Brasil pode se tornar exportador de fruta típica do Oriente Médio

– Phoenix dactylifera. Créditos: Wikimedia commons

Uma parceria entre o governo da Bahia e os Emirados Árabes Unidos prevê a cooperação técnica para um novo projeto de cultivo no estado brasileiro, com investimento estimado de US$ 4 milhões ao longo de cinco anos.

O plano é plantar, inicialmente, cerca de 10 mil mudas de tamareira, a Phoenix dactylifera, palmeira cultivada sobretudo no norte da África e no sudoeste da Ásia, e em rápida expansão na Bahia devido ao clima quente e seco do semiárido baiano.

Entre municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves, as tamareiras devem ser produzidas com um ciclo médio de três anos até a primeira colheita.

As mudas devem ser importadas dos Emirados Árabes, e cada palmeira pode produzir até 70 kg de tâmaras anualmente após atingir a maturidade.

O acordo para a iniciativa foi assinado entre a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em parceria com a Fundação Zayed, que reúne organizações filantrópicas de sustentabilidade dos EAU, além da Al Foah Company, estatal de Abu Dhabi especializada na produção de tâmaras.

O objetivo é estruturar uma cadeia produtiva capaz de abastecer o mercado nacional e reduzir a dependência de importações. No futuro, as tâmaras também podem se tornar um produto de exportação nacional.

Phoenix dactylifera.
Créditos: Wikimedia commons

Segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a tamareira se desenvolve melhor em regiões com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, alta incidência solar e disponibilidade de irrigação controlada, características do oeste e do norte da Bahia.

Apesar de exigir alta disponibilidade de água durante o desenvolvimento dos frutos, as palmeiras suportam longos períodos de seca graças ao seu sistema radicular profundo.

Neste mês de julho chegaram à Bahia as primeiras 100 mudas importadas dos Emirados Árabes, com 12 variedades diferentes da espécie, que foram enviadas para quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), da Embrapa, em Brasília.

A quarentena pode durar meses, e o objetivo é garantir a segurança dos plantios, que devem ser protegidos de pragas e doenças exóticas e seguir protocolos rigorosos de manejo.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, as importações brasileiras de tâmaras aumentaram mais de 450% na última década: passaram de 776 toneladas para mais de 4,3 mil toneladas anuais.

Além da elevada longevidade da cultura, as tâmaras têm alto valor agregado, mas a demanda brasileira costuma ser atendida por países árabes, como os próprios Emirados, a Tunísia, Israel, a Arábia Saudita e o Egito.

Um dos pilares da cooperação entre os governos da Bahia e dos Emirados Árabes é a transferência de tecnologia, incluindo treinamento de agricultores, assistência técnica contínua e compartilhamento da experiência acumulada por um dos maiores produtores mundiais da fruta, já que a Al Foah Company é considerada uma das maiores produtoras globais do setor.

Caso os testes agronômicos confirmem o bom desempenho das variedades introduzidas, o estado poderá inaugurar a primeira cadeia produtiva de tâmaras em escala comercial do Brasil.

Fonte: Revista Forum

Fonte: CNN

Como os agricultores enfrentam o frio rigoroso e garantem frutas mais doces e hortaliças durante o ano todo nas mesas da Serra

Miguel mantém a produção de pimentões em estufa, mas destacou o alto custo e o cuidado necessário para manter o plantio.Porthus Junior / Agencia RBS

Miguel mantém a produção de pimentões em estufa, mas destacou o alto custo e o cuidado necessário para manter o plantio.Porthus Junior / Agencia RBS

Apesar da chegada do inverno, as baixas temperaturas marcam o período de cultivo de culturas típicas da região de Caxias do Sul, como laranjas e bergamotas, além da produção de hortaliças em estufas que têm alto custo, mas conseguem manter o abastecimento das mesas durante todo o ano. Porém, os agricultores precisam enfrentar os desafios da estação, como a geada, excesso de chuva e a redução da luz solar, o que pode tornar o plantio e a colheita uma “loteria”.

Conforme o extensionista rural da Emater Thompson Didoné, a região da Serra tem propensão a ter uma produção expressiva de citrus (laranja e bergamota) devido aos microclimas, como as variações de temperatura, e, com isso, os frutos ficam mais doces.

