O Hospital Dom Malan em Petrolina, pertencente à rede estadual de saúde no Sertão de Pernambuco, concluiu nesta sexta-feira(27), mutirão de consultas para acelerar o atendimento especializado na unidade.
As ações começaram na última terça-feira(24), com foco total em Mastologia. Ao todo, foram realizadas 30 consultas especializadas, garantindo que pacientes em acompanhamento ou diagnóstico, tivessem seu acesso garantido a essa especialidade vital para a saúde da mulher.
Outra ação importante da semana de mutirão foi direcionada ao Planejamento Familiar. 30 consultas foram disponibilizadas, oferecendo orientação, suporte e procedimentos necessários para as famílias.
“Essas iniciativas reforçam o compromisso da gestão em humanizar o atendimento e, acima de tudo, garantir que o tempo de espera não seja um obstáculo para o cuidado preventivo e curativo. O trabalho não para, e a meta permanece: transformar a vida de quem mais precisa por meio de uma saúde eficiente e acessível,” destacou o diretor médico do HMD Ismep, Danilo Kauer Brito.
A Prefeitura de Petrolina inicia, nesta terça-feira (24), o cadastro para aplicação do Anticorpo Monoclonal Nirsevimabe em crianças prematuras menores 6 meses de vida e menores de dois anos com comorbidades. A medida será necessária para crianças prematuras nascidas entre agosto de 2025 e janeiro de 2026 e menores de 24 meses que apresentem comorbidades, o laudo médico deve ser levado. A aplicação do imuno será feita por agendamento após comprovação que a criança se encaixa nos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Entre as comorbidades indicadas estão: cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP), imunocomprometimento grave (inato ou adquirido), fibrose cística, doenças neuromusculares graves, Síndrome de Down, além de anomalias congênitas das vias aéreas e outras doenças pulmonares graves.
O cadastro será realizado por meio da Secretaria Municipal de Saúde e segue as orientações repassadas pelo Ministério da Saúde. O imuno é indicado para prevenir infecções causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável por casos de pneumonia e bronquiolite em bebês e crianças pequenas.
A entrega da documentação deve ser realizada na Unidade Básica de Saúde Amália Granja, localizada na Rua Irmã Maria A. Souza, nº 389, no bairro Vila Mocó. Para efetuar o cadastro, é necessário apresentar Cartão do SUS, CPF e/ou Certidão de Nascimento da criança, comprovante de residência, caderneta de vacinação, peso corporal atualizado e laudo médico contendo o CID.
A Secretaria de Saúde reforça que a iniciativa tem o objetivo de prevenir as formas graves da doença, reduzir a necessidade de internações, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), e diminuir a sobrecarga dos serviços de saúde para estas doenças.
O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).
Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.
Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).
O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo.
“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.
Brasil em destaque
O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.
Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.
A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.
Tipos de pesticidas
Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.
O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.
Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.
Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.
Meta global distante
O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.
Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.
Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.
Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.
Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.
Com a chegada do verão, o aumento das temperaturas, das chuvas intensas e da circulação de pessoas cria um cenário favorável para diversas doenças típicas da estação. Infecções como leptospirose, conjuntivite viral, gastroenterites, micoses e enfermidades transmitidas por mosquitos têm maior incidência entre dezembro e março. Segundo a médica infectologista Silvia Fonseca, docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), a prevenção é o principal recurso para reduzir riscos e evitar complicações que podem se agravar rapidamente.
A especialista explica que o período chuvoso é especialmente crítico para a leptospirose, doença causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de roedores. “O contato com água contaminada é a principal forma de transmissão. Qualquer pessoa que caminhe por ruas alagadas ou tenha contato com enchentes está exposta”, afirma Silvia Fonseca. Ela alerta que sintomas como febre, dor muscular intensa, dor de cabeça e icterícia exigem avaliação médica imediata.
Outro problema comum no verão é a conjuntivite viral, altamente contagiosa e favorecida pela combinação de ambientes fechados, piscinas lotadas e maior contato entre as pessoas. “Lavar bem as mãos, evitar coçar os olhos e não compartilhar toalhas ou maquiagens são medidas simples que ajudam a conter a transmissão”, orienta a infectologista.
