Governadora Raquel Lyra entrega requalificação da UTI Pediátrica do Hospital Barão de Lucena, no Recife

Após a entrega da Sala Vermelha e dos 6º e 8º andares do Hospital da Restauração (HR), a governadora Raquel Lyra inaugurou mais uma requalificação no Hospital Barão de Lucena (HBL), no Recife, nesta quarta-feira (11). A gestora entregou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica da unidade de saúde. O espaço passou por recuperações que possibilitam um melhor atendimento às crianças assistidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Por muito tempo, esse hospital que cuida de gerações não passou por requalificações estruturadoras. Agora, estamos trazendo investimentos na compra de máquinas, de equipamentos novos e poltronas para os acompanhantes, a renovação da parte elétrica, hidráulica, o piso, o forro, o teto, as iluminações. A gente trata da saúde pública com investimento e com cuidado”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

A UTI fica situada no 3º andar do HBL, e conta com novos oito leitos destinados a pacientes pediátricos em estado crítico. A intervenção incluiu adequações na estrutura física e modernização das instalações, conforme as normas técnicas e sanitárias vigentes, como detalha a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.

“O Barão de Lucena é um hospital de referência em alta complexidade pediátrica, amparando todo o Estado, então é mais uma entrega muito importante para reforçar o atendimento às nossas crianças. Esta é a terceira vez que a governadora Raquel Lyra vem ao HBL para entregar UTIs pediátricas, reforçando a preocupação da gestão com a saúde em todas as idades”, ressaltou a secretária.

As melhorias implementadas também contemplaram os espaços assistenciais, disponibilizando poltronas para acompanhantes, garantindo melhores condições de trabalho às equipes e mais conforto às famílias. 

Para o deputado estadual Antônio Moraes, a gestão tem feito ações importantes para a saúde. “Esse é um governo que se preocupa com todas as áreas, mas a saúde tem sido uma prioridade ainda maior. Hoje pude acompanhar a entrega de dois andares no Hospital da Restauração, e agora mais essa ala no Barão de Lucena”, pontuou.

A atual gestão está investindo aproximadamente R$ 90 milhões no HBL. Já foram entregues pelo governo, por exemplo, a requalificação da UTI Neonatal e novos elevadores, e está em andamento um processo de reforma na fachada e outros ambientes.

Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

Anvisa libera medicamentos para diabetes, câncer de mama e angioedema

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novos medicamentos para o tratamento do diabetes tipo 1, para o câncer de mama e para o angioedema hereditário. Os registros foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira (9).A agência aprovou o Tzield® (teplizumabe), indicado para retardar o início do diabetes tipo 1, estágio 3, em pacientes adultos e pediátricos com 8 anos de idade ou mais que já estejam no estágio 2. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune grave e de longa duração, que costuma se manifestar na infância e pode gerar aumento de complicações, como doenças cardíacas, renais e oculares.

Também foi aprovado o Datroway®, indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama irressecável ou metastático, com receptor hormonal positivo e HER2 negativo, que já tenham se submetido a terapia endócrina e a pelo menos uma linha de quimioterapia para doença irressecável (que não pode ser removida completamente por cirurgia) ou metastática (que se espalhou do local original para outras partes do corpo).

O Andembry® (garadacimabe) também teve o registro aprovado. O medicamento é indicado para prevenção do angioedema hereditário (AEH). A doença genética é considerada rara e causa inchaços (edemas) repentinos e dolorosos em diversas partes do corpo, que podem afetar de forma recorrente a pele, as mucosas e os órgãos internos.

Fonte: Agência Brasil

HU-Univasf realiza mutirão de cirurgias e consultas ortopédicas para reduzir filas do SUS

Na última sexta-feira (06/03), o Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promoveu um mutirão de cirurgias e consultas em ortopedia geral, com o objetivo de reduzir as filas de atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os procedimentos tiveram como foco atender o público idoso vítima de quedas e com indicação de diferentes intervenções cirúrgicas, como as de quadril e tíbia, totalizando 9 operações. Já as consultas médicas com ortopedista geral (mãos, joelhos, ombros, entre outros) ocorreram na Policlínica da Univasf e atenderam 152 pessoas. Todos os atendimentos foram destinados a pacientes do próprio hospital, em um esforço do HU-Univasf para diminuir a fila por procedimentos e consultas.