— A fruta que está sendo colhida agora está bonita, bem colorida, doce e tem uma diferença grande da que vem de São Paulo, por exemplo. A nossa tem um equilíbrio maior entre açúcar e acidez, que agrada o paladar do consumidor — explica Thompson.

A região também é uma forte produtora de olerícolas, ou seja, verduras, mas a maioria é cultivada em ambiente protegido, como estufas, devido às baixas temperaturas.

— Caxias do Sul e o entorno formam a região de maior produção de olerícolas do Estado. Então, temos produção de alface, brócolis, cenoura, mas a maioria sob cultivo protegido, ou seja, em estufas, porque são regiões sujeitas a geada e, evidentemente, as plantas são prejudicadas — comenta.

Porém, Thompson explicou que as estações meteorológicas vêm ajudando o produtor a ter mais controle da produção, principalmente na questão das horas-frio.

— A questão da geada não tem muita solução: ou está em estufa ou não há muito o que fazer. Mas o grande benefício das estações meteorológicas agora no inverno é que elas marcam a quantidade de horas-frio abaixo de 7,2°C ou abaixo de 10°C, porque esse acúmulo de horas-frio é necessário para que haja uma excelente brotação, falando em frutíferas, na primavera. Se não houve o acúmulo de horas-frio necessário, então o agricultor tem que adotar um manejo diferente e, sendo assim, consegue salvar a sua produção — esclareceu.

Plantações em estufas: uma produção com “mais presença”

Porthus Junior / Agencia RBS
Miguel Pedrotti produz pimentões em estufas há mais de anos.Porthus Junior / Agencia RBS

Para o produtor Miguel Pedrotti, 64, a renda vem das vendas no Ponto de Safra de verduras mantidas em estufas, como pimentões, alface, couve-flor, temperos e outras variedades. Com a ajuda da esposa, Margarete Salvador Pedrotti, 66, ambos cuidam da propriedade, localizada em Ana Rech.

Segundo Pedrotti, a escolha da produção em estufas foi devida ao fato de a região ser muito chuvosa. Apesar do alto custo de manutenção, que pode chegar a R$ 5 mil somente para a troca dos plásticos, o produtor explicou que, dessa forma, é possível ter mais controle da plantação e evitar a perda das hortaliças.

— A estufa é boa, em primeiro lugar, pela proteção contra a chuva. Não é nem tanto pelo frio, mas a alface, por exemplo, se recebe excesso de chuva em um dia, começa a apodrecer porque não há controle da quantidade de água que está recebendo. Com a estufa, uso o sistema de gotejo, controlo a adubação e, assim, consigo manter a produção — explica.

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A produção em estufas é mais cara, mas mantém a produção protegida.

Porthus Junior / Agencia RBS

O agricultor também acredita que a cultura em estufas significa “mais presença” e, com isso, as hortaliças rendem mais.

— É uma cultura com mais presença. Ela forma, como um pé de alface, uma planta superior à produzida a céu aberto, mais vigorosa e mais saudável, com menos necessidade de tratamentos — diz Pedrotti.

Além disso, Pedrotti explicou que o inverno colabora para que os produtos sejam ainda mais ecológicos, pois o frio afasta os insetos e, com isso, não há tanta necessidade de fazer tratamentos com agrotóxicos.

— Os pimentões que estou colhendo agora eu não trato há meses. Como chegou o inverno, os insetos não atacam, então não faço tratamento, apenas adubação e irrigação, tudo de forma mais natural — comentou.

Porthus Junior / Agencia RBS
Margarete auxilia o marido nas plantações, mas foca na organização dos produtos para a feira.Porthus Junior / Agencia RBS

Porém, nem tudo é perfeito. A geada é um dos maiores inimigos das plantações na Serra. Mesmo com a proteção das estufas, elas ainda são atingidas e é preciso torcer para que o próprio tempo colabore para que sobrevivam.

— O que queima as plantas é quando amanhece, vem o sol e há geada sobre elas. Aí o sol bate e queima a folha. Sei que seria melhor que as estufas fossem fechadas ao redor, porque o calor fica retido e a planta se desenvolve muito melhor. Só que isso favorece os insetos pelo excesso de calor e, então, exige mais tratamentos, tornando a estrutura mais cara de manter. Meu foco foi mais proteger da chuva mesmo — explica Pedrotti.

