Isso porque, ao chegarem ao país de destino, os contêineres passam por inspeções de qualidade que avaliam, entre outros aspectos, a firmeza da polpa e a incidência de desordens fisiológicas internas.
“Quando a ocorrência desses problemas ultrapassa o limite estabelecido pelos importadores, geralmente de 10% das frutas avaliadas, toda a carga pode ser rejeitada”, explica o pesquisador.
Um fruto bem formado pode perder valor rapidamente por uma colheita antecipada, queda no solo, excesso de exposição ao calor, danos mecânicos, embalagem inadequada ou armazenamento em condições desfavoráveis.
Isso acontece porque o maracujá apresenta elevada atividade fisiológica após a colheita. A Embrapa classifica o fruto como climatérico e destaca taxas respiratórias que podem variar de aproximadamente 175 a 349 mg de CO? kg?¹ h?¹ a 25 °C. A produção de etileno também é elevada, podendo chegar a 160 a 400 µL kg?¹ h?¹ a 20 °C durante o pico climatérico.
Na prática, isso significa uma coisa: depois de colhido, o maracujá continua mudando rapidamente.
Por isso, acertar o ponto de colheita e reduzir o tempo entre campo, beneficiamento e comercialização são decisões que interferem diretamente na vida útil do fruto.
O ponto de colheita do maracujá não deve ser definido apenas pela queda – Tradicionalmente, o maracujá-azedo (Passiflora edulis) é recolhido depois que cai naturalmente da planta. A queda ocorre porque, durante a maturação, forma-se uma zona de abscisão no pedúnculo, enfraquecendo a ligação entre fruto e planta.
O problema é que o fruto que cai no solo pode sofrer pequenos danos na casca, perder água e entrar em contato com fontes de contaminação.
Esses ferimentos aparentemente pequenos podem se transformar em portas de entrada para microrganismos. A própria Embrapa recomenda evitar a coleta diretamente do solo quando o destino é o mercado de frutas frescas.
Para a indústria, a coleta de frutos caídos ainda é utilizada. Nesse caso, a Embrapa recomenda lavagem e sanitização, citando solução com 200 mg L?¹ de cloro ativo.
Para o mercado in natura, entretanto, a estratégia mais interessante é colher o fruto diretamente na planta, desde que ele já tenha atingido maturidade fisiológica suficiente.
Quanto amarelo deve estar o maracujá na colheita? – Não existe um único percentual que sirva para todas as situações. A cultivar, época do ano, destino e logística interferem nessa decisão.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental avaliou as cultivares BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado em diferentes pontos de maturação.
Na safra de verão, os pesquisadores concluíram que os frutos deveriam apresentar pelo menos 55% da casca amarela para proporcionar menor perda de massa, melhor qualidade do suco e maior vida útil.
O estudo mostrou uma diferença bastante prática.
Frutos colhidos no primeiro estádio, ainda muito verdes, apresentaram perda de massa de aproximadamente: 8,88% na BRS Gigante Amarelo; 8,52% na BRS Ouro Vermelho; 8,89% na BRS Sol do Cerrado.
Já no segundo estádio, com cerca de 56% da casca amarela, a perda média foi de 5,14% após nove dias de armazenamento.
No terceiro estádio, a perda chegou a aproximadamente 2,87% na BRS Ouro Vermelho, 3,82% na BRS Gigante Amarelo e 3,72% na BRS Sol do Cerrado, em seis dias de armazenamento.
Ou seja, colher cedo demais não significa necessariamente conservar melhor.
O fruto precisa estar fisiologicamente preparado para continuar o amadurecimento depois de separado da planta.
Para indústria e mercado fresco, o ponto pode ser diferente – Quando o objetivo é a indústria, a qualidade do suco passa a ter peso ainda maior.
A publicação da Embrapa Maracujá: do cultivo à comercialização destaca que frutos com aproximadamente 65% da casca amarelada apresentam melhores valores de sólidos solúveis, acidez, relação SS/AT e rendimento de suco, sendo esse um ponto recomendado para a indústria.
Em determinadas condições de inverno no Norte Fluminense, entretanto, frutos podem ser colhidos com aproximadamente um terço da superfície amarelada, desde que já apresentem maturidade fisiológica adequada.
Isso mostra por que simplesmente copiar uma porcentagem de coloração de uma propriedade para outra pode levar a decisões erradas.
O ponto de colheita precisa considerar cultivar, época, mercado e tempo até a venda.
O que acontece quando o fruto é colhido verde demais? – O maracujá não possui uma grande reserva de amido para transformar posteriormente em açúcares. Por isso, colher o fruto em estádio muito precoce pode limitar sua evolução de qualidade depois da retirada da planta.
No trabalho com BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado, os frutos mais imaturos apresentaram maior perda de massa e redução de características químicas importantes durante o armazenamento.
No BRS Gigante Amarelo, por exemplo, frutos maduros apresentaram 13,28 °Brix no estudo. O mesmo trabalho registrou 8,93 g de açúcares redutores por 100 mL nos frutos maduros, contra 5,59 g por 100 mL nos frutos colhidos no segundo estádio. A diferença não é apenas laboratorial.
Sólidos solúveis, acidez, rendimento de suco e relação entre açúcares e ácidos influenciam diretamente a qualidade percebida pelo consumidor e o desempenho industrial.
A Embrapa destaca que, para processamento, cor, sabor, aroma e rendimento de polpa estão entre os atributos mais importantes. Maior teor de sólidos solúveis e menor pH também podem favorecer o rendimento tecnológico do suco e reduzir a necessidade de acidificação.
A colheita deve ser feita com cuidado com o horário – Calor também é fator de perda. A Embrapa Acre recomenda realizar a colheita no período mais fresco do dia. Temperaturas elevadas associadas à baixa umidade relativa aumentam a perda de água e favorecem o murchamento, principalmente quando o fruto será vendido fresco.
Uma recomendação prática é organizar a equipe para concentrar a retirada dos frutos nas primeiras horas do dia, principalmente em períodos quentes e secos.
Isso reduz a exposição inicial ao estresse térmico e facilita o encaminhamento rápido dos frutos para a etapa seguinte.
A periodicidade também importa. A Embrapa recomenda, para determinadas condições de produção, realizar a coleta cerca de três vezes por semana, evitando que frutos permaneçam muito tempo no campo depois de atingir o ponto adequado.
O que fazer imediatamente depois da colheita? – A primeira regra é simples: não deixar o fruto esperando no campo sem necessidade.
Os frutos destinados ao mercado fresco devem ser protegidos de: sol direto; chuva; contato com o solo; impactos; compressão; superfícies sujas; temperaturas elevadas.
Na produção integrada, a Embrapa recomenda que os frutos sejam colocados imediatamente em contentores que possam ser higienizados e que reduzam o contato com o solo. Também são recomendados cuidados com higiene dos trabalhadores, equipamentos e caixas.
