Comissão aprova PEC que muda cálculo do IPVA onde não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do automóvel

01/06/2023 - Brasília - Concessionárias registram queda na venda de carros usados depois da redução do IPI para veículos novos. Foto feita em 26 de Dezembro de 2008 Foto: Marcello Casal Jr./Abr

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/26, que altera a base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Pela proposta, o imposto passará a considerar apenas o peso do veículo, e não mais o seu valor de mercado.

Rodrigo de Castro e Kim Kataguiri, relator e autor da proposta / Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos deputados

O texto, de autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), também estabelece que o IPVA não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do automóvel.

Além disso, a PEC autoriza os estados a criarem descontos para veículos menos poluentes.

Como é hoje
Atualmente, o IPVA é cobrado pelos estados com base no valor de mercado do veículo (Tabela Fipe), com alíquotas que variam entre 1% e 4%.

Parecer favorável
O relator, deputado Rodrigo de Castro (União-MG), apresentou parecer pela admissibilidade da PEC. Ele explicou que a CCJ só analisou a constitucionalidade e a juridicidade da proposta.

O impacto da mudança na arrecadação tributária, ressaltou o relator, será discutido na comissão especial que será criada para discutir o mérito da proposta.

Segundo ele, essa comissão deverá analisar “a eventual redução de receitas, a repercussão sobre a autonomia financeira dos entes subnacionais e a necessidade de regras de transição”.

Kim Kataguiri afirmou que existem alternativas para compensar uma eventual redução da carga tributária.

“Nós temos, para apresentar na comissão especial, mais de R$ 200 bilhões em diferentes compensações que podem ser colocadas. Privilégio para cortar, seja tributário, seja de supersalário, seja de desonerações setoriais, não falta no nosso país”, adiantou.

Crítica
O deputado Helder Salomão (PT-ES) criticou a proposta. “O cara que tem um caminhão velho, pesado, vai pagar um imposto maior do que o cara que tem uma Ferrari construída com fibra de carbono, levíssima. Não podemos promover aqui uma distorção e privilegiar os ricaços.”

Emenda
O parecer de Castro foi aprovado com uma emenda que excluiu um trecho da proposta.

Esse trecho estabelecia que a despesa total anual do Congresso Nacional, das assembleias legislativas, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e dos tribunais de contas da União (TCU), dos estados e do DF não poderia ultrapassar 0,4% da Receita Corrente Líquida do respectivo ente federativo.

Segundo Castro, essa regra fixava parâmetros financeiros “incompatíveis com a manutenção da autonomia administrativa e financeira dos entes federados”.

Publicidade
A proposta mantém um limite para gastos com propaganda institucional de todos os poderes e do Ministério Público — abrangendo União, estados, Distrito Federal e municípios.

Essas despesas não poderão ultrapassar 0,1% da Receita Corrente Líquida.

Também fica proibida a publicidade de caráter promocional ou pessoal.

Se esses limites forem descumpridos, o órgão ficará proibido de criar novas despesas, conceder reajustes ou contratar pessoal até que se enquadre novamente.

Debate necessário
O presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), defendeu o debate sobre o cálculo do IPVA.

“Para milhões de brasileiros, o veículo deixou de ser um bem de luxo há muito tempo. Para inúmeras famílias, representa instrumento de trabalho, fonte de renda, meio de transporte indispensável e condição para o exercício de atividades econômicas”, disse.

“Em um cenário de elevada carga tributária, é natural que o Parlamento seja chamado a discutir se determinados modelos de tributação continuam atendendo aos princípios da razoabilidade, da justiça fiscal e da capacidade contributiva”, resumiu.

Próximos passos
A proposta ainda precisa ser analisada por uma comissão especial que deverá ser criada para esse fim, e depois segue para apreciação do Plenário, onde precisará ser votada em dois turnos.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Senado aprova transferência automática de pensão alimentícia

© Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Senado aprovou, nesta terça-feira (7), projeto de lei que permitirá que a pensão alimentícia seja transferida automaticamente para a conta do beneficiário, sem que haja necessidade de pedidos judiciais em caso de inadimplência.