As gastroenterites também costumam aumentar na estação, impulsionadas por alimentos mal-conservados e água contaminada. Segundo Silvia Fonseca, manter rigor na higiene dos alimentos, consumir água potável e evitar refeições expostas ao calor por longos períodos são atitudes fundamentais para prevenir intoxicações e infecções intestinais.
Além disso, o verão é marcado pelo avanço de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya. “Eliminar focos de água parada é uma responsabilidade coletiva. Pequenos recipientes esquecidos em quintais, calhas, lajes e vasos podem se tornar criadouros do Aedes aegypti”, destaca.
Para a docente do IDOMED, a chave para um verão mais seguro está na prevenção cotidiana. Ela recomenda lavar bem as mãos, evitar contato com enchentes, usar repelente, manter as vacinas em dia e redobrar os cuidados com higiene e
hidratação. “Quando as pessoas entendem os riscos associados às chuvas, ao calor e às aglomerações, conseguem adotar hábitos que diminuem significativamente a circulação de doenças”, conclui.
Um estudo internacional sobre mortes por câncer no mundo estima que 43,2% dos óbitos provocados pela doença no Brasil poderiam ser evitados com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento.A pesquisa estima que,dos casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção. Dessas, 109,4 mil poderiam ser evitadas.
O estudo Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo faz parte da edição de março da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas internacionalmente. O artigo está disponível na internet.
O trabalho é assinado por 12 autores, oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França.
Os pesquisadores dividem as quase 110 mil mortes por câncer evitáveis no Brasil em dois grupos: 65,2 mil são preveníveis, ou seja, a doença poderia nem ter ocorrido, e as outras 44,2 mil são classificadas como evitáveis por diagnóstico precoce e acesso adequado a tratamento.
Mundo
O levantamento apresenta um olhar global sobre mortes por câncer. O estudo apurou informações sobre 35 tipos de câncer em 185 países.
Em termos mundiais, o percentual de óbitos evitáveis é de 47,6%. Isso representa que, dos 9,4 milhões de mortes causadas pela doença, quase 4,5 milhões poderiam não ter acontecido.
O grupo de pesquisa detalha que, do total de mortes, uma em cada três (33,2%) é prevenível, e 14,4% poderiam não acontecer caso houvesse diagnóstico precoce e acesso a tratamento.
Ao estimar quantas mortes poderiam ser evitadas por medidas de prevenção, os pesquisadores apontam cinco fatores de risco:
tabaco;
consumo de álcool;
excesso de peso;
exposição à radiação ultravioleta;
e infecções (causadas por vírus como o do HPV e o da hepatite e pela bactéria Helicobacter pylori).
Disparidades
Ao comparar países, regiões geográficas e nível de desenvolvimento, o estudo identifica disparidades ao redor do mundo.
Os países do norte da Europa apresentam percentual de mortes evitáveis bem próximo de 30%. O mais bem posicionado é a Suécia (28,1%), seguido por Noruega (29,9%) e Finlândia (32%). Isso significa que, de cada dez mortes, apenas três poderiam ser evitadas.
Já no outro extremo, as dez maiores proporções de mortes evitáveis estão em países africanos. A pior situação é em Serra Leoa (72,8%). Em seguida, figuram Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%).
Nesses países, sete em cada dez mortes poderiam ser evitadas com mais prevenção, melhor diagnóstico e acesso a tratamento.
Menores índices de mortes evitáveis:
Austrália e Nova Zelândia: 35,5%;
Norte da Europa: 37,4%;
América do Norte: 38,2%.
Maiores proporções:
África Oriental: 62%;
África Ocidental: 62%;
África Central: 60,7%.
A América do Sul tem 43,8% de mortes por câncer evitáveis, indicador bem parecido com o do Brasil.
IDH
As desigualdades também aparecem quando os países são agrupados por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um indicador da Organização das Nações Unidas (ONU) que leva em consideração os níveis de saúde, educação e renda.
Nos países de baixo IDH, que significa pior qualidade de vida, seis em cada dez (60,8%) mortes por câncer poderiam ter sido evitadas.
A pesquisa revela que no grupo de países com baixo e médio IDH, o câncer de colo de útero é o primeiro na lista de mortes evitáveis.