A rastreabilidade também pode entrar nessa rotina. Na produção integrada, os lotes devem ser identificados com informações como data de colheita, variedade, propriedade, parcela e responsável pela colheita.
Esse controle pode parecer burocrático no começo, mas ajuda a identificar onde estão ocorrendo perdas e facilita a organização comercial.
Higienização: uma etapa que não pode ser improvisada – Depois da chegada ao local de beneficiamento, os frutos devem ser selecionados e classificados.
Frutos com: danos mecânicos; sintomas de doenças; podridões; deformações severas; deterioração; devem ser separados do lote comercial.
A Embrapa recomenda lavagem e higienização antes da comercialização ou processamento e destaca a necessidade de utilizar água potável e solução sanitizante preparada de acordo com a recomendação técnica.
Um ponto importante: concentração de sanitizante não deve ser definida “no olho”.
A concentração correta depende do produto utilizado, concentração de cloro ativo, qualidade da água e protocolo adotado no beneficiamento.
Danos mecânicos podem custar caro – O maracujá tem uma casca que pode parecer resistente durante a colheita, mas impactos e abrasões prejudicam sua conservação.
Um arranhão produzido durante a colheita ou transporte pode não representar grande problema visualmente no primeiro momento. O problema aparece depois.
A lesão pode favorecer perda de água e entrada de patógenos.
A Embrapa destaca que a antracnose pode ocorrer também durante armazenamento, transporte e comercialização, podendo causar danos de até 39,8% dos frutos colhidos em determinadas condições.
Em outro estudo publicado na Revista Brasileira de Fruticultura, frutos mantidos por 13 dias a 25 ± 2 °C e 70-80% de umidade relativa, após 24 horas de câmara úmida, apresentaram elevada ocorrência de doenças pós-colheita. A antracnose chegou a 100% de incidência nos frutos avaliados, enquanto a podridão de Fusarium atingiu 25,5% no cultivo convencional e 19,0% no orgânico.
O número é um alerta importante: a sanidade do fruto no campo continua influenciando sua vida útil depois da colheita.
Embalagem: transportar bem também é produzir qualidade – Fruto a granel tende a sofrer mais danos.
A publicação da Embrapa aponta que frutos transportados a granel apresentam maior incidência de danos e, consequentemente, menor vida útil. Caixas plásticas favorecem ventilação e empilhamento, enquanto caixas de papelão podem proporcionar melhor acondicionamento e são utilizadas em mercados de maior valor.
A embalagem deve cumprir uma função simples: proteger o fruto sem criar outro problema.
Caixa excessivamente cheia, empilhamento inadequado e pressão entre frutos podem gerar abrasões e esmagamentos.
Por isso, o cuidado não termina quando o fruto entra na caixa.
Ele continua durante carregamento, transporte, descarga e exposição no ponto de venda.
Quanto tempo o maracujá pode ficar armazenado? – Depende da condição.
Em ambiente quente, a Embrapa relata que a vida útil do maracujá geralmente não ultrapassa duas semanas. Quanto mais maduro o fruto for colhido, menor tende a ser sua vida útil pós-colheita.
A refrigeração é uma das principais ferramentas para ampliar esse período.
Segundo a publicação da Embrapa, condições de 8 °C e 85% de umidade relativa foram consideradas favoráveis para conservação por até 26 dias em determinado estudo. Já a 12 °C, a vida útil caiu para cerca de 16 dias. Mas existe um detalhe importante: temperatura mais baixa não significa automaticamente melhor resultado em qualquer situação.
A refrigeração pode manter os frutos mais túrgidos e reduzir podridões, mas também pode retardar o amarelecimento da casca.
Por isso, o manejo deve considerar o destino comercial. Um fruto que será vendido rapidamente pode não exigir a mesma estratégia de armazenamento de outro que precisa percorrer longas distâncias.
E o armazenamento a 5 °C? – Um estudo publicado na Revista Brasileira de Fruticultura avaliou maracujá-amarelo embalado com filme de PVC e armazenado a 5 °C, durante 40 dias, com avaliações a cada 10 dias.
O filme reduziu a perda de massa e o enrugamento dos frutos. Entretanto, não impediu o desenvolvimento de patógenos por até 30 dias. Nas condições estudadas, os frutos apresentaram condições consideradas adequadas para comercialização por até 20 dias.
Isso ajuda a colocar a tecnologia no lugar certo.
Embalagem não substitui temperatura adequada, sanidade e manejo cuidadoso.
Ela é uma ferramenta complementar. Sugestão de imagem: fotografia de caixas de maracujá em câmara fria, com termômetro e higrômetro visíveis.
Atmosfera controlada pode ampliar ainda mais a conservação – Para operações que trabalham com maior estrutura logística, existem tecnologias mais avançadas.
A Embrapa cita resultados em que uma atmosfera com 5% de O? e 15% de CO?, associada à refrigeração, permitiu armazenamento por aproximadamente 30 dias, com acréscimo de nove dias a 13 °C em relação à condição de referência utilizada no estudo.
É uma tecnologia mais cara e, portanto, não necessariamente faz sentido para todo produtor.
Para grande parte das propriedades, o maior ganho está em medidas mais simples:
ponto correto de colheita + sombra + manuseio cuidadoso + seleção + embalagem adequada + temperatura controlada.
Cera ajuda ou pode atrapalhar? – Revestimentos com cera podem reduzir a perda de massa e melhorar a aparência dos frutos durante o armazenamento. Porém, não são uma solução universal.
A própria Embrapa alerta que o tratamento com cera pode provocar alterações indesejáveis na coloração da casca.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ciências Agrárias também avaliou o uso de cera em maracujá-amarelo armazenado em condição ambiente, mostrando o interesse dessa estratégia para conservação.
Antes de adotar o tratamento em escala comercial, é necessário verificar se a tecnologia é compatível com a cultivar, o mercado e o padrão visual exigido pelo comprador.
O produtor precisa separar os frutos por destino – Nem todo fruto precisa seguir o mesmo caminho.
Uma estratégia comercial eficiente é separar os frutos de acordo com qualidade, tamanho, aparência e destino.
Mercado in natura/Priorizar frutos: uniformes; com boa coloração; sem ferimentos; sem manchas; sem sintomas de doenças; com boa aparência externa.
Indústria – Pode receber frutos que não atendem ao padrão visual do mercado fresco, mas ainda apresentam qualidade adequada para processamento.
A Embrapa recomenda justamente diversificar os compradores: frutos maiores e mais bonitos podem ser direcionados ao mercado in natura, enquanto frutos menores ou com problemas fitossanitários compatíveis com processamento podem seguir para a indústria.
Isso permite transformar parte do que seria descarte em receita.
Mas existe um limite: fruto com podridão ou deterioração não deve ser tratado simplesmente como matéria-prima industrial. A classificação precisa respeitar os padrões sanitários e de qualidade aplicáveis.
Um exemplo prático de manejo – Imagine uma propriedade que colhe 1.000 kg de maracujá.
