais e sociais e reforçou também o compromisso do grupo educacional com a agenda ESG. Neste ano, a programação foi dividida em diversos espaços, formatos e painéis com o objetivo de oferecer experiências únicas alinhadas aos interesses de cada participante. Desde debates sobre inclusão e diversidade, passando por questões climáticas, até discussões sobre o papel das empresas na promoção da sustentabilidade, o Fórum foi um catalisador de ideias e ações para uma sociedade mais justa e sustentável. Para garantir que o conhecimento e os debates chegassem a um público ainda mais amplo, o evento foi transmitido pelo canal do grupo educacional no YouTube, e ainda permanece disponível no link ForumEsG.
“O Fórum ESG é uma oportunidade de compartilhar com nossos alunos, colaboradores, fornecedores, parceiros, investidores e todos os nossos stakeholders como nosso negócio também é um poderoso meio de transformação social. Estamos há 53 anos fazendo ESG, antes mesmo que a sigla existisse, pois nascemos provocando impacto positivo na periferia, abrindo as portas do ensino superior e transformando a vida de nossos alunos, que queriam estudar mas não podiam deixar de trabalhar. E hoje atendemos a todos os perfis de estudantes, por meio das nossas 15 marcas de ensino. Tem ESG em tudo o que fazemos, e estamos construindo tudo com intencionalidade”, afirma Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo educacional Yduqs.
Nos últimos anos, a Yduqs tem sido pioneira na abordagem de questões ESG na Educação, trilhando um caminho consistente rumo a práticas mais responsáveis e sustentáveis. Diante de diversas ações sustentáveis ligadas ao tópico ESG, o grupo conquistou reconhecimento internacional. Recentemente, a Yduqs foi reconhecida pela MSCI, que conferiu à instituição a classificação “AA”, colocando-a entre as líderes globais em educação sustentável. Hoje, a companhia é a única empresa de educação superior no mundo a alcançar o status de líder ESG pela MSCI, destacando-se no cenário internacional.
O evento também marcou o lançamento do Movimento Educa 2030 da Rede Brasil do Pacto Global da ONU no Rio de Janeiro. A agenda tem como objetivo engajar as empresas a se comprometerem com metas ambiciosas para o avanço da educação no Brasil e foco no aumento da escolaridade da população, na inclusão produtiva de jovens e no aumento de mulheres em carreiras STEM (agrupamento de disciplinas educacionais em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Para falar sobre o tema, a Yduqs, o Pacto Global da ONU e a Globo apresentaram o painel “Movimento Educa 2030 – Impulsionando a educação de qualidade no ambiente empresarial”, onde foi abordado o papel fundamental das empresas na promoção da educação no país para um mundo mais próspero e justo.
Uma das mesas mais impactantes do dia foi o painel “Yduqs, Y20 e Globo apresentam: Mudanças do clima, racismo ambiental e educação”, que contou com as presenças de Yayenca Yllas Frachia, finalista do prêmio LED, Marcelo Rocha, fundador do Ayika e Conselheiro diretor no Greenpeace Brasil, e Raull Santiago, membro do conselho jovem do Pacto Global da ONU e do Centro Brasileiro de Justiça Climática. A mediação foi feita pela jornalista Mariana Gross, apresentadora do RJ1 da TV Globo.
Em busca de soluções para as desigualdades nos territórios, Raull articula com grandes empresas a troca de inovações e riquezas das periferias para obter apoio a projetos de inclusão. Filho único (com irmã por parte de pai) de uma professora do ensino básico e um pedreiro que teve infância difícil, onde comer e vestir foram desafios permanentes, o jovem resumiu sua história e a oportunidade de participar do Fórum. “Vim de um ajuntamento de 15 favelas com cerca de 65 mil habitantes, que se estende pela região da Leopoldina, na Zona Norte, chamado complexo do Alemão, que amargou o último lugar (126º) no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano na cidade, aferido em 2000. Vivem no Complexo do Alemão pessoas do Norte, do Nordeste, indígenas, quilombolas, ribeirinhas. As periferias são a riqueza cultural do Brasil e nelas há pessoas inestimáveis, que, oprimidas, desenvolvem soluções criativas. É preciso envolvê-las em espaços como esses para debater temas que são do agora, mas são também da história. Eu valorizo muito o ensino superior, mas nunca tinha tido tempo, possibilidade, oportunidade, na loucura de sobreviver, de conseguir estudar, realidade de muitos brasileiros”, destaca o ativista.
Entre as centenas de participantes, o evento contou com integrantes do Grupo Globo, do Pacto Global da ONU – Rede Brasil e do Instituto Ethos. Já os parceiros do grupo educacional nos âmbitos do esporte, cultura, educação e cidadania, estiveram presentes: o Instituto Fernanda Keller, Clube de Regatas do Flamengo, Rede de Tênis, CF4, CBW, NBV, M4 nas escolas, Clubinho do Samba,  Rádio Samba, Educação sem Fronteiras e Nohs Somos. Além disso, membros da Secretaria de Estado de Educação, da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Comitê Rio G20 e do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimento de Ensino Superior do RJ – SEMERJ, também marcaram presença.
“Eu acredito muito no poder da cocriação e da comunidade. Quando juntamos pessoas com conhecimentos semelhantes, mas com experiências e características diferentes, estamos potencializando as possibilidades, pois estamos agregando vivências diversas sobre um tema. A importância de um evento como esse é, de fato, potencializar a força da comunidade. Quando falo diretamente às lideranças da Yduqs, fico muito feliz de perceber o quanto a organização entende que a pauta está totalmente alinhada à estratégia do negócio, seja pelo perfil final que queremos ter, seja pelas pessoas dentro do nosso corporativo, para que possamos ter uma cultura mais inclusiva. Acredito que vocês têm muitas ações e coisas legais já realizadas, e muito ainda a construir”, Hotmar Loch, especialista em diversidade e CEO Nohs Somos:
Vale destacar que o evento também é uma das iniciativas em preparação ao encontro do G20 – fórum de cooperação econômica internacional. No Brasil, a reunião da Cúpula de Líderes do G20 está agendada para os dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro, com a presença das lideranças dos 19 países membros, mais a União Africana e a União Europeia.
Compromisso com a Transformação Social
A Faculdade Estácio IDOMED em Juazeiro faz parte do grupo Yduqs, que apresentou suas ações e compromisso com ESG e a transformação social, destacando que dignidade é um conceito central que guia todos os seus objetivos. Utilizando a tecnologia como aliada, o grupo se dedica a incluir o maior número de pessoas nos bancos universitários e no mercado de trabalho. A maioria de seus alunos cursou o ensino médio público e trabalha para pagar os estudos, e mais de 80% são as primeiras pessoas de suas famílias a acessar o ensino superior. Este compromisso também se reflete em políticas de diversidade, equidade e inclusão: 44% dos colaboradores são negros, 10% são LGBTQIAP+ e 57% das posições de liderança são ocupadas por mulheres. Impactando mais de 1,5 milhão de pessoas através de 300 projetos e 50 parcerias que beneficiam crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, a Yduqs demonstra um forte compromisso com a transformação social.