Já nos grupos de IDH alto e muito alto, esse tipo de câncer sequer aparece entre os cinco principais tipos da doença em número de mortes evitáveis.
Outra forma de enxergar a disparidade entre os países é a diferença entre as taxas de mortalidade por câncer do colo do útero. Em países com IDH muito alto, a proporção é de 3,3 de vítimas da doença a cada 100 mil mulheres. Já nos de IDH baixo, essa relação sobe para 16,3 por 100 mil.
Tipos de câncer
O estudo publicado na The Lancet estima que 59,1% das mortes evitáveis são relacionadas aos cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero.
Quando se observa apenas os casos de câncer que poderiam ser evitados por medidas preventivas, o maior causador do óbito é o câncer de pulmão. Foram 1,1 milhão de mortes, correspondendo a 34,6% de todas as mortes preveníveis por câncer.
Já o câncer de mama nas mulheres foi o que teve mais mortes tratáveis, ou seja, pessoas que poderiam sobreviver recebendo diagnóstico no tempo certo e acesso a tratamento adequado. Foram 200 mil, o que representa 14,8% de todas as mortes em casos tratáveis.
Combate
Os pesquisadores apontam caminhos para diminuir o número de mortes evitáveis. Um deles é a realização de campanhas e ações que diminuam a incidência do tabagismo e do consumo de álcool, além de aumento de preço desses produtos, como forma de desestimular o consumo.
O estudo direciona atenção também ao excesso de peso. “O crescente número de pessoas com excesso de peso representa desafios consideráveis para a saúde global”, apontam os autores.
Eles sugerem iniciativas como intervenções “que regulam a publicidade, a rotulagem e [majoração] de impostos sobre alimentos e bebidas não saudáveis”.
Os autores apontam ainda a necessidade de focar em metas relacionadas à detecção do câncer de mama.
“Alcançar as metas da OMS de que pelo menos 60% dos cânceres de mama sejam diagnosticados nos estágios um ou dois [escala que vai até zero a cinco] e que mais de 80% dos pacientes recebam diagnóstico dentro de 60 dias após a primeira consulta”.
“São necessários esforços globais para adaptar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer a fim de enfrentar as desigualdades nas mortes evitáveis, especialmente em países com baixo e médio IDH”, conclui o estudo.
A governadora Raquel Lyra visitou, nesta terça-feira (17), o Centro Integrado de Operações de Defesa Social (CIODS), em Santo Amaro, área central do Recife, onde acompanhou o funcionamento da primeira Sala Lilás da Polícia Militar de Pernambuco (PM), voltada ao atendimento de ocorrências de violência contra a mulher registradas por meio do 190. O espaço, instalado no equipamento da secretaria de Defesa Social (SDS), amplia o atendimento especializado desde o primeiro contato da vítima com as forças de segurança. O Estado já conta com salas do tipo em delegacias da Polícia Civil e no Instituto de Medicina Legal (IML), por exemplo.
“A Sala Lilás foi criada para garantir um atendimento mais ágil, humanizado e especializado às mulheres em situação de violência. Uma agente atua exclusivamente na filtragem dessas ocorrências, mantém contato direto com a vítima e aciona rapidamente a viatura mais próxima. Com iniciativas como essa, fortalecemos a rede de proteção e damos uma resposta mais rápida a quem precisa de acolhimento e cuidado”, afirmou a governadora.
Iniciativa do Centro de Operações da Polícia Militar de Pernambuco (COPOM), com foco no aprimoramento do atendimento às vítimas e na garantia de suporte adequado, seguro e acolhedor desde o primeiro contato com as forças de segurança, a Sala Lilás foi inaugurada em 30 de janeiro pela PM, em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
“O objetivo é garantir que cada mulher seja atendida com respeito, sensibilidade e segurança desde o primeiro contato com as forças de segurança. A Sala Lilás representa um avanço no cuidado e na proteção às vítimas, fortalecendo a rede de atendimento e o encaminhamento adequado de cada caso”, destacou a secretária executiva de Defesa Social, Mariana Cavalcanti.