Se os frutos forem colhidos muito verdes, sofrerem impactos e ficarem expostos ao sol durante várias horas, parte da produção chegará ao comprador com perda de massa, enrugamento e danos.
Agora imagine outra operação: colheita no início da manhã; seleção ainda no campo; frutos retirados diretamente da planta; caixas limpas e ventiladas; proteção contra sol; transporte rápido para o galpão; seleção e classificação; higienização adequada; embalagem compatível com o mercado; refrigeração quando a logística justificar. A diferença não está em uma tecnologia sofisticada. Está na soma de pequenas decisões.
E os estudos mostram que essas decisões podem alterar significativamente a perda de massa e o tempo de comercialização. No experimento com três cultivares BRS, por exemplo, frutos mais imaturos chegaram a apresentar perda de massa próxima de 9%, enquanto estádios mais avançados ficaram abaixo de 4% em determinadas condições e períodos de armazenamento.
Checklist para a colheita e pós-colheita do maracujá – Antes da colheita: Defina o destino: indústria ou mercado fresco. Observe a coloração da casca. Considere cultivar e época do ano. Organize caixas, equipamentos e transporte. Confira o período de carência dos produtos fitossanitários.
Durante a colheita: Prefira os horários mais frescos. Evite jogar ou derrubar os frutos. Não arraste frutos pelo chão. Evite pressionar a casca. Proteja a produção do sol e da chuva.
No beneficiamento: Faça seleção e classificação. Retire frutos doentes ou muito danificados. Utilize água potável. Prepare corretamente a solução sanitizante. Mantenha caixas, bancadas e equipamentos higienizados.
No armazenamento: Controle temperatura e umidade. Evite excesso de maturação. Reduza perda de água. Evite empilhamento que provoque compressão. Monitore podridões e enrugamento.
No transporte: Use embalagem adequada. Evite movimentações bruscas. Proteja os frutos do calor. Reduza o tempo entre colheita e entrega.
O ponto central é preservar o valor produzido no campo – Colher maracujá não significa apenas retirar o fruto da planta.
É o início de uma sequência de decisões que determina quanto daquela produção chegará ao consumidor com qualidade.
A pesquisa mostra que o ponto de maturação interfere na perda de massa e na qualidade do suco. A Embrapa mostra que temperatura, umidade, embalagem, higiene e manuseio interferem diretamente na conservação. E os estudos de pós-colheita deixam claro que doenças e danos mecânicos podem acelerar a perda de qualidade.
Para o produtor, a regra mais importante talvez seja esta: não espere a perda aparecer para começar a cuidar do fruto.
O manejo pós-colheita começa ainda na decisão de quando colher.
E, quanto melhor for essa decisão, maior será a chance de transformar qualidade de campo em produto comercial de maior valor.
Nota técnica: os valores de temperatura, umidade, vida útil e ponto de colheita apresentados acima são resultados de estudos realizados em cultivares e condições específicas. Eles devem ser usados como referência técnica, não como uma receita universal para todas as regiões, cultivares e cadeias de comercialização.
Fontes técnicas utilizadas: Embrapa Mandioca e Fruticultura.Maracujá: do cultivo à comercialização – capítulo sobre colheita e pós-colheita. Embrapa Acre.Cultura do Maracujazeiro no Estado do Acre – recomendações de colheita e manejo pós-colheita. Santos et al. (2013).Determinação do ponto de colheita de diferentes cultivares de maracujá. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 17, n. 7, p. 750-755. Rotili et al. (2013).Atividade antioxidante, composição química e conservação do maracujá-amarelo embalado com filme PVC. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 35, n. 4, p. 942-952. Pacheco et al. (2018).Conservação pós-colheita e qualidade dos frutos de maracujazeiro-amarelo de acordo com a adubação orgânica e mineral. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 40, n. 5. Campos et al. (2005).Tratamento hidrotérmico na manutenção da qualidade pós-colheita de maracujá-amarelo. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 27, n. 3. Estudo sobre doenças pós-colheita em maracujá-amarelo. Revista Brasileira de Fruticultura. *Daniel Vilar – Técnico Agrícola · Eng. Agrônomo/Especialista em Gestão do Agronegócio/Estrategista de Conteúdo AgricOnline e Rubisco – 31/08/26.
Uma cobertura plástica ajuda a manter a temperatura dentro da caixa – Foto: Paulo Carneiro da Cunha/Emater/RS-Ascar/CP
Abelhas também sofrem com o frio e há manejos especiais para o inverno – Controle da temperatura, nutrição e monitoramento de pragas são fundamentais para manter as colmeias saudáveis – O frio do inverno gaúcho demanda alguns cuidados específicos no manejo apícola. Com as temperaturas mais baixas, as abelhas saem menos das colmeias em busca de alimento, e a oferta de néctar e pólen diminui com a escassez de florações no período. A estação também exige atenção no monitoramento para o controle de pragas.
Em Passo do Sobrado, no Vale do Rio Pardo, Décio e Márcia Sehnen se dedicam à produção de abelhas rainhas, núcleos, enxames e mel.Com mais de 30 anos de experiência, o casal usa redutores de alvado elevados para manter a temperatura interna da colmeia, que deve ficar em torno de 35°C para possibilitar a saída das abelhas campeiras e a postura da rainha. A estrutura usada pelos apicultores possui 10 cm de altura, 2 cm de profundidade e espaço de 1 cm para a passagem do enxame.
Além do redutor de alvado, o casal aposta no uso de um poncho, uma cobertura plástica que ajuda a manter a temperatura dentro da caixa. O apicultor orienta para deixar apenas uma parte sem cobertura (aproximadamente 2 cm), e fazer o ajuste, se houver apenas uma parte do enxame na caixa, isolando os quadros conforme a quantidade de abelhas.
Outra estratégia adotada pelos produtores é o reforço nutricional quando há diminuição da reserva de mel e pólen na colmeia. Na alimentação energética, Décio e Márcia investem em açúcar seco e uma mistura líquida com água, açúcar, limão e extrato deprópolis.Já a suplementação proteica é realizada com uma pasta caseira à base de levedura de cerveja, mel, óleo de girassol e outros ingredientes. O custo médio mensal com os dois suplementos é de R$ 3,50 por enxame.
Segundo o apicultor, a nutrição é fundamental para aumentar o tempo de vida do enxame.
“Uma abelha jovem, uma larva má nutrida, vai viver cerca de 34, 35, 36 dias. Já uma larva bem nutrida, uma abelha jovem bem nutrida, vive 50, 60 dias”, comenta Décio.
O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Vilson Pitton, também acentua que a alimentação mais adequada favorece a postura da rainha.
“Com o enxame maior, é possível manter a temperatura da colmeia. A maior população também é ideal para fazer a coleta de néctar e pólen no campo”, explica.
A quantidade de pasta proteica disponibilizada em cada caixa varia conforme o tamanho do enxame. Em média, os produtores ministram cerca de 125g a cada 15 dias para enxames pequenos. A pasta é coberta por um plástico e instalada acima dos quadros de postura; depois é coberta ainda pelo poncho, o que ajuda a proteger as abelhas e o alimento.