Educação midiática é essencial para combater a desinformação

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Em janeiro deste ano, o Fórum Econômico Mundial apontou a desinformação e os conteúdos alterados por inteligência artificial como o segundo maior risco global. Ambos ficaram atrás apenas do clima extremo. Para especialistas, a desinformação ameaça a democracia e, para combatê-la, a educação midiática é uma das formas mais eficazes de formar uma população crítica que seja capaz de identificar informações falsas. É necessário, de acordo com eles, que haja a atuação conjunta tanto de governos, quanto de empresas e da própria sociedade, envolvendo escolas, universidades e profissionais da imprensa.

Direitos Humanos, Meio Ambiente e Democracia na Era da Inteligência Artificial foi o tema do Encontro Internacional de Educação Midiática, que começou nesta quinta-feira (23) e terminou nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro. O encontro reuniu gestores públicos, representantes de organizações sociais, jornalistas e educadores.

“Temos que traçar as políticas públicas pensando primeiramente que educação é um direito, e se educação é um direito, educação midiática é um direito de todas as pessoas e é fundamental para defesa da democracia e enfrentamento da desinformação. A educação midiática tem que ser prioridade. E o que significa ser prioridade? Prioridade tem que ter orçamento. Se não tem orçamento, não tem prioridade. Tem que ser priorizada e ter orçamento necessário para a abrangência de todo território nacional, de todos os professores, escolas e estudantes”, ressaltou a coordenadora da área de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Rebeca Otero.

A chefe da Unidade de Alfabetização Midiática e Informacional e Competências Digitais da Unesco, Adeline Hulin, citou um exemplo de como as informações produzidas por inteligência artificial generativa, como o Chat GPT, podem ser tendenciosas.

Rio de Janeiro (RJ), 23/05/2024 – A chefe da unidade de alfabetização midiática e informacional e competências digitais da UNESCO, Adeline Hulin durante o Encontro Internacional de Educação Midiática, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Chefe da unidade de Alfabetização Midiática da Unesco, Adeline Hulin, diz que objetivo é fazer com que a inteligência artificial se torne uma força e não fonte de confusão e desinformação – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ela apresentou alguns dos resultados de pesquisa feita pela London School of Economics and Political Science, conhecida pela sigla LSE, em português Escola de Economia e Ciência Política de Londres. A pesquisa perguntou ao Chat GPT qual seria o currículo de um homem chamado John e de uma mulher chamada Jane, ambos ocupando o mesmo cargo de gerente de compras. Segundo ela, o Chat GPT atribuiu um currículo acima das expectativas para John, dono de um pensamento estratégico, enquanto Jane é vista como alguém que torna o clima da empresa agradável e se dedica ao aprendizado contínuo.