O serviço atua em articulação com a rede de proteção e apoio às vítimas, promovendo o encaminhamento de casos de violência doméstica, intrafamiliar e sexual aos órgãos competentes. Ao todo, 35 despachantes, todas mulheres, atuam no serviço, com jornada diária de oito horas, dedicando-se exclusivamente ao atendimento de casos de violência doméstica.
A secretária da Mulher de Pernambuco, Juliana Gouveia, reforçou que a Sala Lilás representa um passo fundamental para o fortalecimento da rede de proteção às mulheres no Estado. “Mais do que o espaço físico, ela simboliza o compromisso do Governo do Estado em garantir que cada mulher seja atendida com respeito e agilidade. Para romper o ciclo de violência, é essencial assegurar que a mulher se sinta protegida, orientada e amparada. O enfrentamento à violência contra as mulheres começa pelo reconhecimento da dor e pela oferta de um atendimento digno e especializado”, pontuou.
Alguns estados que tiveram mortes e casos por bebidas contaminadas por metanol estarão em alerta neste carnaval para as bebidas adulteradas. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025. o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas.
Outras 29 ocorrências ainda estão em investigação. No mesmo período, houve 25 óbitos confirmados, além de oito em investigação. Este ano, até 3 de fevereiro, foram confirmados sete casos e 13 estão sendo investigados.
São Paulo foi o estado mais atingido. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) atualizou, nessa quarta-feira (11), o balanço de ocorrências relacionadas à intoxicação por metanol. No total, foram confirmados 52 casos, sendo 12 mortes (quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos residentes da cidade de São Paulo; uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos, de São Bernardo do Campo; dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos, de Osasco; um homem de 37 anos, de Jundiaí; um homem de 26 anos, de Sorocaba; e um homem de 26 anos, de Mauá).
Atualmente, quatro mortes permanecem sob investigação: uma em Guariba, de um paciente de 39 anos, uma de São José dos Campos (31 anos) e dois de Cajamar (29 e 38 anos).
A Secretaria de Estado da Saúde alerta a população para os riscos da ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas e reforça a importância de adotar cuidados durante o carnaval. A recomendação é adquirir produtos apenas de estabelecimentos regularizados, verificar a procedência das bebidas e evitar o consumo de itens de origem desconhecida.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado de São Paulo está coordenando ações junto às Vigilâncias Sanitárias Municipais, responsáveis pela inspeção de estabelecimentos e vendedores ambulantes que oferecem alimentos e bebidas alcoólicas, incluindo a verificação da origem e procedência dos produtos.
Recomendação
O CVS recomenda que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco.
Fiscalização analisa bebidas vendidas em diversos estabelecimentos. Foto: Governo de SP
Pernambuco
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que foram confirmados oito casos de intoxicação por metanol no estado, incluindo cinco óbitos em outubro e novembro de 2025. Ela alerta ainda que as bebidas destiladas de procedência duvidosa podem conter metanol ou outras substâncias impróprias para consumo. O metanol é um tipo de álcool extremamente tóxico para o ser humano e pode causar cegueira irreversível, falência renal e até a morte. “Desconfie de bebidas com preço muito abaixo do mercado. Não ingira misturas prontas vendidas em garrafas pet ou recipientes inadequados. Compre de estabelecimentos licenciados pela vigilância sanitária ou vendedores credenciados pela prefeitura. Latas lacradas são mais seguras”, diz a secretaria.
A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) espera ultrapassar o número de quinhentas inspeções sanitárias. Entre as ações estão a fiscalização em bares, camarotes, restaurantes e locais onde há grande concentração de pessoas, além de inspeções em comércio ambulante garantindo o armazenamento e venda correta de alimentos e bebidas.
Bahia
Foram confirmados nove casos de intoxicação por metanol na Bahia. Três evoluíram para óbito, um residente em Ribeira do Pombal, um em Cansanção e outro em Juazeiro.
A Secretaria da Saúde (Sesab), em parceria com o Ministério da Saúde, informou que reforçou os estoques do antídoto para tratamento da intoxicação por metanol caso haja necessidade. Acrescentou que tem incentivado os municípios a reforçar a fiscalização da venda e distribuição de bebidas destiladas.