Pela proposta, o pedido de transferência automática mensal pode ser feito em qualquer fase do cumprimento de sentença judicial. Os bancos devem realizar as transferências em datas definidas pela justiça. Caso não haja saldo suficiente na conta do devedor, os recursos serão congelados até o limite do valor da prestação em atraso.

A medida também poderá alcançar ativos financeiros de empresário individual, mesmo quando vinculados à atividade empresarial. A matéria segue para sanção presidencial.

Crimes sexuais contra menores

Outra proposta aprovada nesta terça foi a que aumenta as penas para diversos crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Uma das novidades é o agravante para o uso de inteligência artificial. A pena para quem adquire e armazena material fruto de violência sexual passa a ser de três a seis anos de prisão mais multa.

A proposta ainda cria a ronda virtual, que poderá ser feita pelas polícias para coletar arquivos relacionados a crimes sexuais contra menores em ambientes virtuais sem ordem judicial prévia. O texto também vai para sanção presidencial.


Fonte: Agencia Brasil

Humberto Costa defende agilidade no retorno das obras da Transnordestina após estudo apontar ganho social de R$ 4,76 bilhões

O senador Humberto Costa (PT) defendeu agilidade na retomada das obras do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina, paralisado desde maio por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). A cobrança do senador vem após a apresentação de um novo estudo técnico, desenvolvido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que reforça a viabilidade socioeconômica da obra.

O levantamento foi apresentado nesta terça-feira (7) à Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), no Recife, e aponta que a conclusão do trecho pode gerar um ganho social de R$ 4,76 bilhões e taxa de retorno econômico de 15,53%, por meio de uma movimentação de cargas estimada entre 18 e 24 milhões de toneladas por ano.

“Esse estudo, somado a outros levantamentos, vai ser apresentado ao TCU para que ele possa liberar a obra e, com isso, darmos os primeiros passos. O Governo Federal tem se mostrado comprometido com a retomada da Transnordestina em Pernambuco, e isso é fundamental nesse processo. Tenho a convicção de que o retorno dos trabalhos vai atrair outros investidores para que a gente possa diminuir o atraso que tivemos no andamento da ferrovia aqui no estado”, afirmou Humberto Costa.

O TCU suspendeu, em maio, a liberação de novos investimentos públicos federais na obra, alegando falta de estudos técnicos e econômicos atualizados. O tribunal deve julgar o processo no próximo dia 15, quando será decidido se os recursos poderão ser retomados.

A Ferrovia Transnordestina tem dois eixos. O Norte, de 1,2 mil quilômetros, liga o porto seco de Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará. O Eixo Sul, trecho pernambucano, que chegou a ser retirado do projeto original pelo governo Bolsonaro e foi reinserido por determinação do presidente Lula, tem cerca de 540 quilômetros e estava com as obras paradas há mais de dez anos. A expectativa é de que o modal fortaleça a logística e a economia de várias cadeias produtivas da região Nordeste.

Para debatedores, combate à evasão no ensino federal passa pela alimentação

A garantia de alimentação, entre outros direitos, é fundamental para a permanência dos estudantes na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, concluíram os debatedores reunidos nesta segunda-feira (6) em audiência pública na Comissão de Educação (CE) do Senado.

Representantes de reitores, estudantes e governo concordaram que no sistema de instituições públicas de ensino — que inclui os Institutos Federais (IFs), os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e o Colégio Pedro II — a assistência aos estudantes progrediu nos últimos anos, mas sublinharam que é preciso garantir dotações orçamentárias permanentes para a execução dessas políticas.

Direito à assistência

A realização da audiência atendeu a requerimento do senador Paulo Paim (PT-RS), que presidiu o evento. Paim definiu a assistência estudantil como um direito, e argumentou que o tema envolve uma discussão que vai além de políticas públicas e dotações orçamentárias.

— Estamos falando de oportunidades e de vidas. Estamos debatendo o futuro da nossa gente, do nosso país. Uma nação não se constrói apenas com estradas, máquinas ou fábricas: constrói-se, antes de tudo, formando pessoas — disse o senador.

O presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Júlio Xandro Heck, lembrou que desde 2023 a questão da alimentação escolar foi definida como pauta prioritária entre as demandas das instituições. Ele disse que 70% dos estudantes da rede vêm de famílias com renda inferior a 1,5 salário mínimo.