Além da nutrição e da temperatura, a Emater/RS-Ascar reforça a importância do monitoramento de pragas que afetam a produção.
“É necessário observar e fazer o controle de algumas pragas nesse período, como a traça e a formiga, que na nossa região estão entre os principais problemas identificados nos apiários”, finaliza o extensionista Vilson Pitton.
Fonte: Revista da Fruta *Matéria do Correio do Povo/RS – 26/06/2026.
Além da carga conteinerizada, o Brasil exportou 48.846 toneladas de frutas em navios frigoríficos convencionais (reefers). Considerando, em peso, os embarques realizados tanto em contêineres quanto em navios reefer, as exportações brasileiras de frutas totalizaram 498.915 toneladas no primeiro semestre de 2026 – volume 29,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
“Os números provisórios da Datamar estão em linha com as estatísticas oficiais do Comex Stat e mostram que 2026 caminha para ser mais um ano recorde para as exportações brasileiras de frutas. O crescimento observado no primeiro semestre é particularmente relevante porque a maior parte dos embarques de algumas das principais frutas exportadas pelo Brasil acontece no segundo semestre”, afirma o CEO da empresa, Andrew Lorimer.
De acordo com o levantamento, melões e melancias foram a maior categoria em volume conteinerizado no primeiro semestre de 2026, com 9.825 TEUs. As mangas vieram logo atrás, com 9.399 TEUs, enquanto limões e limas chegaram a 8.849 TEUs. Juntos, esses grupos formaram o núcleo das exportações brasileiras de frutas em contêineres.
Os dados por destino também mostram que neste primeiro semestre o comércio brasileiro de frutas ainda é concentrado. Os Países Baixos receberam 20.321 TEUs de frutas brasileiras, ou 55,6% do total capturado pelo DataLiner. A Espanha ficou em segundo lugar, com 5.499 TEUs e 15,1% de participação. O Reino Unido veio em seguida, com 5.218 TEUs, ou 14,3%. Juntos, esses três mercados responderam por cerca de 85% das exportações brasileiras de frutas em contêineres.
“A Europa é há muito tempo um parceiro comercial muito importante para a fruticultura brasileira. Uma das grandes vantagens do Brasil é a complementaridade das safras: em produtos como melão, manga e uva, conseguimos abastecer o mercado europeu justamente em períodos de menor oferta local. No caso do melão, por exemplo, o Brasil ganha espaço durante o inverno europeu, quando a produção espanhola é muito menor. Isso cria uma relação comercial bastante complementar, sem impedir que o Brasil continue desenvolvendo outros mercados”, avalia Lorimer.
“Outro ponto interessante é que o crescimento não está restrito ao transporte em contêineres. Nossos dados indicam que, no primeiro semestre, cerca de 10% das exportações marítimas de frutas foram transportadas em navios reefer convencionais. É um modal que ganhou importância nos últimos anos e continua representando uma parcela relevante e crescente dos embarques, mostrando que o avanço das exportações brasileiras de frutas é mais amplo do que os números de contêineres, isoladamente, sugerem”, destaca o executivo.
Comitiva brasileira leva produtores e estratégia de promoção internacional para a principal feira de frutas frescas da Ásia, de 2 a 4 de setembro, em Hong Kong.
A Ásia se consolida como um dos mercados mais promissores para a fruticultura brasileira. Nos últimos anos, o Brasil conquistou importantes aberturas comerciais na região, como manga para a Coreia do Sul, melão para a China, abacate para Japão e Índia e, mais recentemente, uvas para o mercado chinês, ampliando as oportunidades de exportação.
Essa expansão ganha força por meio do Projeto Frutas do Brasil, parceria entre a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que promove internacionalmente as frutas brasileiras e impulsiona novos negócios em mercados estratégicos.
De 2 a 4 de setembro, a Abrafrutas participa da Asia Fruit Logistica 2026, em Hong Kong, com uma comitiva de cerca de 12 representantes, entre produtores e equipe técnica. A entidade contará com estande próprio para apresentar a diversidade, a qualidade e a capacidade de fornecimento da fruticultura nacional a compradores, distribuidores e importadores de toda a Ásia.
Para o gerente técnico da Abrafrutas, Jorge de Souza, a feira é um ambiente decisivo para consolidar a presença brasileira no continente.
“A Ásia é um mercado estratégico para a fruticultura brasileira. Estar na Asia Fruit Logistica nos aproxima dos principais compradores e nos permite apresentar, de forma direta, a qualidade, a diversidade e a capacidade de fornecimento do Brasil. É uma oportunidade para gerar negócios, fortalecer relacionamentos e abrir novas portas para nossas frutas.”
Além da promoção comercial, a participação reforça o trabalho de abertura de novos mercados conduzido pelo setor em conjunto com o Ministério da Agricultura. Entre as negociações em andamento estão o limão-Tahiti para a China, uvas para a Coreia do Sul, limão, melão e maçã para a Malásia e maçãs para a Tailândia.
A Asia Fruit Logistica 2026 será realizada no AsiaWorld-Expo, em Hong Kong, entre os dias 2 e 4 de setembro e o estande da Abrafrutas fica no 3J41.
Sobre a Fruit Attraction
Desde 2009, a Fruit Attraction é organizada anualmente no IFEMA Madrid e tornou-se referência mundial no setor de frutas e hortaliças. A feira promove conexões estratégicas e fortalece a posição da Espanha como um dos principais polos de negócios agroalimentares do mundo.
Sobre o Frutas do Brasil
A Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), desenvolve um projeto de apoio aos exportadores brasileiros na busca por ampliação dos negócios; abertura de novos mercados; reconhecimento e diferenciação das frutas brasileiras; e aumento do saudável hábito de consumir frutas saborosas e com qualidade superior.
Sobre a Abrafrutas
A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) é uma associação sem fins lucrativos que tem por finalidade representar e promover a fruticultura brasileira frente ao mercado internacional. Criada em 2014, a Abrafrutas conta com aproximadamente 70 associados produtores exportadores de frutas e detém aproximadamente 85% do volume total das frutas frescas exportadas pelo Brasil.
SOBRE A APEXBRASIL
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.
Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.
Produtores rurais e cooperativas da região Nordeste já podem procurar o Banco do Brasil para renegociar operações de crédito rural por meio das condições previstas na Medida Provisória nº 1.376/2026. Na região, cerca de 17,5 mil clientes possuem operações potencialmente elegíveis às condições da medida, que representam um volume de até R4 10,4 bilhões em financiamentos.
A MP autorizou a criação de linhas especiais para composição de dívidas de produtores e cooperativas que sofreram perdas provocadas por eventos climáticos ou perdas de mercado em duas ou mais safras entre 2019 e 2025. O objetivo é apoiar a recuperação da capacidade produtiva, contribuir para a regularização financeira dos empreendimentos rurais e dar condições para que os produtores retomem seu fluxo de caixa com maior previsibilidade.