“É importante termos um pensamento crítico”, defende Hulin, acrescentando que “nosso objetivo é fazer com que a inteligência artificial se torne uma força e não fonte de confusão e desinformação”.

Hulin destaca o papel das próprias empresas de tecnologia. “Para a Unesco, a educação midiática é a grande resposta a esse desafio, mas não é a única. Também precisamos tomar bastante cuidado porque acreditamos que isso é algo que deve ser respondido através de vários pilares. A gente também precisa trabalhar com as plataformas digitais para trazermos responsabilização, transparência e soluções globais”.

Educação midiática

Um dos campos tidos como estratégicos para a educação midiática é a educação. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que orienta a elaboração de todos os currículos das escolas brasileiras, estabelece que todos os estudantes devem ser capazes de compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética “nas diversas práticas sociais (incluindo as escolas), para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”.

Embora o termo educação midiática não apareça, na prática, é o que diz essa competência.

O secretário de Educação do Pará, Rossieli Soares, chamou a atenção para a BNCC e disse ainda que as escolas ainda enfrentam dificuldades anteriores ao desenvolvimento desse pensamento crítico, como alfabetizar as crianças. “Se as crianças não sabem ler na idade mais importante de estímulo à leitura, não poderão ter cultura da leitura. Queremos que leia livros, jornais, mas não conseguimos desenvolver uma cultura da leitura”.

Para ele, a educação é uma chave fundamental para se formar pessoas críticas. “Não tem instrumento que seja mais poderoso que a educação. Por mais que façamos com que todos saiam daqui [do evento], que os jornalistas escrevam, façam matérias, se não impactar na base da sociedade e de uma geração inteira, a gente não vai conseguir”.

A escola tem ainda o desafio de incorporar a tecnologia no ensino, em um cenário em que nem todos têm acesso à internet de qualidade no país e torná-la um instrumento de aprendizagem.

Escolas precisam também estar atentas aos riscos. No ano passado, a Unesco divulgou o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2023: a Tecnologia na Educação, uma Ferramenta a Serviço de Quem?, que discute o papel das tecnologias e os malefícios de exposições prolongadas a telas.

Baseado também no que foi apontado pela Unesco, o município do Rio de Janeiro buscou formas de evitar o uso excessivo de celular na sala de aula. A prefeitura da capital publicou um decreto que regulamenta o uso dos aparelhos nas escolas públicas. O celular deve ficar guardado e só pode ser usado para atividades pedagógicas, com a autorização dos professores.

Estudantes participam do Ler - Salão Carioca do Livro, na Biblioteca Parque, no centro do Rio.Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo
Rio de Janeiro buscou formas de evitar o uso excessivo de celular em sala de aula – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
No evento, o secretário de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, defendeu a medida. “Tem situação em que as crianças ficam isoladas em suas telas, sem interagir. A escola tem o papel também de interação humana, além das disciplinas, e quando a criança fica isolada na sua própria tela, a interação não acontece. Eu não consigo achar normal uma criança ter crise de ansiedade porque não consegue desgarrar de seu telefone”.

O secretário apresentou dados de uma pesquisa de opinião pública feita no município na qual 93% das pessoas entrevistadas dizem apoiar a medida. “A gente não pode fingir que não tem um elefante na sala. Tem um elefante na sala, que é o uso excessivo de telas de celular especialmente entre crianças e jovens”.

Governo federal

Desde 2023, o Brasil criou a Secretaria de Políticas Digitais, e vinculada a ela, o Departamento de Direitos na Rede e Educação Midiática, que elaborou, após uma consulta pública, a Estratégia Brasileira de Educação Midiática. O documento reúne diversas frentes de atuação do poder público para que o país tenha acesso a uma educação midiática.

No encontro, representantes da secretaria anunciaram medidas futuras. O governo vai formar 300 mil profissionais da educação e 400 mil profissionais da saúde em educação midiática, conforme previsto no Plano Plurianual 2024-2027, além de promover a primeira Olimpíada Brasileira de Educação Midiática, que deverá ser anunciada oficialmente em breve e será voltada a estudantes de todas as escolas.

“Parece um pequeno passo, mas ao mesmo tempo um grande passo quando a gente pensa que os professores não se restringem a uma sala de aula, mas são multiplicadores desse conhecimento. A gente está com essa grande missão que não é só nossa mas da sociedade”, disse a coordenadora-geral de Educação Midiática do Departamento de Direitos na Rede e Educação Midiática da Secretaria de Políticas Digitais, Mariana Filizola.