Paraná
O Paraná informou que encerrou a Sala de Situação sobre intoxicação por metanol em 24 de novembro de 2025. O estado teve a confirmação de seis casos, sendo que três resultaram em mortes.
Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Saúde o Mato Grosso (SES-MT) disse que intensificou as ações de vigilância e fiscalização, mesmo sem registro de novos casos confirmados há mais de 30 dias. O estado registrou seis ocorrências confirmadas. Houve quatro óbitos entre novembro e dezembro de 2025.
A secretaria recomenda cautela aos foliões, que devem consumir bebidas apenas de estabelecimentos regulares e evitar produtos de procedência duvidosa ou sem rótulo adequado. Em caso de sintomas como visão turva, dor abdominal intensa, tontura ou confusão mental após o consumo de bebidas alcoólicas, deve-se procurar imediatamente uma unidade de saúde.
Laboratório móvel no Rio
O estado do Rio de Janeiro não registrou casos nem mortes por metanol nas bebidas. Mesmo assim, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon estão nas ruas com o Laboratório Itinerante do Consumidor, que circula pelos blocos e no Sambódromo.
Com um laboratório portátil de alta tecnologia, o equipamento é capaz de testar, em tempo real, bebidas com indícios de falsificação. O aparelho reúne as fórmulas originais dos principais destilados do mercado e faz a comparação com amostras coletadas durante as fiscalizações.
No último fim de semana, em ações no sábado (7) e no domingo (8), em blocos da zona sul e do centro da cidade, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos e testados, mostrando o risco que esse tipo de produto representa para a saúde do consumidor.
“A venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco. Nossa atuação é firme para retirar esses produtos de circulação e alertar a população sobre os perigos desse consumo”, disse o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.
Sinais e sintomas de alerta
– Iniciais (até 6h após ingestão): dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa;
– Entre 6h e 24h: visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave.
– Em casos mais graves, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal, necrose de gânglios da base com tremor, rigidez e lentidão dos movimentos.
Perigo
O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, explica que, diferente do álcool comum (etanol), o metanol é um álcool que, ao ser metabolizado pelo organismo, gera substâncias altamente tóxicas que interferem, sobretudo, na produção de energia das células e atingem especialmente o sistema nervoso.
Segundo o médico, o resultado pode ser uma acidose metabólica grave (aumento da acidez no sangue) que leva a complicações como alterações visuais (visão turva ou embaçada), lesão do nervo óptico, confusão e desorientação mental, convulsões, queda do nível de consciência (coma), arritmias e insuficiência respiratória podendo evoluir para morte.
O perigo aumenta porque, conforme o patologista, a intoxicação por metanol nem sempre dá sinais imediatos claros e pode ser confundida com uma ressaca mais forte.
“Os sintomas costumam surgir de forma progressiva, geralmente entre seis e 24 horas após a ingestão da bebida, podendo, em alguns casos, aparecer até 48 horas depois”, explica.
Um dos principais diferenciais em relação à intoxicação alcoólica comum, de acordo com o médico, abrange a intensidade e a evolução do quadro, muitas vezes incompatíveis com a quantidade de bebida ingerida.
“As alterações visuais são as mais características e não devem ser ignoradas, mesmo quando discretas. Ao chegar ao serviço de emergência é importante relatar a suspeita de ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra do que foi consumido”, alerta Magarinos.
Ainda de acordo com o patologista, há exames que confirmam a intoxicação como a dosagem de metanol no sangue ou na urina, mas nem sempre o teste está disponível de imediato.
Por isso, o Ministério da Saúde orienta que as pessoas não esperem a confirmação para dar início ao tratamento.
“Como medida de prevenção, a recomendação aos foliões é consumir apenas bebidas de procedência conhecida, evitar produtos sem rótulo ou vendidos em condições suspeitas e buscar atendimento médico diante de qualquer sinal incomum após o consumo de álcool”, finaliza Magarinos.
Já é carnaval no Hospital Dom Malan (HDM) Ismep, pertencente à rede estadual de saúde em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. A folia aconteceu nesta quinta-feira (12), com direito a frevo para animar pacientes, acompanhantes e colaboradores.