Mais doces e em grande quantidade

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Sérgio Damin trabalha com diversas variedades de citrus em sua propriedade.

Neimar De Cesero / Agencia RBS

Com mais de cinco variedades de bergamota e quatro de laranja, o produtor Sérgio Damin, 72, trabalha com a família em uma propriedade de Santa Lúcia do Piaí. Segundo Damin, são os produtos que mais vendem no Ponto de Safra durante o inverno.

— Vendemos bem na feira. Começa agora e vamos até novembro, porque depois entram as variedades mais tardias. E, por causa da variação de temperatura, a fruta aqui da Serra ganha mais cor e mais sabor, ficando bem mais docinha — comenta Damin.

Mesmo sem realizar muitos tratamentos, optando por um cultivo mais ecológico, Damin ainda tem bastante resultado, colhendo de 25 a 30 caixas de frutas por semana.

— O tratamento é pouco. Não aplico muito produto para não deixar cheiro e, no fim, a fruta fica mais ecológica, podendo ser consumida por pessoas de todas as idades — afirma.

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Como as verduras são plantadas fora das estufas, a geada e outras intempéries do tempo prejudicam consideravelmente a produção de Damin.Neimar De Cesero / Agencia RBS

Damin também planta verduras, como alface e alho-poró, mas optou por uma produção menor e a céu aberto. Diferentemente das frutas, que são beneficiadas pelo frio, isso não acontece nesse modelo de plantio.

— Aqui plantamos a céu aberto, então a geada já estragou alguns pés de alface. Qualquer friozinho e ela estraga, além da pouca luz e das noites mais longas. Tudo isso prejudica, mas mantemos essa produção para ter mais variedades na feira — frisou.

No entanto, isso não impacta diretamente na renda da família. Como já estão acostumados com a rotina, tudo é adaptado ao período.

— Não sobra dinheiro, porque hoje, na lavoura, o produtor, se conseguir se manter, já é uma vitória. Mas a gente dá um jeito, aperta o cinto aqui e segue em frente. As vendas variam, mas sempre dividimos os custos e depois os lucros, e está dando certo. Eu até vendia na Ceasa também, mas depois que começaram as notas fiscais eletrônicas ficou muito complicado e desisti — comentou.

Neimar De Cesero / Agencia RBS
Os pomares ficam carregados nesta época do ano. Damin consegue colher de 25 a 30 caixas por semana.Neimar De Cesero / Agencia RBS

O peso no bolso de quem compra o produto final

Conforme o coordenador de Mercado da Ceasa Serra, Renan Rech, devido ao inverno, o custo dos produtos mais comuns no verão aumenta quase 250% neste período, como o tomate longa vida. Em janeiro de 2026, a caixa de 20 quilos custava R$ 54. Já em junho, o custo do mesmo peso chegou a R$ 190 (confira a tabela abaixo).

— Dentre os quase 300 produtos que cotamos semanalmente, aqueles que apresentam maior variação, por serem culturas de risco no inverno e, por isso, cultivados em ambiente protegido, têm custo de produção mais elevado. É o caso da abobrinha italiana (soquete), pimentão (verde e colorido), tomates (longa vida, gaúcho, saladete e cereja), morango e vagem (verde e amarela). Também se destacam as culturas de cenoura, beterraba, couve-flor e brócolis, que neste período do ano apresentam alta em seus valores — explicou.

Fonte: CNN

Dia Mundial da Fruta reforça protagonismo do Brasil na produção, exportação e promoção da alimentação saudável

Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta destaca a importância de um dos alimentos mais completos para uma alimentação equilibrada e evidencia o papel estratégico do Brasil na produção e no abastecimento de mercados nacionais e internacionais. Terceiro maior produtor de frutas do mundo, o país reúne condições climáticas privilegiadas, diversidade de biomas, tecnologia no campo e produtores altamente qualificados, que garantem uma oferta diversificada de frutas frescas durante praticamente todo o ano.

A fruticultura brasileira movimenta uma cadeia produtiva que gera cerca de 5 milhões de empregos diretos e indiretos, ocupa aproximadamente 2,5 milhões de hectares com produção anual de aproximadamente 45 milhões de toneladas de frutas, demonstrando relevância econômica, social e ambiental.