O Encontro Internacional de Educação Midiática foi realizado pelo Instituto Palavra Aberta com apoio da Unesco, entre outras organizações.

Edição: Fernando Fraga/Agência Brasil

Antonio Habib faz balanço dos 02 (dois) mandatos a frente do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco

O professor Antonio Habib sai da presidência e volta à cadeira de conselheiro no Conselho Estadual de Educação de Pernambuco (CEE-PE). Foram quatro anos de mandato, num momento singular da educação não apenas do Estado, mas do Brasil e do mundo. Habib assumiu o desafio de tomar posse como presidente do CEE no início da pandemia de covid-19 em abril de 2020. Nesse período não era somente a economia que se reinventava, mas a educação precisou fazer adaptações para não parar e o CEE foi muito requisitado para regulamentar as atividades.

Para o professor Habib, olhar esses quatro anos é ver que os compromissos assumidos por ele foram cumpridos. Como primeiro conselheiro do interior do estado a assumir a presidência do CEE, Habib representou a força do Sertão a um orgão tão importante para a educação do Estado. Trabalhou incansavelmente em diversas resoluções voltadas para a educação em todos o estado e para atender as demandas dos conselhos municipais.
Em quatro anos, o CEE foi parceiro em vários seminários estaduais do sistema de ensino, promovido por instituições da sociedade civil com objetivos de debater e promover a educação, buscando juntos aos atores envolvidos em diversas instâncias, a universalização do ensino de qualidade para o desenvolvimento de Pernambuco.

Marcos Importantes

Durante o mandato de Antonio Habib, as Autarquias Municipais de Ensino Superior vivenciaram capítulos importantes nas suas histórias. Foi nesse período que quatro cursos de medicina foram aprovados pelo CEE-PE: da Autarquia Educacional do Vale do São Francisco (AEVSF), da Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (AESGA), da Autarquia Educacional de Serra Talhada – AESET e da Autarquia Educacional de Belo Jardim (AEB). Desses cursos aprovados já estão com turmas em andamento a Faculdade de Petrolina (Facape) da AEVSF e o da Faculdades Integradas de Garanhuns (FACIGA).

Outro marco importante foi a aprovação pelo CEE do Plano estadual de educação para o período compreendido de 2014 a 2024. Somente com a validação do Conselho, o documento foi encaminhado à Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) para votação e aprovação dos deputados estaduais.

Como presidente do CEE, Antonio Habib levou o Conselho Estadual a uma atividade importate que foi a reformulação do novo ensino médio e da base nacional comum curricular. Essa contribuição colocou o estado de Pernambuco numa atividade indispensável de pensar o melhor ensino para estudantes do todos o estado.

Investimentos Estruturais no CEE-PE

Como presidente, Antonio Habib se preocupou em melhorar as condições de trabalho dos conselheiros estaduais de educação e dos funcionários do CEE-PE. Se empenhou em modernizar o parque tecnológico da instituição, informatizando a sede do Conselho e fazendo investimentos em equipamentos multimídia.

Outros investimentos foram feitos em infraestrutura e mobiliário para que o ambiente do CEE-PE se tornasse mais qualificado para as importantes discussões que acontecem ali. Essa reestruturação do espaço propiciou mais conforto no ambiente de trabalho e para os visitantes.

Projetos Encaminhados

Pensando em construir um Conselho Estadual de Educação cada vez mais forte e atuante, Antonio Habib planejou e executou vários projetos para melhorar as condições de trabalho dos seus conselheiros. Antes de deixar a presidência, encaminhou e acompanhou de perto um projeto em parceria com a Prefeitura do Recife para ampliar e melhorar a estrutura física da sede do Conselho.

Para a Presidente da Associação das Autarquias Municipais de Ensino Superior de Pernambuco (ASSIESPE), professora Ana Cleide Leal, a gestão de Habib se destaca também pelo dinamismo em conduzir as pautas do CEE-PE. “ O professor Habib foi na presidência e é no Conselho Estadual de Educação uma representativa forte das Autarquias Municipais na pauta do ensino superior dessas relevantes instituições de ensino. A prova está no quanto as Autarquias conquistaram em cursos de medicina por exemplo em várias regiões de Pernambuco. A contribuição de Habib fica marcada especialmente nesses eventos e na abertura para dialogar com tanto com as autarquias de ensino superior, como com a educação básica. Transitando em todas as instâncias da educação do nosso estado, dando celeridade aos processos e as demandas, ” ressaltou.