— Temos feito vários movimentos no sentido de fortalecer essa luta, com o apoio dos movimentos estudantis, para que tenhamos permanência e êxito dos nossos estudantes — afirmou.

Heck citou, entre as conquistas do Conif, a decisão do Ministério da Educação de construir restaurantes estudantis como equipamentos básicos de todas as unidades, e a inclusão dos restaurantes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele também cobrou dos parlamentares um financiamento perene, discriminado no Orçamento da União, para a alimentação.

Vulnerabilidade

Veruska Machado, vice-presidente de Relações Institucionais do Conif, afirmou que receber estudantes em vulnerabilidade faz parte da missão da rede de educação profissional. Agora, segundo ela, a luta é pela permanência dos estudantes, tendo a garantia da alimentação como centro.

— O acesso já está bastante garantido, com todas as políticas que a gente tem. Mas a gente tem que ter permanência. E a permanência envolve a assistência estudantil e envolve a alimentação — avaliou.

Veruska Machado criticou a falta de isonomia que afeta os estudantes da educação básica da rede federal, que, diferentemente dos estudantes dos estados e municípios, não têm direito garantido por lei à alimentação. Ela propôs a criação de um fundo de apoio à permanência dos estudantes na educação profissional.

— A gente precisa fazer com que mais pessoas tenham oportunidade de terem suas vidas transformadas, conseguindo permanecer em nossas instituições de forma sustentável, e com recursos específicos para alimentação — recomendou.

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Marcelo Bregagnoli, citou vários programas oficiais de apoio à permanência dos estudantes, e expressou a posição do ministério, que define a alimentação como essencial para reduzir a evasão escolar e combater desigualdades. Ele mencionou a expansão da rede de restaurantes estudantis e citou outros programas de assistência em andamento, mas ressaltou que a continuidade dos programas depende de dotações orçamentárias.

— A gente espera fortemente que a gente tenha o Fundo Social, os royalties do pré-sal, sejam direcionados para a assistência estudantil de um modo geral — disse Bregagnoli.

Migalhas’

Ray Silva, coordenador-geral da Federação Nacional de Estudantes de Ensino Técnico (Fenet), disse considerar que os desafios orçamentários para a permanência dos alunos nas instituições de ensino são uma questão mais política do que técnica.

— Precisamos de um orçamento fixo, [para] que [os reitores] não precisem todo ano voltar ao Parlamento e passar o pires para recolher migalhas — lamentou.

Diretor de Relações Institucionais da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Paulo Viana alertou que os cortes orçamentários afetam diretamente as vidas de milhares de estudantes de baixa renda.

Letícia Holanda, diretora de Relações Institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), cobrou gastos públicos mais eficientes e citou a evasão como um dos maiores problemas da educação superior no Brasil.

— A educação é um investimento. Quando o país não cuida da evasão, não cuida do futuro da educação — ponderou.

Fonte: Agência Senado

Congresso prorroga duas medidas provisórias por mais 60 dias

© Joédson Alves/Agência Brasil

Duas medidas provisórias (MPs) foram prorrogadas por mais 60 dias pelo Congresso Nacional. Uma delas acaba com impostos federais sobre a importação de compras internacionais de até US$ 50, a chamada da “taxa das blusinhas”. Com isso, os parlamentares terão mais tempo para analisar a medida. O mesmo ocorrerá com a outra, que concedeu subvenção a produtores e importadores de combustíveis como forma de reduzir o impacto do aumento internacional do petróleo no Brasil.

As MPs ainda aguardam a instalação de comissão mista de deputados e senadores que irá emitir parecer sobre os textos.

As medidas provisórias entram em vigor de forma imediata, mas precisam ser analisadas pelo Congresso para não perderem a vigência. Elas têm validade de 60 dias e podem ser prorrogadas uma única vez por igual período. Agora, o Congresso terá até final de setembro para analisar essas duas MPs.

Retirada de subsídios

Na semana passada, o Ministério da Fazenda anunciou a retirada gradativa dos subsídios dos combustíveis, em razão da queda da cotação do petróleo, em virtude das tratativas para o fim do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.