Além de abastecer o mercado interno, o Brasil amplia sua presença no comércio internacional. Em 2025, as exportações brasileiras de frutas ultrapassaram 1,2 milhões de toneladas, gerou receita superior a US$ 1,4 bilhões, o maior valor já registrado pelo setor. O desempenho reforça a competitividade da fruticultura nacional e a qualidade das frutas brasileiras, reconhecidas em mercados exigentes como União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.

Embora seja um dos maiores produtores mundiais, o Brasil ainda possui grande potencial de crescimento nas exportações. Atualmente, ocupa posição de 24ª exportador no ranking mundial, o que evidencia que a abertura de novos mercados, os investimentos em logística e o fortalecimento das ações de promoção internacional podem ampliar significativamente a participação brasileira no comércio global de frutas.

Saudabilidade impulsiona o consumo

Mais do que sabor, praticidade e diversidade, as frutas ganham espaço por estarem diretamente associadas à saúde e à qualidade de vida. Esse movimento foi evidenciado pela pesquisa “Tendências do Varejo 2026”, apresentada durante a APAS Show, que identificou a saudabilidade como a principal tendência de consumo entre os brasileiros.

O estudo mostra que os consumidores brasileiros estão reformulando seus hábitos alimentares, com maior valorização de alimentos naturais, saudáveis e funcionais, ao mesmo tempo em que reduzem o consumo de produtos com alto teor de açúcar. O movimento reforça o protagonismo das frutas como alimentos naturais, nutritivos e alinhados às novas demandas do mercado.

As frutas atendem diretamente às novas demandas do consumidor moderno, que busca alimentos com origem conhecida, produção sustentável, qualidade e benefícios nutricionais, consolidando-se como protagonistas da alimentação saudável.

Frutas brasileiras conquistam o mundo

Para a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), o Dia Mundial da Fruta também representa uma oportunidade para destacar a força da fruticultura nacional no cenário internacional.

O Brasil exporta frutas como manga, melão, limão, mamão, uva, melancia, abacate e diversas frutas tropicais para mais de uma centena de mercados, levando ao mundo produtos reconhecidos pela qualidade, segurança fitossanitária e sustentabilidade.

A expansão das exportações reflete o compromisso dos produtores brasileiros com inovação, rastreabilidade, responsabilidade socioambiental e atendimento às exigências dos consumidores internacionais.

Consumo de frutas é investimento em saúde

Organizações nacionais e internacionais de saúde recomendam o consumo diário de frutas como parte de uma alimentação equilibrada. Além de contribuírem para o fortalecimento do sistema imunológico, as frutas auxiliam na prevenção de doenças crônicas, promovem a saúde intestinal, ajudam na hidratação e oferecem nutrientes essenciais para todas as fases da vida.

Neste Dia Mundial da Fruta, a Abrafrutas reforça a importância de incluir frutas diariamente na alimentação e celebra o trabalho dos milhares de produtores que fazem do Brasil uma referência mundial em diversidade, qualidade e sustentabilidade na produção de frutas.

 

As 3 frutas que já somam 100 mil toneladas de produção em todo MS

Melancia, laranja e banana colocam Mato Grosso do Sul entre os estados que vêm ampliando a produção de frutas no país. Juntas, as três culturas somam cerca de 100 mil toneladas produzidas no estado, segundo dados do Sistema Famasul divulgados neste 1º de julho, Dia Mundial da Fruta.

Fonte: CNN

Nova regulamentação europeia sobre embalagens sustentáveis mobiliza setor de frutas e será tema de workshop

A crescente demanda por práticas sustentáveis e a adoção de regras mais rígidas por parte dos mercados internacionais têm imposto novos desafios ao agronegócio brasileiro, especialmente para os exportadores de frutas. Nesse contexto, a União Europeia aprovou a Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR) – Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens-, uma legislação abrangente que estabelece critérios mais rigorosos para tornar as embalagens mais sustentáveis, reduzir a geração de resíduos e impulsionar a economia circular ao longo de todo o ciclo de vida dos materiais.