Gestão com participação

Os quatro anos de mandato foram construídos com os debates e discussões envolvendo todos os conselheiros que tinha o objetivo comum de pensar e decidir por um ensino de qualidade no estado. De forma fundamental, Habib recebeu apoio direto de sua vice-presidente, Giselly Muniz. “Giselly com muita competência esteve sempre participando efetivamente da gestão. Principalmente nas questões relacionadas a educação básica, sempre foi grande muito comprometida e fez uma trabalho exemplar, a quem agradeço de coração,” destacou Habib.

Para Antonio Habib, estar presidente foi uma honrosa missão enquanto conselheiro de educação. “Eu deixo a presidência com a mesma alegria que me assumo de volta a cadeira que conselheiro que já ocupo há tantos anos. Enquanto presidente saio com o sentimento de dever cumprindo e permaneço um defensor do melhor ensino com o maior alcance para todos os pernambucanos e pernambucanas, ” frisou Habib.

Por Maria Lima

Taxa de alfabetização chega a 93% da população brasileira, revela IBGE

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasilia

No Brasil, das 163 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 15 anos, 151,5 milhões sabem ler e escrever ao menos um bilhete simples e 11,4 milhões não têm essa habilidade mínima. Em números proporcionais, o resultado indica taxa de alfabetização em 93%, em 2022 e, consequentemente, a taxa de analfabetismo foi 7% do contingente populacional.

Os dados são do Censo Demográfico 2022 – Alfabetização: Resultados do universo, divulgado nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, observa-se uma tendência de aumento da taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais ao longo dos censos. Em 1940, menos da metade da população era alfabetizada, 44,%. Após quatro décadas, em 1980, houve aumento de 30,5 pontos percentuais na taxa de alfabetização, passando para 74,5% e, finalmente, depois de mais quatro décadas, o país atingiu um percentual 93% em 2022, representando um aumento de 18,5 pontos percentuais em relação a 1980.

“A comparação dos resultados de 2000 com os de 2010 e os de 2022 indica que a queda na taxa de analfabetismo ocorreu em todas as faixas etárias, refletindo, principalmente, a expansão educacional, que universalizou o acesso ao ensino fundamental no início dos anos 1990, e a transição demográfica que substituiu gerações mais antigas e menos educadas por gerações mais novas e mais educadas”, diz o instituto.

De acordo com o IBGE, em 2022, o grupo de 15 a 19 anos atingiu a menor taxa de analfabetismo (1,5%) e o grupo de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa de analfabetismo (20,3%).

“A elevada taxa de analfabetismo entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação, tanto para escolarização das crianças, quanto para a garantia de acesso a programas de alfabetização de jovens e adultos por uma parcela das pessoas que não foram alfabetizadas nas idades apropriadas, conforme almejado pela Constituição de 1988”, diz o órgão.

Em 2022, a taxa de analfabetismo de pessoas de cor ou raça branca e amarela com 15 anos ou mais era de 4,3% e de 2,5%, respectivamente, enquanto a taxa de analfabetismo de pretos, pardos e indígenas na mesma faixa etária era de 10,1%, 8,8% e 16,1%, respectivamente.

Segundo o IBGE, as mulheres tendem a apresentar melhores indicadores educacionais do que os homens, inclusive melhores taxa de alfabetização. Em 2022, o percentual de mulheres que sabiam ler e escrever era 93,5%, enquanto o de homens era 92,5%.

Essa vantagem das mulheres foi verificada em praticamente todos os grupos etários analisados, exceto entre os mais velhos de 65 anos ou mais de idade. A maior diferença em pontos percentuais a favor das mulheres foi no grupo de 45 a 54 anos, atingindo 2,7 pontos percentuais, ainda que as mulheres pertencentes aos grupos de idade abaixo de 45 anos sigam apresentando maiores taxas de alfabetização comparadas aos homens dos mesmos grupos de idade. Somente na faixa etária de 65 anos ou mais, os homens apresentavam uma proporção maior de pessoas que sabiam ler e escrever, de 79,9%, comparado ao de 79,6% das mulheres.

A Região Sul se mantém com a maior taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais. O percentual passou de 94,9% em 2010 para 96,6% em 2022. Em seguida, com maiores taxas, vem a Região Sudeste, que variou de 94,6% em 2010 para 96,1% em 2022.

O percentual de alfabetização da Região Nordeste permaneceu o mais baixo do país, embora tenha apresentado aumento – de 80,9% em 2010 para 85,8% em 2022. A segunda menor taxa de alfabetização foi encontrada na Região Norte tanto em 2010 quanto em 2022. Nessa região, o indicador seguiu a tendência nacional, passando de 88,8% em 2010 para 91,8% em 2022, situando-se um pouco mais próximo do índice da Região Centro-Oeste, que passou de 92,8% em 2010 para 94,9% em 2022.