“A MP 1.376 traz uma oportunidade relevante para que produtores do Nordeste reorganizem sua situação financeira e retomem seus projetos com mais segurança, especialmente após os impactos causados por eventos climáticos que comprometeram safras, receitas e a geração de renda em diversas localidades. O Banco do Brasil está mobilizado para oferecer atendimento especializado e soluções adequadas às necessidades de cada cliente, considerando as particularidades da região. Além de favorecer a regularização das operações, a medida contribui para a recuperação da capacidade produtiva, a recomposição da renda das famílias rurais e o fortalecimento da atividade agropecuária nordestina”, afirma Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB.
A carteira agro do BB possui cerca de 113 mil clientes com operações potencialmente elegíveis às condições previstas na MP, representando um volume de até R$ 100 bilhões. Desse total, 36% correspondem a operações inadimplentes, enquanto o restante contempla operações adimplentes que foram prorrogadas ou renegociadas.
Os produtores que fizeram o pré-cadastro nas agências e os clientes interessados já podem comparecer às unidades do Banco do Brasil. A contratação está sujeita à análise de enquadramento e à apresentação do laudo técnico que comprove perdas na produção ou redução da renda bruta agropecuária esperada.
Mais informações estão disponíveis em bb.com.br/agro.
Evento gratuito terá programação voltada às culturas de banana e maracujá e será realizado durante a Feira Agro Sem Limites
Bauru recebe, no dia 11 de setembro, mais uma edição do Dia de Campo do Sebrae-SP com uma programação voltada à troca de conhecimentos, experiências e oportunidades para o produtor rural. Das 8h30 às 17h30, no Recinto Mello de Moraes, o encontro terá como destaque as culturas de banana e maracujá, duas atividades relevantes para a agricultura regional. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo link https://forms.cloud.microsoft/r/4pcrkgJXMa .
A ação é uma iniciativa do Sebrae-SP e dos parceiros Faesp, Senar, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Unesp, Prefeitura de Bauru por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SAGRA), Cati, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Credicitrus, Sindicato Rural de Bauru e Fazenda Jaguacy. O evento é gratuito e destinado a produtores rurais e profissionais do agronegócio maiores de 18 anos.
Com conteúdo técnico, relatos de produtores e informações sobre mercado e financiamento, a programação terá início às 8h30 e seguirá o cronograma:
>> 8h30: Recepção e credenciamento com café de boas-vindas e entrega de brindes
>> 9h15: Abertura oficial do evento
>> 9h30: Palestra ‘Cultura do Maracujá’ com o professor Aloisio Costa Sampaio da Unesp Bauru, que abordará as tecnologias e pesquisas aplicadas ao campo. Na sequência, haverá o depoimento de um produtor de maracujá sobre os desafios da produção e da comercialização da fruta
>> 10h45: Palestra ‘Cultura da Banana’, ministrada pelo profissional Fernando do CATI que apresentará as tecnologias e pesquisas aplicadas ao campo no segmento da banana, seguida pelo relato de um produtor sobre produção e comercialização da fruta.
>> 12h: Pausa para almoço
>> 13h: Visita a Feira Agro Sem Limites
>> 13h20: Palestra com profissional da APTa Regional de Bauru sobre as pesquisas de apoio ao produtor
>> 13h50: Palestra com profissional da Fazenda Jaguacy sobre a produção de avocado
>> 14h25: Apresentação da Credicitrus sobre as linhas de crédito rural e financiamento para compras de propriedades rurais pelo Plano Safra
>> 14h40: Palestra com profissional da SAGRA sobre os serviços prestados pela Secretaria
>> 15h20: Palestra com profissional do CATi sobre a importância da análise de solo, calagem e adubação visando um solo mais fértil
>> 16h: Visita a Feira Agro Sem Limites
“Além de levar conhecimento técnico ao produtor, o Dia de Campo tem o propósito de aproximar quem está no campo de instituições de pesquisa, assistência técnica, entidades do setor e empresas que podem contribuir para o desenvolvimento da atividade rural. A iniciativa cria uma ponte entre conhecimento, inovação e tecnologia e o produtor que busca aprimorar sua produção, garantir qualidade e tornar a gestão da propriedade mais eficiente”, declara o consultor de negócios do Sebrae-SP, Marcelo Rondon Bezerra.
Simultaneamente ao Dia de Campo, o Recinto Mello de Moraes, localizado na Avenida Comendador José da Silva Martha, quadra 36, Jardim Ouro Verde também receberá a exposição agropecuária Agro Sem Limites.
Serviço
Dia de Campo em Bauru
Data: 11 de setembro, das 8h30 às 17h30
Local: Recinto Mello de Moraes, Avenida Comendador José da Silva Martha, quadra 36, Jardim Ouro Verde
BRS Áurea apresenta produtividade de até 30 toneladas por hectare
Nos locais avaliados no Sul do Brasil, a BRS Áurea apresentou potencial produtivo estimado entre 25 e 30 toneladas por hectare, além de colheita precoce, concentrada principalmente em janeiro.
A cultivar é recomendada para regiões produtoras de pera que apresentem entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno. Os testes foram realizados nos municípios gaúchos de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul.
A BRS Áurea também se destaca pela resistência à entomosporiose, uma das principais doenças da cultura, e pela menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação com a cultivar Rocha, variedade portuguesa bastante comercializada no Brasil.
Nova cultivar de pera produz frutos grandes e de coloração dourada
Entre as características de interesse para o consumidor estão os frutos médios a grandes e uniformes, com massa entre 145 e 190 gramas.
Na maturação, a casca apresenta coloração amarelo-alaranjada a dourada, característica que deu origem ao nome Áurea. A polpa é branca, crocante, suculenta e de sabor equilibrado.
O pesquisador João Caetano Fioravanço, da Embrapa Uva e Vinho e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, destaca que a BRS Áurea foi desenvolvida com o objetivo de obter uma pera adaptada às condições brasileiras.
Segundo Fioravanço, a cultivar reúne boa adaptação ao Sul do Brasil, potencial produtivo e qualidade dos frutos, características que podem contribuir para estimular a produção nacional de peras.
BRS Áurea amplia possibilidades para a produção brasileira de pera
A precocidade de maturação é outro diferencial da nova cultivar. Nas condições avaliadas, a colheita ocorre predominantemente entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo aproximado de 106 dias entre a plena floração e a maturação.
A época de colheita permite antecipar a oferta da fruta e pode ampliar a janela de comercialização de peras produzidas no Brasil.
Em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a produtividade estimada varia de 25 a 30 toneladas por hectare.
A combinação entre época de colheita, produtividade e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de utilização da BRS Áurea em sistemas comerciais. A disponibilidade de cultivares adaptadas às condições brasileiras é especialmente relevante para uma cadeia produtiva que ainda depende de importações para atender parte da demanda nacional.