As novas regras terão impacto direto nas cadeias produtivas que exportam para o mercado europeu, exigindo atenção e preparação por parte de produtores, exportadores e empresas ligadas ao setor.

Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o tema e orientar o setor sobre as mudanças regulatórias, a empresa Da Colheita, linha da Termotécnica voltada ao agronegócio, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e a empresa alemã PACOON Sustainability Concepts, o Workshop Agro: PPWR e seus impactos no setor de frutas.

O evento será realizado de forma online e gratuita amanhã, dia 1º de julho, às 9 horas, e reunirá especialistas para discutir as principais diretrizes da regulamentação, seus desdobramentos para o comércio de frutas e os caminhos para a adaptação do setor às novas exigências.

A programação contará com a participação de Nivaldo Fernandes de Oliveira, diretor-superintendente da Termotécnica; Tânia Dias da Costa, gerente de Projetos da PACOON Sustainability Concepts; e Jorge Souza, gerente Técnico & Projetos da Abrafrutas.

Para a Abrafrutas, acompanhar as transformações regulatórias e antecipar tendências é fundamental para manter a competitividade da fruticultura brasileira no mercado internacional.

“O mercado internacional está cada vez mais atento às questões relacionadas à sustentabilidade e à circularidade das embalagens. Entender a PPWR e seus impactos é essencial para que os produtores e exportadores brasileiros estejam preparados para atender às novas exigências e continuem ampliando sua presença no mercado da União Européia”, destaca Jorge Souza, gerente técnico de Projetos da Abrafrutas.

Segundo Nivaldo Fernandes de Oliveira, o workshop será uma oportunidade para que os participantes ampliem conhecimentos e compreendam as mudanças que podem influenciar o mercado. “Será uma oportunidade para trocar ideias e entender melhor as transformações que podem impactar o setor e os negócios nos próximos anos”, afirma.

Um minikiwi satisfaz muita gente: frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

o tamanho de uma framboesa: Minikiwis conquistam espaço no mercado — Foto: Divugação/Viveiro Frutopia

A mudança do perfil dos lares brasileiros, com famílias menores, rotina acelerada e muitas pessoas vivendo sozinhas, tem mudado o perfil de consumo em diferentes segmentos. A transformação não se restringe à diminuição dos volumes de compras: no caso das frutas, a mudança tem sido sinônimo, também, de “encolhimento” dos produtos.

Versões em miniatura de frutas como kiwi, pera, maçã, banana-ouro e laranja kinkan são um dos reflexos do novo perfil demográfico do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um de cada cinco domicílios no país tem só um morador, e, nesta década, as famílias compostas por casais com filhos passaram a representar, pela primeira vez, menos da metade do total de famílias do país: a fatia, que era de 56,4% em 2000, passou a ser de 42% em 2022.

Fonte: CNN

SP registra primeira variedade brasileira do limão caviar, fruta que pode atingir R$ 1,2 mil o quilo

Foto: Divulgação/Agência SP.

O Estado de São Paulo passou a contar com a primeira variedade brasileira de limão caviar registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC). Desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), a cultivar Faustrime foi registrada em 2023 e deve chegar ao mercado ainda este ano.

Originário da Austrália, o limão caviar tem espaço na alta gastronomia e pode alcançar preços entre R$ 400 e R$ 1.200 o quilo, dependendo da oferta, da demanda e da qualidade do fruto.

Fruto tem polpa em forma de “pérolas”

Foto: Divulgação/Agência SP.

Diferentemente dos limões convencionais, o limão caviar não concentra o suco em gomos. Sua polpa é formada por pequenas vesículas que lembram ovas de peixe, característica que deu origem ao nome da fruta.

“Ao contrário de outros citros, o caviar não possui suco, por isso sua destinação à alta gastronomia para finalização de receitas. Sua polpa tem pequenas vesículas que se parecem com o caviar e quando consumidas estouram na boca e liberam um sabor levemente ácido. As cores da casca e da polpa podem variar em tonalidades entre marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado”, explica a pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), Marinês Bastianel, em nota.

Conhecido internacionalmente como finger lime, ou “lima de dedo”, o fruto pertence à espécie Microcitrus australasica, da mesma família das frutas cítricas, embora seja diferente dos limões Siciliano e Tahiti, que pertencem ao gênero Citrus.