Fonte: Agencia Brasil

Partidos iniciam fase de propaganda intrapartidária

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A propaganda de pré-candidatos dentro de seus partidos está liberada a partir deste domingo. De acordo com a regra eleitoral, políticos podem fazer propaganda intrapartidária entre filiados e delegados em busca de apoio a seus nomes nas convenções.  Ainda não se trata de campanha eleitoral aberta ao público, e está vedado o uso de rádio, televisão e outdoor.

As convenções partidárias começam no dia 20 de julho e seguem até 5 de agosto. É neste período em que os partidos políticos e federações definirão os nomes dos candidatos e candidatas aos cargos de Presidente e Vice-Presidente, Governador e Vice-Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual ou Distrital. 

A campanha eleitoral para o público em geral tem início no dia 16 de agosto. Até lá, pré-candidatos estão proibidos de pedir voto publicamente ou manifestar expressões que tenham esse sentido. 

O primeiro turno das eleições será em 1º de outubro e o segundo, em 25 de outubro.


Fonte: Agencia Brasil

Orocó conquista nova ambulância do SAMU para reforçar atendimentos de urgência e emergência

O município de Orocó foi contemplado com uma nova ambulância de Suporte Básico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), um importante reforço para a rede municipal de saúde. A chegada do veículo representa mais um avanço na estrutura de atendimento à população, ampliando a capacidade operacional dos serviços de urgência e emergência.

Orocó também contará com a base descentralizada do SAMU e os trabalhos irão iniciar em breve.

A nova unidade chega para fortalecer os atendimentos pré-hospitalares de urgência e emergência, proporcionando respostas mais rápidas, maior segurança aos pacientes e melhores condições de atendimento em situações que exigem cuidados especializados.

Equipada com estrutura moderna e recursos adequados para ocorrências de maior complexidade, a ambulância permitirá mais eficiência no transporte de pacientes, garantindo assistência qualificada durante o deslocamento até unidades de referência.

A conquista representa um importante investimento na saúde pública do município, contribuindo para o fortalecimento da rede de atendimento e para a ampliação dos serviços oferecidos à população. Com a nova unidade, Orocó passa a contar com mais recursos para salvar vidas e assegurar um atendimento cada vez mais ágil, seguro e humanizado.

A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal com a melhoria contínua dos serviços de saúde, garantindo mais qualidade na assistência e mais tranquilidade para os moradores que dependem do atendimento de urgência e emergência.

Ascom – PMO

TSE lança ferramenta para acompanhar eleitorado brasileiro no exterior

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou uma ferramenta para acompanhar a participação dos brasileiros que vivem fora do país. O Painel de Dados do Eleitorado no Exterior reúne informações históricas sobre o perfil, a distribuição geográfica e os índices de comparecimento e abstenção em seções de todo o mundo. A plataforma permite uma navegação interativa por continentes, países e cidades. O objetivo é subsidiar o planejamento logístico da Justiça Eleitoral, com dados que antes dependiam da extração de grandes volumes de planilhas.

A ferramenta permite explorar séries históricas de forma simples, otimizando o acesso a informações sobre o eleitorado e as seções de votação. Segundo o TSE, o painel auxilia no dimensionamento da infraestrutura, como o número de urnas a serem enviadas e a distribuição de mesários.

Perfil do eleitor migrante

Além disso, as séries históricas revelam mudanças no perfil do eleitor migrante. Em novos polos, como o Canadá, por exemplo, há predominância de jovens adultos com alto nível de instrução. Já em destinos tradicionais, como o Japão, o eleitorado é proporcionalmente mais idoso.

O eleitorado brasileiro no exterior cresceu 247,9% entre 2010 e 2022, saltando de 200 mil para mais de 697 mil eleitores. Em maio deste ano, já eram mais de 917 mil. Os dados atualizados para as eleições de 2026 serão divulgados até o fim deste mês.

O painel também traz indicadores de acessibilidade e dados sobre o uso de nome social.

A ferramenta está disponível no portal do TSE, na página de Eleições, Plebiscitos e Referendos.