Ao todo, além das equipes regulares, a iniciativa contou com o reforço de 12 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e técnicos em radiologia, formando duas equipes extras para os atendimentos.

Leonel Batista, chefe do Setor do Paciente Crítico, reforça a importância do mutirão para mitigar a superlotação no HU-Univasf. “Nosso objetivo é alcançar os pacientes que estão em leitos extras. Com isso, a ação buscou ampliar os turnos cirúrgicos para elevar a taxa de produção, o que impacta na taxa de ocupação. Nosso dever é prestar assistência e garantir que esses pacientes voltem para suas residências com melhores condições de saúde”, afirmou.

Vigilância Sanitária de Petrolina alerta sobre riscos à saúde ao usar canetas emagrecedoras falsificadas

A Agência Municipal de Vigilância Sanitária de Petrolina alerta a população sobre os riscos causados pelo uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis indicados originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. O alerta ocorre diante do aumento da oferta de produtos falsificados ou sem registro sanitário, principalmente em redes sociais e canais informais de venda.

As canetas contêm substâncias como semaglutida e tirzepatida, e atuam no controle do apetite e da glicemia. Apesar dos benefícios terapêuticos comprovados quando prescritas e acompanhadas por profissionais de saúde, o uso indiscriminado ou a aquisição fora das farmácias autorizadas pode trazer sérios prejuízos à saúde. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), medicamentos sem registro não passam por avaliação de qualidade, segurança e eficácia. Isso significa que produtos falsificados podem apresentar composição desconhecida, dosagem inadequada ou até substâncias contaminantes.

Entre os riscos à saúde, a aplicação desses medicamentos sem controle sanitário *pode gerar* náuseas intensas, vômitos, diarreia, desidratação e complicações mais graves, como pancreatite aguda. Há ainda o perigo de interações medicamentosas e agravamento de doenças pré-existentes quando o uso ocorre sem acompanhamento médico. A legislação sanitária brasileira determina que todo medicamento comercializado no país deve possuir registro na ANVISA.

A Vigilância Sanitária reforça que as canetas emagrecedoras regularizadas só podem ser vendidas com prescrição médica, geralmente com retenção de receita, garantindo maior controle e rastreabilidade. A comercialização sem autorização, assim como a importação e a propaganda irregular, configura infração sanitária e pode resultar em multas, apreensão dos produtos e responsabilização criminal.

A população deve ficar alerta as promessas de emagrecimento rápido, preços muito abaixo do mercado e vendas realizadas exclusivamente pela internet. As denúnicas podem ser feitas pelo telefone (87) 98844-2540, Vigilância Sanitária. Ao iniciar qualquer tratamento para perda de peso, é indispensável a orientação médica.

Bebês prematuros começam a receber imuno que previne pneumonia e bronquiolite em Petrolina

A Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria de Saúde, deu início a imunização com a Nirsevimabe em bebês prematuros. O anticorpo monoclonal é aplicado em dose única e previne infecções graves pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite em bebês. Nesta segunda-feira (2), bebês prematuros e crianças com comorbidades começaram a receber o imuno na Unidade Básica de Saúde Amália Granja. A aplicação acontece de maneira agendada, após cadastro do público-alvo preconizado para receber o imunizante.

A agricultora Maria de Fátima Quirino é moradora de Nova Descoberta, ela é mãe do Davi, que nasceu com 28 semanas. A agricultora conta que o bebê já teve bronquiolite e com essa imunização, fica mais tranquila com relação a saúde da criança. “Eu fui ao postinho e lá me informaram que era aqui que meu filho ia receber essa proteção. Eu como mãe fico mais aliviada, pois Davi está com 3 meses, e não gosto nem de lembrar o que passamos quando ele teve bronquiolite. Hoje ele recebe essa dose de proteção, fico muito feliz”, expressou a mãe.