Gastronomia impulsiona demanda

O limão caviar vem sendo incorporado aos cardápios de restaurantes, principalmente na finalização de pratos. Para o sushi chef Allan Beckmann, do restaurante Satori Omakase, o ingrediente contribui para diferentes combinações gastronômicas.

“A textura dele, quase lúdica, dialoga naturalmente com preparos que valorizam pureza, contraste e precisão. Como no omakase, ele pode ser mais do que um acabamento bonito, torna-se um elemento de linguagem. Ao lado de um peixe branco, de uma vieira ou de um niguiri cuidadosamente montado, ele realça o sabor sem encobrir a identidade do ingrediente principal.”

Segundo o chef, o fruto amplia as possibilidades de composição dos pratos e atende à procura por ingredientes que combinam sabor, textura e apresentação.

Nova opção para os citricultores

Foto: Divulgação/Agência SP.
Foto: Divulgação/Agência SP.

O IAC avalia que a cultivar Faustrime pode abrir novas oportunidades para produtores brasileiros interessados em atender nichos de mercado.

A comercialização deve ter como foco as capitais brasileiras, enquanto, no mercado internacional, o consumo já ocorre em países da União Europeia, nos Estados Unidos e no Japão.

O material foi selecionado a partir do Banco de Germoplasma de Citros do Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis (SP), considerado o maior do mundo, com cerca de 1.700 materiais genéticos provenientes de diferentes países.

Segundo Marinês Bastianel, o limão caviar apresenta produção precoce e pode ser colhido a partir do segundo ano após o plantio. O maior potencial produtivo, porém, é alcançado a partir do quarto ano.

“As características das árvores são bem diferentes de outros citros e apresentam muitos espinhos nos pés, o que exige maior cuidado do produtor durante a colheita. As plantas possuem, ao longo do ano, múltiplas floradas resultando nos frutos”, afirma.

Pesquisa também mira o combate ao greening

Além do potencial comercial, o limão caviar tem despertado interesse em programas de melhoramento genético da citricultura.

Pesquisas realizadas em diferentes países indicam que espécies do gênero Microcitrus apresentam tolerância ao greening (HLB), doença que afeta pomares de citros.

“Vimos vários estudos em países que estão produzindo novas combinações de porta-enxerto que tenham tolerância ao HLB (greening). Nesse caso, o ideal é adotar um sistema que combine porta-enxerto e a copa da planta tolerantes à doença”, diz Marinês Bastianel.

Além da pesquisa desenvolvida pelo IAC, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo atua na certificação fitossanitária e no controle do trânsito vegetal por meio da Defesa Agropecuária, com ações voltadas à produção e à comercialização da cultura.

Fonte: Canal Rural

Fonte: CNN

Itaipava celebra o São João e reforça sua conexão com a cultura nordestina em campanha nacional

Marketing/Grupo Petrópolis

O São João movimenta cidades, reúne gerações e mantém vivas algumas das tradições mais importantes da cultura brasileira. Para celebrar esse patrimônio cultural, a Itaipava, marca do Grupo Petrópolis, apresenta sua campanha para o São João em 2026, ampliando sua presença nos principais festejos juninos do país por meio de experiências exclusivas, conteúdo proprietário, ativações especiais e ações de branded content desenvolvidas pela WMcCANN.

Dando continuidade à plataforma criada em 2025, neste ano, a marca reforça sua conexão com o público a partir do conceito “A sede de São João pede Itaipava com orgulho”. A mensagem traduz a forma como a festa está presente na identidade, nas memórias e nos costumes de milhões de brasileiros, especialmente no Nordeste.

A campanha amplia a narrativa construída em 2025 por meio dos filmes, estrelados por Ivete Sangalo, agora atualizados com a mensagem de conscientização #NuncaAssedie e acompanhados da edição especial da lata comemorativa de São João. A estratégia contempla diferentes pontos de contato com o consumidor, incluindo mídia digital, OOH, ações proprietárias, conteúdos em tempo real e uma ampla cobertura das celebrações sob o olhar de quem vive a festa de perto.