Fonte: Agencia Brasil

Eleições 2026: calendário eleitoral entra em fase decisiva

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A quase três meses das eleições de 2026, o calendário eleitoral entra em sua fase mais decisiva. No próximo sábado, dia 4 de julho, começam a valer as vedações para agentes públicos: ficam proibidas nomeações, exonerações, contratações e até participação em inaugurações de obras. A regra vale até o fim das eleições.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando os brasileiros escolherão presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Um eventual segundo turno acontece em 25 de outubro.

As convenções partidárias para definição dos candidatos ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto. Os registros de candidatura devem ser entregues à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. No dia seguinte, começa a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Já o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão vai de 28 de agosto a 1º de outubro.

Em setembro, até o dia 14, os sistemas eletrônicos de votação são lacrados em cerimônia oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir do dia 19, candidatos não podem ser presos, exceto em flagrante. Eleitores também têm essa garantia a partir de 29 de setembro.

Após as eleições, o cadastro eleitoral é reaberto em 3 de novembro. Quem não votou no primeiro turno tem até 3 de dezembro para justificar a ausência. Os candidatos eleitos serão diplomados até 18 de dezembro e tomam posse em janeiro de 2027.


Fonte: Agencia Brasil

Na CRA, especialistas cobram regulamentação da Lei dos Agrotóxicos

A demora do Poder Executivo em regulamentar trechos da Lei dos Agrotóxicos (Lei 14.785, de 2023) foi duramente criticada por representantes do setor produtivo e de órgão regulatórios nesta quarta-feira (1º), em audiência pública da Comissão de Agricultura (CRA). O debate foi conduzido pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), que também cobrou do governo federal a regulamentação, já atrasada, da lei. Em sua avaliação, a norma nasceu com o propósito de modernizar, desburocratizar e dar mais segurança jurídica para o registro e uso de agrotóxicos, pesticidas e defensivos agrícolas no Brasil. 

— Nós temos que discutir e colocar essa lei realmente para funcionar; a gente respeita os órgãos ambientais, mas isso tem que ficar sob coordenação do Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento]. A gente entende que o Ministério da Agricultura — ninguém está querendo passar por cima do Ibama, por cima das questões ambientais — mas nós precisamos entender que nós não podemos parar o país. O Brasil é um continente e ele precisa continuar evoluindo no campo, e nós temos condição de avançar muito — disse o senador.

Eficiência regulatória

Bagattoli afirmou que a legislação “é fruto do legítimo debate democrático do Parlamento” e que o Ministério Público Federal (MPF) defendeu a “plena constitucionalidade da nova Lei dos Defensivos”. Disse também que o Parlamento aprovou a lei em busca de eficiência regulatória, pois o país demora em média sete anos para aprovar novos produtos, enquanto países mais ricos fazem isso em quatro anos. Ele acrescentou que o uso desses produtos é essencial para o agronegócio brasileiro.

— Nas palavras do procurador-geral, a lei afasta qualquer alegação de retrocesso socioambiental ou descontrole regulatório. O modelo preserva o rigor técnico especializado e apenas organiza a máquina pública para funcionar melhor. A PGR foi enfática ao justificar a centralização da coordenação no Ministério da Agricultura, no Mapa, como uma necessidade administrativa urgente — disse o senador.

Agricultura

O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, disse que, para o ministério, a Lei de Agrotóxicos e seus regulamentos têm importância destacada para a política nacional de saúde vegetal. Ele disse que o agricultor brasileiro “é um adepto inequívoco de inovação e novas tecnologias, sem preconceitos”. Para ele, a cadeia de valor da agricultura precisa ter produção com sustentabilidade social, ambiental e econômica.

— O agrotóxico é um instrumento necessário na produção agrícola. Não existe país neste planeta que produza agricultura que não utilize agrotóxico. Ainda não existe. Todos os países do mundo que praticam agricultura utilizam sementes, fertilizantes e agrotóxicos, os três insumos para a produção agrícola. A produção agrícola se reveste de importância para o Brasil porque é o pilar da economia deste país — analisou Goulart.

A coordenadora de Produção Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ana Lígia Aranha Lenat, alertou para a importância da segurança jurídica e da agilidade tecnológica para a segurança alimentar e energética do Brasil e para a exportação de alimentos para 150 países. Para ela, a Lei dos Agrotóxicos e a Lei dos Bioinsumos (Lei 15.070, de 2024) são inovadoras e trouxeram previsibilidade e critérios técnicos alinhados com a ciência.