BRS Áurea apresenta bom potencial de conservação pós-colheita
Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea apresentou resultados promissores nas avaliações de pós-colheita.
Em condições experimentais, os frutos mantiveram boa qualidade para consumo após 90 dias de armazenamento refrigerado a 0,5 °C, seguidos de sete dias a 20 °C. Durante esse período, houve redução da firmeza da polpa e mudança na coloração, que se tornou mais alaranjada, sem comprometer as características consideradas adequadas para consumo.
Segundo a pesquisadora Lucimara Antoniolli, da área de pós-colheita da Embrapa Uva e Vinho, a capacidade de conservação pode favorecer o mercado de frutas frescas, ampliando o período de comercialização e facilitando a distribuição.
Ensaios experimentais também indicaram potencial para períodos mais longos de armazenamento. Em atmosfera controlada, frutos mantidos por até 165 dias a 0,5 °C apresentaram maior firmeza após a retirada da câmara.
Por outro lado, os frutos são delicados e podem sofrer danos por impacto durante a colheita e o transporte. Por isso, são recomendados cuidados no manuseio, na classificação, na embalagem e na distribuição.
Cultivar apresenta menor suscetibilidade à mosca-das-frutas
A BRS Áurea também apresentou características favoráveis em relação a importantes problemas fitossanitários da cultura.
Nas condições avaliadas, a cultivar demonstrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, doença fúngica que afeta folhas e frutos. Também apresentou menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação com a pera Rocha.
Em áreas experimentais submetidas à infestação natural, foram registrados 70% de frutos infestados na pera Rocha e 10% na BRS Áurea. Em outro experimento, no qual os frutos foram expostos diretamente aos insetos, a infestação foi de 40% na BRS Áurea, contra 100% na Rocha.
O pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho, ressalta que a menor infestação é uma característica de interesse para a fruticultura do Sul do Brasil. A característica, porém, não elimina a necessidade de monitoramento e manejo da praga.
BRS Áurea é resultado de quase 20 anos de pesquisa
O desenvolvimento da BRS Áurea começou em 2006, com o cruzamento entre as peras asiática Hosui e europeia Abate Fetel, realizado em Vacaria (RS).
A partir de 2015, o material selecionado passou por novas etapas de avaliação. No ano seguinte, foi implantado em áreas experimentais da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves e Vacaria, para análises de fenologia, produção, qualidade dos frutos e conservação pós-colheita.
Em 2021, foram estabelecidas duas unidades de validação em parceria com produtores, em Vacaria e Caxias do Sul. As plantas foram conduzidas sobre o marmeleiro Adams, com espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas.
A BRS Áurea foi registrada no Registro Nacional de Cultivares em 26 de maio de 2025, sob o número 59.655, e posteriormente teve sua proteção solicitada junto ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).
Nova cultivar será apresentada na Expointer
A BRS Áurea será apresentada durante a 49ª Expointer, realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS).
A apresentação deve aproximar a nova cultivar de produtores e demais integrantes da cadeia produtiva, destacando características como produtividade, qualidade dos frutos, adaptação climática e potencial de conservação.
As mudas da BRS Áurea podem ser reservadas no Viveiro São Francisco, licenciado pela Embrapa. Outros viveiristas interessados em obter licenciamento para comercializar a cultivar podem solicitar material propagativo à Embrapa Uva e Vinho.
A reserva pode ser realizada ao longo do ano, enquanto a entrega ocorre na segunda quinzena de julho do ano subsequente, conforme a disponibilidade de material.
A nova cultivar representa uma alternativa genética para diversificar os pomares e ampliar as possibilidades da produção brasileira de pera, especialmente nas regiões do Sul do País.
O projeto será ampliado para 16 produtores do distrito. O Sebrae também avalia a aplicação do modelo em áreas de cajucultura de sequeiro, nas quais a produção depende das chuvas e enfrenta condições diferentes das encontradas nos perímetros irrigados. Uma das frentes prevê que os próprios produtores fabriquem bioinsumos nas propriedades, seguindo recomendações e protocolos técnicos. Outra utilizará uma biofábrica instalada no Diba para multiplicar fungos e bactérias destinados às áreas produtivas. Na primeira fase da capacitação, a biofábrica atenderá sete produtores. Os microrganismos poderão ser utilizados para ampliar a atividade biológica do solo, favorecer o desenvolvimento das raízes, melhorar o aproveitamento de nutrientes e auxiliar no controle de agentes que prejudicam as culturas.
O gestor de Fruticultura do Sebrae-RN, Franco Marinho, afirma que a aplicação será definida após a análise de cada propriedade. O objetivo é evitar o uso indiscriminado de produtos e adequar o manejo às necessidades identificadas pelos técnicos.
Produção agrícola no Baixo-Açu — Sandra Monteiro
“O consultor vai a campo, verifica, faz análise de solo, análise foliar e, a partir disso, recomenda os produtos adequados. Não é algo aleatório. A vantagem é diminuir o custo de produção, melhorar a sustentabilidade e a questão físico-química do solo e da planta, aumentando a produtividade e qualidade das frutas”, explica.
Os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana destinados à produção agropecuária. Na fruticultura, podem atuar na nutrição, no desenvolvimento das plantas e no controle biológico de pragas e doenças. O uso desses recursos não elimina a necessidade de outros cuidados. Os resultados dependem da escolha correta dos microrganismos, das condições de armazenamento, da forma de aplicação, da temperatura, da disponibilidade de água e das características do solo.
As cultivares de maracujá desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, estão ampliando sua presença nas principais regiões produtoras do Brasil. Voltadas à indústria de sucos e polpas, a IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado combinam produtividade, elevado rendimento industrial e adaptação a diferentes condições de cultivo.
Em 2025 e no primeiro semestre de 2026, os principais estados com pomares produtivos ou em formação foram São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraná. As cultivares também chegaram ao Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Pará, Bahia, Rondônia, Acre e Distrito Federal.
A expansão atende ao interesse de agroindústrias e produtores por frutos com maior proporção de polpa, teor adequado de sólidos solúveis e coloração intensa. Para pequenos e médios agricultores, o maracujá representa uma alternativa de rápido retorno econômico e geração de receita durante boa parte do ano.
São Paulo lidera cultivo das variedades do IAC
Em São Paulo, as lavouras estão distribuídas por diferentes municípios, com destaque para Fartura, próximo à divisa com o Paraná.
Segundo o pesquisador José Luiz Hernandes, do IAC, o instituto forneceu sementes em 2025 e 2026 para produtores de Americana, Areias, Bauru, Campina do Monte Alegre, Conchas, Cruzeiro, Guaratinguetá, Iacanga, Iguape, Itaí, Itaporanga, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Óleo, Santos, São Paulo e Sertãozinho.
A produção paulista está concentrada principalmente em propriedades familiares. Para esses agricultores, as cultivares industriais apresentam facilidade de adoção porque o plantio e o manejo são semelhantes aos utilizados na produção de maracujá destinado ao mercado de frutas frescas.