Entre os destaques da programação está a presença de Itaipava no São João da Thay, realizado em Imperatriz (MA), um dos eventos de maior visibilidade do calendário junino. A marca promoveu experiências exclusivas para convidados e criadores de conteúdo, incluindo um sunset especial e uma série de ações que acompanham toda a jornada do público desde o esquenta até os momentos mais emblemáticos do evento.

Já no tradicional São João de Petrolina, Itaipava homenageará personagens fundamentais da cultura junina, como os sanfoneiros que mantêm viva a tradição da festa. A campanha se apoia no território de orgulho das tradições nordestinas e transforma esse sentimento em uma série de experiências de marca, conteúdos proprietários e coberturas em tempo real.

Dividida entre esquenta, festança e pós-evento, a ação combina ativações com a presença de influenciadores nacionais e regionais, como Nicole Bahls e Álvaro, que fazem parte do Squad Itaipava, e a própria Ivete Sangalo, além de ações de branded content. O objetivo é posicionar Itaipava como uma marca que não apenas patrocina a festa, mas que vive e amplifica, com autenticidade, a cultura, os costumes e o orgulho de quem faz o São João acontecer.

“A campanha de 2026 nasce da evolução de uma narrativa que começou no ano passado e que encontrou uma conexão genuína com o público. Queríamos ampliar esse território de orgulho e mostrar que o São João não é apenas uma festa que acontece em junho, mas algo que vive nas pessoas durante todo o ano. Por isso construímos uma jornada que combina cultura, entretenimento, conteúdo e experiências para celebrar essa relação de forma autêntica e relevante”, afirma Raphael Borges, CCO da WMcCANN.

O público poderá encontrar diversos bares de Itaipava espalhados pelo evento, em diferentes áreas, ativações interativas, um estúdio exclusivo, espaços instagramáveis, além do tradicional bar suspenso, atração famosa por oferecer a possibilidade de brindar em uma vista privilegiada da celebração.

“O São João é uma das manifestações culturais mais importantes do Brasil e ocupa um lugar muito especial na história de Itaipava. Em 2026, queremos ir além da celebração da festa e reforçar o orgulho de tudo o que ela representa: as pessoas, as tradições, a música, a cultura e o sentimento de pertencimento que atravessa gerações. Nossa campanha nasce desse respeito pela cultura e pela vontade de estar presente de forma autêntica em um momento tão significativo para os brasileiros”, diz Diego Santelices, Head de Comunicação e Mídia do Grupo Petrópolis.

Itaipava estará presente ainda nas celebrações juninas e julinas de Araripina, Surubim e Carpina (PE), Serrinha e Berimbau (BA), Bananeiras e Sousa (PB), Maceió (AL), Caicó (RN) e São João de São Paulo e São Julhão (SP), fortalecendo a lembrança da marca quando o assunto é São João brasileiro.

Abrafrutas debate desafios globais e oportunidades de crescimento da fruticultura na PEC Brasil 2026

Em um cenário marcado por conflitos geopolíticos, mudanças nas relações comerciais internacionais, desafios climáticos e novas exigências dos mercados consumidores, a fruticultura brasileira tem sido chamada a repensar estratégias e fortalecer sua capacidade de adaptação. As incertezas dos grandes acontecimentos mundiais impactam diretamente o agronegócio, influencia custos de produção, logística, acesso a mercados e a competitividade das exportações.

Diante desse contexto, o tema “Panorama da fruticultura brasileira diante das incertezas dos grandes acontecimentos mundiais” será um dos destaques da programação da PEC Brasil 2026. O assunto será abordado por Eduardo Brandão, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), durante participação no evento.

A palestra trará uma análise sobre os principais desafios e oportunidades para a fruticultura nacional, abordará as perspectivas do mercado internacional, o comportamento do consumo, as tendências de sustentabilidade e os caminhos para ampliar a presença das frutas brasileiras no comércio global.

Para a Abrafrutas, discutir o cenário internacional é essencial para preparar o setor para um ambiente cada vez mais dinâmico e competitivo.

“Apesar das incertezas globais, a fruticultura brasileira segue demonstrando resiliência e capacidade de crescimento. O Brasil reúne condições únicas de produção e possui grande potencial para ampliar sua participação nos mercados internacionais, desde que esteja atento às transformações econômicas, climáticas e comerciais que impactam o setor”, destaca Brandão.