Outra mãe que chegou cedo na UBS Amália Granja foi a autônoma Ana Carolina de Oliveira, mãe das gêmeas Anna Laura e Annelise, elas nasceram com 33 semanas e dois dias. Ana Carolina indica como ficou sabendo do cadastro para bebês prematuros se protegerem contra pneumonia e bronquiolite. “Eu fiquei sabendo através da minha Agente Comunitária de Saúde, pois eu estava internada com as bebês e, quando saímos, a profissional foi lá em casa avisar que precisávamos vir aqui no postinho deixar os documentos. Minhas filhas estão com 45 dias e hoje é um dia muito importante, pois como eu trabalho diretamente atendendo pessoas, ficava receosa com a saúde delas, e agora elas recebendo esse imuno, sei que estão mais protegidas e vamos seguir redobrando os cuidados para evitar complicações na saúde delas”, destacou Ana.

Cadastro em Petrolina:

Os pais, mães ou responsáveis por bebês prematuros nascidos com 36 semanas e 6 dias no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, bem como crianças de até 2 anos  com comorbidades, sendo estas: cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP), imunocomprometimento grave (inato ou adquirido), fibrose cística, doenças neuromusculares graves, Síndrome de Down, além de anomalias congênitas das vias aéreas e outras doenças pulmonares graves podem fazer o cadastro. É necessário procurar a UBS Amália Granja, das 7h às 17h, com original e xerox do Cartão do SUS, CPF ou certidão de nascimento; comprovante de residência; cartão de vacina; informar peso atual; crianças com comorbidade precisam levar laudo médico com CID e deixar para avaliação na unidade.  Logo após análise, a Secretaria de Saúde entrará em contato informando o dia da aplicação do imuno.

Hospital Dom Malan em Petrolina realiza mutirões de consultas para acelerar atendimento no ambulatório

O Hospital Dom Malan em Petrolina, pertencente à rede estadual de saúde no Sertão de Pernambuco, concluiu nesta sexta-feira(27), mutirão de consultas para acelerar o atendimento especializado na unidade.

As ações começaram  na última terça-feira(24),  com foco total em  Mastologia. Ao todo, foram realizadas 30 consultas especializadas, garantindo que pacientes em acompanhamento ou diagnóstico,  tivessem seu acesso garantido a essa especialidade vital para a saúde da mulher.

Outra ação importante da semana de mutirão foi direcionada ao  Planejamento Familiar. 30 consultas foram disponibilizadas, oferecendo orientação, suporte e procedimentos necessários para as famílias.

Essas iniciativas reforçam o compromisso da gestão em humanizar o atendimento e, acima de tudo, garantir que o tempo de espera não seja um obstáculo para o cuidado preventivo e curativo. O trabalho não para, e a meta permanece: transformar a vida de quem mais precisa por meio de uma saúde eficiente e acessível,”    destacou o diretor médico do HMD Ismep, Danilo Kauer Brito.

Prefeitura de Petrolina abre cadastro para imunizar bebês contra pneumonia e bronquiolite

A Prefeitura de Petrolina inicia, nesta terça-feira (24), o cadastro para aplicação do Anticorpo Monoclonal Nirsevimabe em crianças prematuras menores 6 meses de vida e menores de dois anos com comorbidades. A medida será necessária para crianças prematuras nascidas entre agosto de 2025 e janeiro de 2026 e menores de 24 meses que apresentem comorbidades, o laudo médico deve ser levado. A aplicação do imuno será feita por agendamento após comprovação que a criança se encaixa nos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Entre as comorbidades indicadas estão: cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP), imunocomprometimento grave (inato ou adquirido), fibrose cística, doenças neuromusculares graves, Síndrome de Down, além de anomalias congênitas das vias aéreas e outras doenças pulmonares graves.

O cadastro será realizado por meio da Secretaria Municipal de Saúde e segue as orientações repassadas pelo Ministério da Saúde. O imuno é indicado para prevenir infecções causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável por casos de pneumonia e bronquiolite em bebês e crianças pequenas.

A entrega da documentação deve ser realizada na Unidade Básica de Saúde Amália Granja, localizada na Rua Irmã Maria A. Souza, nº 389, no bairro Vila Mocó. Para efetuar o cadastro, é necessário apresentar Cartão do SUS, CPF e/ou Certidão de Nascimento da criança, comprovante de residência, caderneta de vacinação, peso corporal atualizado e laudo médico contendo o CID.