A definição do destino comercial, entretanto, altera os critérios de seleção dos frutos. No mercado in natura, aparência, formato, tamanho e integridade da casca exercem maior influência. Para a indústria, o rendimento e a qualidade da polpa ganham prioridade.
Produtores paulistas encerram colheita e preparam nova safra
Em agosto, os pomares paulistas aproximam-se do fim do período produtivo. Os agricultores que trabalham com duas safras no mesmo plantio iniciam a limpeza das áreas e se organizam para a poda no fim de agosto e começo de setembro.
Nas propriedades conduzidas com apenas uma safra, começa a eliminação das plantas que já completaram o ciclo. O trabalho inclui o preparo do solo e a revisão das estruturas de condução antes da implantação do próximo cultivo.
A decisão de manter ou renovar as plantas deve considerar o estado sanitário do pomar, a produtividade alcançada, os custos de manejo e o potencial de produção no segundo ciclo.
Rendimento de polpa supera 50%
Para o processamento industrial, tamanho e aparência externa não são os principais critérios de avaliação. As agroindústrias procuram frutos que ofereçam maior aproveitamento, qualidade da polpa e padronização.
De acordo com Hernandes, as cultivares IAC destinadas ao processamento apresentam rendimento de polpa superior a 50%. O teor de sólidos solúveis fica acima de 12 graus Brix, podendo alcançar 17 graus Brix em condições favoráveis.
Valores acima de 14 graus Brix são considerados especialmente desejáveis porque indicam maior concentração de açúcares e outros compostos solúveis. Essa característica interfere no sabor e no rendimento durante a fabricação de sucos e polpas.
Outro diferencial é a coloração alaranjada intensa, valorizada pela indústria por contribuir para o aspecto visual do produto processado.
IAC recomenda plantio conjunto das cultivares
O IAC recomenda que a IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado sejam cultivadas de forma complementar, com 50% de cada variedade na área.
Segundo o instituto, a combinação reúne parâmetros favoráveis de rendimento, teor de sólidos solúveis e coloração da polpa. A IAC 1013 Laureado destaca-se pela tonalidade alaranjada ainda mais intensa.
As duas variedades apresentam casca fina, característica que contribui para ampliar proporcionalmente a quantidade de polpa disponível para processamento.
A IAC 275 Maravilha produz frutos predominantemente médios e alongados, embora também possa apresentar formato arredondado. A IAC 1013 Laureado possui frutos geralmente médios e redondos, com possibilidade de ocorrência de unidades alongadas.
As plantas das duas cultivares apresentam vigor de médio a alto.
Período de maturação varia conforme a região
No Sudeste, a maturação das cultivares IAC 275 e IAC 1013 ocorre principalmente entre janeiro e julho.
Esse período pode ser mais longo nas regiões Norte e Nordeste e mais curto no Sul. A variação está relacionada, entre outros fatores, à quantidade de horas de luz disponível em cada localidade.
O comportamento regional deve ser considerado no planejamento da mão de obra, da colheita, do transporte e da comercialização.
Como os frutos são recolhidos com frequência durante vários meses, o produtor precisa estruturar previamente o destino da produção. A ausência de compradores próximos pode aumentar custos e comprometer a rentabilidade.
Agroindústria próxima é essencial para o escoamento
A comercialização do maracujá para processamento costuma ocorrer diretamente com agroindústrias instaladas próximas das áreas produtoras.
Nas lavouras paulistas, a colheita pode ser realizada diariamente durante aproximadamente seis meses. Como são necessárias várias entregas ao longo desse período, a distância até a unidade processadora exerce forte influência sobre o custo do transporte.
A proximidade reduz despesas com frete, facilita o escoamento frequente e diminui o risco de perdas após a colheita. Por isso, a existência de uma agroindústria regional deve ser avaliada antes da implantação do pomar.
Cooperativas e agroindústrias familiares também podem absorver a produção. Algumas empresas brasileiras atuam nos mercados nacional e internacional, exportando suco e polpa de maracujá para a Europa e outros destinos.
Maracujá oferece retorno econômico rápido
O ciclo relativamente curto permite que o produtor obtenha retorno em menos tempo na comparação com outras frutíferas perenes.
A colheita distribuída por vários meses também favorece a entrada contínua de receita, característica importante para propriedades familiares. O processamento da polpa acrescenta valor ao produto e pode ampliar as oportunidades de comercialização.
A viabilidade econômica depende, entretanto, de fatores como produtividade, disponibilidade de mão de obra, polinização, controle fitossanitário, proximidade do comprador e custos de transporte.
O planejamento comercial deve começar antes do plantio, com a definição dos canais de venda e das exigências de qualidade da agroindústria.
Cascas e sementes ampliam aproveitamento do fruto
Além da fabricação de polpas, sucos concentrados, sucos integrais e néctares, o maracujá permite o aproveitamento de diferentes subprodutos.
Cascas e sementes podem ser destinadas, de acordo com o processamento e as exigências técnicas, à alimentação animal, extração de óleos e fabricação de insumos cosméticos.
O suco também apresenta características nutricionais e é fonte de compostos como vitamina A, cálcio e fósforo.
A diversificação de usos contribui para reduzir o desperdício e pode criar novas fontes de receita dentro da cadeia produtiva.
Polinização é decisiva para produtividade e qualidade
As flores do maracujazeiro atraem insetos responsáveis pelo transporte do pólen entre as estruturas reprodutivas das plantas. As mamangavas são os principais polinizadores da cultura.
O porte desses insetos favorece o contato do dorso com as partes da flor, permitindo que o pólen de uma planta seja levado até outra. Esse processo é essencial para a fecundação e a formação adequada dos frutos.
Quando a polinização é insuficiente, os frutos podem apresentar baixo peso, formato irregular e preenchimento parcial.
Para preservar as mamangavas, as pulverizações devem ser realizadas preferencialmente pela manhã, antes da abertura das flores. A atividade dos polinizadores ocorre principalmente durante a tarde.
Polinização manual pode elevar produção
Em regiões com baixa presença de mamangavas, o produtor pode recorrer à polinização artificial, realizada manualmente.
O procedimento pode aumentar significativamente a quantidade produzida e o peso dos frutos. Mesmo em áreas onde existem polinizadores naturais, o IAC recomenda considerar a polinização manual quando o objetivo é alcançar alta produtividade.
A adoção da prática exige planejamento de mão de obra, pois as flores permanecem receptivas por um período limitado. A operação deve ser realizada no momento adequado e com técnica correta para assegurar a fecundação.
IAC também oferece variedades para o mercado de mesa
Atualmente, o Instituto Agronômico disponibiliza sementes de quatro cultivares de maracujá azedo amarelo.
A IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado são voltadas prioritariamente à produção de polpa. Já a IAC 273 e a IAC 277 foram desenvolvidas para o mercado de frutos de mesa.