População indígena

A taxa de alfabetização das pessoas indígenas – incluindo as que se consideram indígenas pelo critério de pertencimento –, foi 85% em 2022. De 2010 para 2022, a taxa de analfabetismo dessa população caiu de 23,4% para 15,1%. A queda mais expressiva foi observada na região Norte (de 31,3% para 15,3%).

A queda na taxa de analfabetismo das pessoas indígenas ocorreu em todas as faixas etárias, com as maiores reduções nas faixas de 35 a 44 anos (de 22,9% para 12%), 55 a 64 anos (de 38,3% a 27,4%) e 25 a 34 anos de idade (de 17,4% para 6,7%). Os homens indígenas de 15 anos ou mais têm taxa de alfabetização de 85,7%, 1,4 p.p. acima da taxa de alfabetização das mulheres indígenas (84,3%).

Edição: Denise Griesinger/Agência Brasil

Governadora Raquel Lyra e o ministro da Educação, Camilo Santana, lançam o programa Pé-de-Meia em Pernambuco com investimento de R$ 500 milhões por ano no Estado

A governadora Raquel Lyra e o ministro da Educação, Camilo Santana, lançaram, nesta quinta-feira (9), na Arena de Pernambuco, o programa Pé-de-Meia no Estado. Mais de 177 mil estudantes pernambucanos já estão sendo beneficiados com as bolsas de incentivo. O número representa cerca de 53% dos jovens matriculados na rede estadual pública de ensino. De acordo com o MEC, a adesão do programa pelo Estado representa um investimento de mais de R$ 500 milhões por ano.
 
Em seu discurso, a gestora lembrou o investimento de R$ 5,5 bilhões que tem sido empregado para a educação no Estado. “Celebramos um dia histórico para Pernambuco e um novo tempo. O Pé-de-Meia chega para ajudar a realizar os sonhos dos estudantes pernambucanos. Garantir essa renda para os alunos do ensino médio incentiva os jovens a não abandonarem os estudos e ainda combater os desafios das desigualdades. Essa é uma política que caminha ao lado do Juntos pela Educação, com o maior investimento no setor da história de Pernambuco. Então, obrigado a iniciativa do governo federal e a toda a equipe do MEC por mais uma parceria”, destacou Raquel. Lira.
 
O Pé-de-Meia funciona como uma poupança, a fim de promover a permanência e a concluir escolaridade dos jovens matriculados no ensino médio. “Com esse programa, nós estamos afirmando que não vamos deixar nenhum estudante para trás. Queremos que todos os jovens permaneçam na escola, pois o futuro deles depende da educação”, declarou o ministro da Educação, Camilo Santana.
 
Uma conta na Caixa Econômica Federal é aberta no nome do aluno, onde é realizado o pagamento de R$ 200 mensais, que pode ser sacado a qualquer momento, além do depósito de R$ 1 mil ao final de cada ano letivo concluído, que será recebido após a conclusão dos estudos.
 
“O programa Pé-de-Meia chega para contribuir fortemente com a permanência do estudante na escola e com a qualidade social desse ensino, porque também exige que o estudante tenha frequência e seja aprovado. É um recurso muito importante para nossos estudantes e suas famílias”, afirmou a secretária de Educação, Ivaneide Dantas.
 
A estudante Mariana Gomes de Almeida, 16 anos, já recebeu a primeira parcela do Pé-de-Meia e considera que uma bolsa irá incentivar os estudantes a permanecerem nas escolas. “Agradeço a inclusão do povo indígena em um momento como esse. É muito importante incluir raças e etnias diversas nesse programa e assim garantir mais condições para que os estudantes concluam seu ensino médio”, disse a aluna da Escola Estadual Indígena a Intermediária Monsenhor Olímpio Torres Xucuru do Orubá, de Pesqueira.
 
De acordo com o MEC, considerando as dez parcelas de incentivo, os depósitos anuais e o adicional de R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os valores podem chegar a R$ 9.200 por aluno.
 
Presente no evento, o senador Humberto Costa disse que o programa irá garantir o acesso digno à educação. “Muitas vezes os jovens são obrigados a deixar a escola por falta de condição mínima para que possam se dedicar integralmente aos estudos. E o Pé-de-Meia vai permitir que os estudantes sonhem com um futuro, que muitas vezes uma parte significativa da nossa A juventude não consegue ter acesso”, afirmou.
 
Já o deputado estadual Joãozinho Tenório afirmou que o investimento federal se soma aos esforços que o Estado tem feito. “Essa ação do governo federal faz com que os alunos entrem na escola e permaneçam até a conclusão. A educação é prioridade no Brasil, mas também em Pernambuco e a governadora Raquel Lyra tem demonstrado sua preocupação com o lançamento do Juntos pela Educação”, disse.
 