A Abrafrutas tem como um dos compromissos institucionais promover debates sobre temas estratégicos para a cadeia produtiva, de forma que aproxima produtores, empresários, pesquisadores e demais agentes do setor em torno de soluções que fortaleçam a fruticultura brasileira.

Considerado um dos maiores eventos do agronegócio do Norte e Nordeste, a PEC Brasil reúne anualmente milhares de participantes, e se consolida como um importante espaço para a difusão de conhecimento, troca de experiências e discussão de temas relevantes para o desenvolvimento do agro brasileiro.

Entre tarifas dos EUA e oportunidades na Europa e Ásia, Abrafrutas projeta US$ 2 bilhões em exportações de frutas brasileiras

A estratégia de diversificação também inclui mercados de menor porte, mas com potencial de crescimento. Segundo Brandão, o Brasil abriu recentemente o mercado da Costa Rica para o caqui paulista e já realizou os primeiros embarques da fruta.

“Abrimos em 4 meses e já exportamos Caqui Paulista para Costa Rica.”

Dependência de poucos mercados preocupa

Apesar das perspectivas positivas, a Abrafrutas avalia que a concentração das exportações em poucos destinos ainda representa um risco para o setor.

Atualmente, cerca de 70% das vendas externas têm como destino a União Europeia, enquanto o Reino Unido responde por aproximadamente 15% e os Estados Unidos por cerca de 12%.

“Se somar esses três aí, vai dar mais ou menos 80 e poucos por cento concentrado em três destinos. Para mim isso é um risco.”

Por isso, a abertura de novos mercados passou a ocupar posição estratégica dentro da entidade.

Logística ainda limita competitividade do Brasil

Além das barreiras comerciais, a logística continua sendo um dos principais desafios para o avanço das exportações brasileiras de frutas.

Segundo Brandão, os exportadores enfrentam dificuldades relacionadas aos custos de transporte, à disponibilidade de embarques e à dependência de rotas compartilhadas com outros tipos de cargas.

Como o volume exportado pelo Brasil ainda é inferior ao de concorrentes como Chile e Peru, os embarques de frutas normalmente ocupam apenas parte dos contêineres transportados pelos navios.

Na prática, isso reduz o poder de negociação dos exportadores brasileiros junto aos armadores. Em alguns casos, mesmo após o agendamento da carga, alterações operacionais podem impedir o embarque dos contêineres previstos, obrigando produtores a redirecionar a produção ao mercado interno e comprometendo relações comerciais construídas ao longo de anos com compradores internacionais.

O transporte aéreo surge como alternativa para produtos de maior valor agregado ou com menor vida útil, mas os custos são significativamente mais elevados. Enquanto o frete marítimo para a Europa gira em torno de US$ 0,58 por quilo, o transporte aéreo pode superar US$ 1,80 por quilo, reduzindo as margens dos exportadores.

O cenário reduz a competitividade do Brasil frente a concorrentes como Chile e Peru, que operam volumes maiores e contam com estruturas logísticas mais eficientes para atender mercados estratégicos, especialmente na Ásia.

A localização geográfica também favorece esses países em algumas rotas internacionais. Situados na costa do Pacífico, Chile e Peru possuem acesso mais rápido aos mercados asiáticos e embarcam volumes suficientes para operar navios dedicados ao transporte de frutas, sem depender de rotas compartilhadas com outros segmentos.

Para ilustrar a diferença de competitividade, Brandão faz uma comparação direta entre os principais exportadores da América do Sul. Segundo o executivo, os US$ 1,45 bilhão exportados pelo Brasil em frutas em 2025 equivalem aproximadamente ao faturamento obtido pelo Chile apenas com as exportações de cereja e pelo Peru somente com avocado, evidenciando o espaço para crescimento da fruticultura nacional.

A entidade também acompanha projetos de infraestrutura voltados à ampliação da competitividade logística do setor. Entre eles está a Rota Bioceânica, corredor que pretende conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos no Pacífico, reduzindo distâncias para mercados asiáticos. A expectativa é que iniciativas desse tipo contribuam para diminuir custos e ampliar a presença das frutas brasileiras em países como China, Japão e Coreia do Sul.

Fonte: Agrofy News

 

Fonte: CNN