O instituto também fornece material de propagação ao Serviço de Produção de Sementes e Mudas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
Produtores e viveiristas podem solicitar informações ao Centro de Frutas do IAC pelos endereços eletrônicos centro.frutas@sp.gov.br e jose.hernandes@sp.gov.br.
Maracujá azedo domina os pomares brasileiros
O maracujá azedo, da espécie Passiflora edulis, representa aproximadamente 90% dos pomares do Brasil.
A espécie é a mais consumida no país e a principal matéria-prima para sucos, polpas, néctares, cosméticos e produtos fitoterápicos.
A denominação “azedo” está relacionada à acidez mais elevada na comparação com o maracujá doce, pertencente à espécie Passiflora alata.
Com cultivares adaptadas à indústria, elevada proporção de polpa e presença crescente nos polos produtivos, o IAC busca fortalecer a cadeia brasileira do maracujá. O avanço dependerá da integração entre produtores, assistência técnica, viveiristas, cooperativas e agroindústrias capazes de absorver a produção regional.
Tradicional em países como China, Tailândia e Vietnã, a fruta ainda aparece de forma tímida no mercado brasileiro. Essa raridade, porém, pode funcionar como um dos seus principais atrativos, sobretudo entre produtores que buscam diversificar o cultivo e alcançar públicos interessados em novidades.
O que é a longan e por que ela lembra a lichia – Cientificamente chamada de Dimocarpus longan, a fruta pertence à família das sapindáceas, o mesmo grupo botânico que reúne a lichia e o rambutã. Originária do sul da Ásia, a espécie tem registros de cultivo que ultrapassam dois mil anos e ocupa lugar de destaque tanto na culinária quanto na medicina tradicional chinesa.
O apelido “olho de dragão” resume bem sua aparência: sob uma casca fina e amarronzada, a polpa translúcida envolve uma semente escura, criando um efeito visual que lembra um olho. Cada fruto pesa entre 6 e 19 gramas e tem tamanho próximo ao de uma azeitona grande ou uma uva.
A longan mantém semelhanças visuais e botânicas com a lichia, o que pode facilitar sua apresentação ao consumidor. Mesmo assim, possui identidade própria: o sabor é descrito como doce e levemente almiscarado, com quem já provou comparando a experiência a uma mistura entre lichia e melão.
Sabor doce e ficha nutricional chamam atenção – O sabor delicado e naturalmente adocicado aparece entre os principais pontos de interesse da fruta. A aparência também desperta curiosidade imediata, principalmente entre pessoas que têm contato com o fruto pela primeira vez.
Além do paladar, a longan carrega um perfil nutricional robusto. A cada 100 gramas, a fruta oferece cerca de 84 mg de vitamina C, valor que supera a recomendação diária do nutriente. O fruto também concentra potássio, cobre, magnésio, fósforo, manganês e vitaminas do complexo B, incluindo o ácido fólico. Estudos apontam ainda a presença de compostos antioxidantes, como polifenóis, que contribuem para a proteção das células contra o estresse oxidativo.
A composição baixa em gordura e sódio, somada ao alto teor de açúcares naturais, reforça o apelo da longan como opção de consumo doce e ao mesmo tempo nutritiva. Ainda que pessoas com restrição de açúcar devam consumi-la com moderação.
Um nicho de mercado ainda em formação – Por ainda ser pouco conhecida no país, a longan pode encontrar espaço em mercados que valorizam produtos raros. Feiras especializadas, empórios de luxo, mercados gourmet e restaurantes ligados à alta gastronomia surgem como possíveis caminhos para a comercialização.
O cultivo da fruta acompanha um movimento de produtores que procuram alternativas fora das commodities tradicionais. Em vez de depender apenas de culturas já consolidadas, a introdução de espécies exóticas amplia a variedade dos pomares e abre novas possibilidades de renda.
A raridade do produto ajuda a construir um apelo comercial ligado à exclusividade. Consumidores interessados em sabores diferentes e ingredientes pouco comuns tendem a formar o público inicial desse tipo de cultivo. No cenário internacional, o quadro é distinto: a longan figura entre as frutas tropicais de menor porte com maior volume de produção global, com exportação relevante de polpa seca, suco e conserva para Europa, América do Norte e Austrália. Um indicativo do potencial que o produto ainda pode desenvolver por aqui.
Ainda assim, o mercado brasileiro permanece em fase de formação. Não existem dados consolidados sobre o volume total produzido, a área ocupada pelas plantações ou a comercialização em larga escala no país. Sem números amplos, o cultivo deve ser visto como uma experiência promissora, mas ainda inicial. O avanço dependerá da aceitação dos consumidores e do interesse de outros agricultores em testar a espécie.
Adaptação ao clima brasileiro exige cuidados – A longan precisa de atenção durante todo o ciclo de cultivo até a colheita. O manejo específico da planta faz parte dos desafios enfrentados por quem decide introduzir a fruta em uma propriedade. Na origem, a árvore pode ultrapassar 30 metros de altura, o que também influencia decisões sobre espaçamento e manejo em pomares comerciais.
Experiências de plantio já realizadas indicam que a espécie consegue se adaptar a determinadas condições encontradas no país. Esse resultado inicial aumenta o interesse de produtores que acompanham a expansão de frutas exóticas no Brasil.
A adaptação, no entanto, não garante que o cultivo em grande escala vingue. Como a produção ainda é limitada, o comportamento da cultura precisa ser observado ao longo do tempo, em diferentes regiões e condições de solo e clima.
Potencial comercial e diversificação no campo – A aparência incomum pode ajudar a longan a ganhar destaque em pontos de venda. Em feiras e empórios, a fruta tende a chamar atenção pelo simples fato de ser diferente das opções mais conhecidas pelo consumidor brasileiro.
O sabor doce também favorece a aproximação com o público. A relação com a lichia oferece uma referência conhecida, embora a longan mantenha identidade própria. Restaurantes e estabelecimentos voltados à gastronomia representam outra oportunidade: ingredientes exóticos costumam despertar o interesse de cozinhas que buscam apresentar novas experiências aos clientes.
A presença da longan em propriedades rurais mostra como frutas raras podem integrar estratégias de diversificação. A espécie não precisa substituir culturas tradicionais, mas pode dividir espaço com elas e ampliar o número de produtos oferecidos por um mesmo produtor.
Esse modelo permite testar a aceitação do mercado sem depender exclusivamente de uma cultura ainda pouco conhecida. Caso a procura aumente, o plantio pode ganhar novas áreas e alcançar outros produtores.
Por enquanto, a longan permanece como uma aposta. Seu sabor doce, o visual exótico, a riqueza nutricional e a proximidade com a lichia formam os principais elementos capazes de atrair consumidores. A fruta ainda tem um longo caminho até conquistar presença regular no mercado brasileiro. Mesmo assim, o interesse já despertado mostra que espécies asiáticas pouco conhecidas podem abrir espaço entre agricultores e compradores que procuram alternativas fora do comum.
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