Para ser beneficiado, o estudante deve ter entre 14 e 24 anos, ser membro da família beneficiária do Programa Bolsa Família e ter matrícula na série do ensino médio público, registrada até dois meses após o início do ano letivo.
 
Estiveram apresenta no evento a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; os secretários de estado Carlos Braga (Assistência Social, Combate à Fome e Política sobre Drogas); Daniel Coelho (Turismo e Lazer), Ismênio Bezerra (Criança e Juventude) e Coronel Hercílio Mamede (Casa Militar); os deputados federais Pedro Campos, Túlio Gadelha e Carlos Veras; os deputados estaduais Eriberto Filho, Gustavo Gouveia e Joãozinho Tenório; os prefeitos Marcelo Gouveia (Paudalho); Vinícius Labanca (São Lourenço da Mata); Edmilson Cupertino (Moreno); João Campos (Recife); Ridete Peregrino (Jaqueira); Guiga (Vicência); Cátia Ribeiro (Jataúba); Luiz Aroldo (Águas Belas); Nadegi Queiroz (Camaragibe); Zé de Veva (Salgadinho); e Célia Sales (Ipojuca); o Reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Gomes; o Reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Marcelo Carneiro Leão; o Reitor do Instituto Federal de Educação em Pernambuco, José Carlos de Sá; Tiago Cordeiro, vice-presidente de exercício do governo da Caixa Econômica Federal; e Kátia Schweickardt, secretária nacional de Educação Básica do Ministério da Educação.
 
Fotos: Miva Filho/Secom

Oito em cada dez professores já pensaram em desistir da carreira

Oito em cada dez professores da educação básica já pensaram em desistir da carreira. Entre os motivos estão o baixo retorno financeiro, a falta de reconhecimento profissional, a carga horária excessiva e a falta de interesse dos alunos. Os dados são da pesquisa inédita Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, divulgada nesta quarta-feira (8), pelo Instituto Semesp.

A pesquisa foi realizada entre 18 e 31 de março de 2024, com 444 docentes das redes pública e privada, do ensino infantil ao médio, de todas as regiões do país. Os dados mostram que 79,4% dos professores entrevistados já pensaram em desistir da carreira de docente. Em relação ao futuro profissional, 67,6% se sentem inseguros, desanimados e frustrados.

Entre os principais desafios citados pelos professores estão: falta de valorização e estímulo da carreira (74,8%), falta de disciplina e interesse dos alunos (62,8%), falta de apoio e reconhecimento da sociedade (61,3%) e falta de envolvimento e participação das famílias dos alunos (59%).

Segundo os dados da pesquisa, mais da metade dos respondentes (52,3%) diz já ter passado por algum tipo de violência enquanto desempenhava sua atividade como professor. As violências mais relatadas são agressão verbal (46,2%), intimidação (23,1%) e assédio moral (17,1%). São citados também racismo e injúria racial, violência de gênero e até mesmo ameaças de agressão e de morte. A violência é praticada principalmente por alunos (44,3%), alunos e responsáveis (23%) e funcionários da escola (16,1%).

Apesar disso, a pesquisa mostra que a maioria (53,6%) dos professores da educação básica está satisfeita ou muito satisfeita com a carreira. Os professores apontam como motivos para continuar nas salas de aula, principalmente, o interesse em ensinar e compartilhar conhecimento (59,7%), a satisfação de ver o progresso dos alunos (35,4%) e a própria vocação (30,9%).

“Apesar de todos os problemas é o que eu gosto de fazer e tenho maior capacidade”, diz um dos professores entrevistados, cujo nome não foi revelado. “A paixão pelo processo de ensinar e aprender, contribuindo para a evolução das pessoas”, aponta outro, que também não foi identificado.

Para Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, esses dados são importantes porque mostram o que motiva os professores. “Ele fala da sua vocação. Fala do interesse em ensinar, da satisfação de ver o progresso do aluno. São fatores que estão interligados. Tanto a vocação como o interesse em compartilhar o conhecimento e a satisfação de ver o progresso do aluno. Esse é um dado muito importante em termos do perfil daquele que escolhe ser professor”, destaca

Licenciaturas

A pesquisa Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil faz parte da 14ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, que reúne dados oficiais e coletados pelo Instituto Semesp para traçar o cenário atual do setor educacional no país. Esta edição tem como foco principal Cursos de Licenciaturas: Cenários e Perspectivas.

De acordo com a publicação, o Brasil tem 9,44 milhões de estudantes matriculados no ensino superior. A maioria deles está em instituições privadas (78%). Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2024, o país deveria ter 33% dos jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior. Até 2022, essa taxa era 18,9%.

Atualmente, 17% dos alunos do ensino superior cursam alguma licenciatura, o que equivale 1,67 milhões de universitários. Pedagogia aparece como 17° curso com mais estudantes nos cursos presenciais diurnos e como o primeiro curso com mais estudantes em ensino a distância (EAD).