— Por décadas, a área de proteção de cultivos operou no Brasil sob uma legislação defasada, que não acompanhava a velocidade da inovação tecnológica global nem a necessidade de rotação de princípios ativos, regra de ouro da agronomia e essencial para o manejo integrado de pragas — disse Ana Lígia.

Ela garantiu que, com tecnologia avançada e produtos químicos avançados, os produtores brasileiros aprendem a usar doses menores para obter melhores resultados, diminuindo o impacto ambiental e garantindo lucro nas lavouras. A representante da CNA também disse que 15% dos gastos dos agricultores com o cultivo são com defensivos agrícolas, agrotóxicos e pesticidas.

Disse, ainda, que a restrição a tecnologias causa aumento no uso de defensivos, queda na produção de alimentos e mais riscos à saúde humana e ao meio ambiente, com prejuízo certo para o agricultor. Para ela, o Ministério da Agricultura, o Ibama e a Anvisa precisam atuar de forma coordenada, respeitando suas competências, para agilizar processos em prol dos agricultores.

— A CNA defende que a regulamentação da Lei 14.785 seja mais célere e seja também rigorosa, respeitando a divisão de competências. Não estamos pedindo menos fiscalização; estamos pedindo fiscalização eficiente, baseada em prazos claros e respeito aos termos da lei — afirmou Ana Lígia.

Meio ambiente e vigilância sanitária

A gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Cássia de Fátima Rangel Fernandes, concordou que a demora na regulamentação também impacta o trabalho de regulação, que necessita de previsibilidade. Ela informou que a Anvisa pede à Casa Civil da Presidência da República, desde o fim de 2024, a regulamentação da Lei dos Agrotóxicos: “o esforço da Anvisa para que essa lei seja regulamentada é grande”. Ela lembrou que a agência não pode considerar que questões econômicas estejam acima de questões de saúde e de meio ambiente.

— Qualquer impacto à saúde, qualquer impacto ao meio ambiente, vai ser um impacto para a economia, o impacto não é só na agricultura. A gente tem feito um esforço enorme para que, de fato, tenha novas moléculas que possam substituir moléculas altamente perigosas. A gente deseja que essa lei seja regulamentada o quanto antes, porque tem uma série de normas que precisam ser revistas e adequadas — disse Cássia Rangel.

Por sua vez, o coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas da Diretoria de Qualidade Ambiental do Ibama, Alan Alves Ferro, explicou que a Lei dos Agrotóxicos estabelece o “dossiê ecotoxicológico”, que é necessário para a liberação de novos produtos e é feito com critérios técnico-científicos. Com a análise de risco ambiental, cada produto precisa ser analisado levando em conta, também, o modo como chegará ao campo e como cada agrotóxico vai interagir com o meio ambiente local.

Indústria

Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo informou que a entidade defende a Lei dos Agrotóxicos e sua regulamentação, por entender que as mudanças aproximam o Brasil de países mais desenvolvidos, acelerando processos sem reduzir o rigor científico.

— Passados mais de dois anos da publicação da lei, no entanto, sua plena aplicação ainda depende de regulamentação por parte do Poder Executivo. A ausência de decreto federal mantém pontos de conflito na legislação atualmente em vigor, gerando insegurança na interpretação de dispositivos essenciais que vão da pesquisa à produção, à fiscalização e ao destino de resíduos — disse Felizardo.

Para a CNA, explicou, as regras a serem reguladas precisam ter clareza normativa e estabilidade regulatória, eficiência administrativa com integração entre os órgãos e convergência com parâmetros internacionais.

— Essa convergência acaba sendo relevante tanto para a competitividade da indústria nacional quanto para a previsibilidade do comércio internacional de produtos derivados de cadeias agroindustriais. A CNA destaca a importância da harmonização federativa na aplicação da lei, de modo a evitar exigências duplicadas ou interpretações divergentes entre União, estados e municípios, e da preservação dos atos já praticados sob a legislação anterior, de forma a assegurar continuidade regulatória aos processos em curso.

Fonte: Agência Senado