O evento promovido pelos integrantes do Programa de Voluntariado em parceria com a direção administrativa do hospital, antecipa a festa mais popular do Brasil e animou toda a unidade de saúde. “São momentos como esse que trazem alegria aos nossos pacientes, acompanhantes e toda a equipe do hospital, que humaniza nosso atendimento e envolve a todos numa festa que é a cara do brasileiro e que gente faz do nosso jeito, respeitando os protocolos de saúde e priorizando o bem estar do paciente,” destacou a diretora administrativa do HDM Ismep, Ingride Lima.
A trilha sonora carnavalesca ficou por conta de Gildinho do sax e Banda Oba, voluntários na ação. “Nossos parceiros abraçam a missão de promover alegria. Nós ficamos felizes e gratos a cada evento que a gente realiza quando recebemos um sorriso de uma criança, de uma mãe, de um funcionário do hospital. Esses momentos fazem a diferença na rotina de todos que estão aqui, internados, com parentes, ou fazendo o seu plantão,” ressaltou o coordenador do Voluntariado do HDM Ismep, Ruy Holanda.
Com a proximidade do carnaval, o Ministério da Saúde reforçou a importância da doação voluntária de sangue – inclusive antes do início da folia começar porque, historicamente, os estoques costumam ficar reduzidos e o período figura como um dos mais críticos para os hemocentros.Em nota, o ministério destacou que, para ser um doador, é necessário ter entre 16 e 69 anos (menores de idade precisam de autorização); pesar pelo menos 50 quilos e estar bem de saúde.
Acrescentou que “o sangue é essencial para os atendimentos de sangramentos agudos em casos de urgência e emergência, realização de cirurgias de grande porte e tratamento de doenças crônicas que frequentemente demandam transfusões sanguíneas, além de ser usado para a produção de medicamentos essenciais derivados do plasma”
Números
Em 2024, o Brasil registrou 3,31 milhões de coletas de doação de sangue. Em 2025, o total foi de 2,71 milhões (dados preliminares, de janeiro a outubro). A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que 3% da população de cada país sejam de doadores de sangue.
Para ser doador de sangue voluntário, é preciso procurar o hemocentro mais próximo e verificar os critérios:
– ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos devem apresentar consentimento formal do responsável legal);
– pessoas entre 60 e 69 anos só podem doar se já tiverem doado antes dos 60 anos;
– apresentar documento de identificação oficial com foto (Registro Geral, carteira de motorista, carteira de trabalho, passaporte, Registro Nacional de Estrangeiro, certificado de reservista ou carteira profissional emitida por classe). Documentos digitais com foto também são aceitos;
– pesar, no mínimo, 50 quilos;
– ter dormido, pelo menos, seis horas nas últimas 24 horas;
– estar alimentado, evitando alimentos gordurosos nas três horas antes da doação. Após o almoço, aguardar duas horas para fazer a doação.
Com o objetivo de ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, a Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria de Saúde, promoveu ações especiais no último sábado (7) em Unidades Básicas de Saúde do município. As atividades aconteceram nas UBS dos bairros Fernando Idalino e Cacheado.
Na primeira, os atendimentos foram voltados à saúde da mulher, com orientações educativas, consultas médicas, vacinação contra o HPV e atendimentos odontológicos. Já na UBS do Cacheado, a ação teve foco na saúde mental, com cerca de 100 atendimentos realizados por psicólogos.
A comerciante Cláudia de Souza destacou a importância da abertura das unidades aos finais de semana. “Eu trouxe minha filha Maria Clara para consultas e orientações sobre os cuidados com a saúde da mulher, que devem começar cedo. A abertura do posto no sábado é muito importante, porque durante a semana fica inviável”, afirmou.
A trabalhadora rural Ana Cláudia Ribeiro também aprovou a iniciativa voltada à saúde mental. “Fui informada pela agente de saúde sobre os atendimentos no sábado, vim ao posto e fui muito bem atendida. Achei uma maravilha e espero que essas ações aconteçam mais vezes”, ressaltou.
A Secretaria de Saúde reforça que a abertura das Unidades Básicas de Saúde aos finais de semana integra o planejamento da gestão municipal para fortalecer a Atenção Primária, ampliar o acesso aos serviços e garantir mais assistência e cuidado à população.