Apesar do grande número de estudantes, os dados mostram que as desistências nesses cursos são altas. Cerca de 60% dos estudantes de licenciaturas na rede privada e 40% dos estudantes da rede pública desistem da formação. Entre os mais jovens, apenas 6,6% dos entrevistados pelo Instituto Semesp têm interesse em cursar cursos da área de educação.

“Nós pensamos que é necessário repensar também o modelo de oferta dos cursos de licenciatura, com essa campanha que estamos fazendo para atrair os jovens para os cursos de licenciatura. Os currículos têm que ter mais prática e mais capacitação para esse uso de tecnologia, a necessidade de financiamento das mensalidades, porque a maioria dos que vão para o curso de licenciatura é de uma classe social mais baixa e, por isso, a necessidade de uma bolsa permanência para o aluno não evadir e não precisar trabalhar”, defende Lúcia Teixeira.

Formação a distância

Recentemente, as altas taxas de matrícula em cursos a distância e a preocupação com a qualidade da formação dos estudantes, especialmente dos futuros professores, levaram o Ministério da Educação (MEC) a buscar uma revisão do marco regulatório da modalidade.

Para o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, a formação presencial pode não ser a única solução. Ele defende uma revisão da avaliação dos cursos. Ainda que seja na modalidade a distância, ele ressalta que os cursos de formação de professores preveem uma carga horária presencial, em estágios, por exemplo.

“Eu acho que o que precisa é melhorar a avaliação dessa presencialidade. Se eu tenho obrigatoriedade de estágios e esses estágios não são cumpridos ou são muito ruins, aí eu tenho um problema. Se é ruim e eu só aumento a carga [horária presencial], eu só vou aumentar a ruindade. Então, eu acho que, primeiro, antes de discutir mais carga presencial ou menos carga presencial, não estou falando que a gente defende ou não defende, mas eu acho que é preciso melhorar esse monitoramento do presencial”, diz.

A pesquisa feita com os docentes pelo Instituto Semesp mostra que 50,1% dos respondentes discordam parcial ou totalmente da afirmação de que o ensino a distância não é adequado. Além disso, para 55,7% dos entrevistados, os cursos de licenciatura devem ser ofertados apenas na modalidade presencial.

Edição: Juliana Andrade/Agência Brasil

MEC investirá R$ 195 milhões em escolas indígenas e quilombolas

O Ministério da Educação (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma de suas autarquias, e em parceria com os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI) e da Igualdade Racial (MIR), anunciou nesta segunda-feira, 6 de maio, a retomada das obras de 118 escolas indígenas e quilombolas que estavam paralisadas. Para isso, foi criado um acordo de cooperação com o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), no valor de R$ 195 milhões, que terá duração de 48 meses e prevê a realização de atividades em 14 estados da federação. 

O ministro de Estado de Educação, Camilo Santana, disse que o MEC tem trabalhado para retomar todas as obras de educação básica e defendeu a importância da integração entre as pastas. “Com o acordo, serão retomadas construções que estavam paradas há cinco, seis, até 10 anos. Esta é uma ação inédita, que faz parte de um conjunto de atividades, pelo qual estamos, cada vez mais, buscando integrar os ministérios para garantir uma educação com mais qualidade e inclusão, que dá oportunidades às comunidades tradicionais”, declarou. 

A implementação do acordo deve começar ainda em maio. Para isso, será criado um Comitê de Acompanhamento, com integrantes dos três ministérios e do FNDE, além de outros entes a serem indicados. 

“Estamos em um momento de retomada dessas obras nas escolas e, para nós, isso significa o fortalecimento da educação básica indígena”, anunciou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. “Isso levará os povos indígenas para o ensino superior e também é uma forma de combater o racismo e reduzir as desigualdades.” 

Para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o resgate dessas escolas representa também a retomada dos sonhos. “Esse acordo marca a transversalidade e o nosso compromisso com a educação básica dos povos tradicionais. Existe uma grande defasagem entre os estudantes negros e não negros. Não estamos falando só da volta dos espaços físicos de aprendizagem, mas também da conquista dessas populações, que vão poder sonhar com um futuro melhor de novo”, completou. 

O diretor e representante do Unops no Brasil, Fernando Barbieri, disse que o objetivo da parceria, mais do que concluir as obras, é fortalecer o sistema de gestão de infraestrutura do Brasil. “A ideia é aprimorar o contexto e o ambiente de gerenciamento de projetos do governo brasileiro, justamente para evitar que obras sejam paralisadas. O acordo vai trabalhar na capacidade do FNDE de gerir infraestruturas escolares e no aperfeiçoamento das competências específicas para o atendimento a populações indígenas e quilombolas”, afirmou. 

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do FNDE