A Secretaria de Saúde reforça que a iniciativa tem o objetivo de prevenir as formas graves da doença, reduzir a necessidade de internações, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), e diminuir a sobrecarga dos serviços de saúde para estas doenças.

Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo

O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.

Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).

O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo.

“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.

Brasil em destaque

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.

Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.

A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.

Tipos de pesticidas

Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.

O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.

Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.

Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.

Meta global distante

O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.

Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.

Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.

Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.

Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.

Doenças de verão exigem atenção redobrada e cuidados preventivos

Com a chegada do verão, o aumento das temperaturas, das chuvas intensas e da circulação de pessoas cria um cenário favorável para diversas doenças típicas da estação. Infecções como leptospirose, conjuntivite viral, gastroenterites, micoses e enfermidades transmitidas por mosquitos têm maior incidência entre dezembro e março. Segundo a médica infectologista Silvia Fonseca, docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), a prevenção é o principal recurso para reduzir riscos e evitar complicações que podem se agravar rapidamente.

A especialista explica que o período chuvoso é especialmente crítico para a leptospirose, doença causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de roedores. “O contato com água contaminada é a principal forma de transmissão. Qualquer pessoa que caminhe por ruas alagadas ou tenha contato com enchentes está exposta”, afirma Silvia Fonseca. Ela alerta que sintomas como febre, dor muscular intensa, dor de cabeça e icterícia exigem avaliação médica imediata.

Outro problema comum no verão é a conjuntivite viral, altamente contagiosa e favorecida pela combinação de ambientes fechados, piscinas lotadas e maior contato entre as pessoas. “Lavar bem as mãos, evitar coçar os olhos e não compartilhar toalhas ou maquiagens são medidas simples que ajudam a conter a transmissão”, orienta a infectologista.

As gastroenterites também costumam aumentar na estação, impulsionadas por alimentos mal-conservados e água contaminada. Segundo Silvia Fonseca, manter rigor na higiene dos alimentos, consumir água potável e evitar refeições expostas ao calor por longos períodos são atitudes fundamentais para prevenir intoxicações e infecções intestinais.

Além disso, o verão é marcado pelo avanço de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya. “Eliminar focos de água parada é uma responsabilidade coletiva. Pequenos recipientes esquecidos em quintais, calhas, lajes e vasos podem se tornar criadouros do Aedes aegypti”, destaca.

Para a docente do IDOMED, a chave para um verão mais seguro está na prevenção cotidiana. Ela recomenda lavar bem as mãos, evitar contato com enchentes, usar repelente, manter as vacinas em dia e redobrar os cuidados com higiene e

hidratação. “Quando as pessoas entendem os riscos associados às chuvas, ao calor e às aglomerações, conseguem adotar hábitos que diminuem significativamente a circulação de doenças”, conclui.

Quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil são evitáveis

Um estudo internacional sobre mortes por câncer no mundo estima que 43,2% dos óbitos provocados pela doença no Brasil poderiam ser evitados com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento.A pesquisa estima que, dos casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção. Dessas, 109,4 mil poderiam ser evitadas.

O estudo Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo faz parte da edição de março da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas internacionalmente. O artigo está disponível na internet.

O trabalho é assinado por 12 autores, oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França.

Os pesquisadores dividem as quase 110 mil mortes por câncer evitáveis no Brasil em dois grupos: 65,2 mil são preveníveis, ou seja, a doença poderia nem ter ocorrido, e as outras 44,2 mil são classificadas como evitáveis por diagnóstico precoce e acesso adequado a tratamento.

Mundo

O levantamento apresenta um olhar global sobre mortes por câncer. O estudo apurou informações sobre 35 tipos de câncer em 185 países.

Em termos mundiais, o percentual de óbitos evitáveis é de 47,6%. Isso representa que, dos 9,4 milhões de mortes causadas pela doença, quase 4,5 milhões poderiam não ter acontecido.

O grupo de pesquisa detalha que, do total de mortes, uma em cada três (33,2%) é prevenível, e 14,4% poderiam não acontecer caso houvesse diagnóstico precoce e acesso a tratamento.

Ao estimar quantas mortes poderiam ser evitadas por medidas de prevenção, os pesquisadores apontam cinco fatores de risco:

  • tabaco;
  • consumo de álcool;
  • excesso de peso;
  • exposição à radiação ultravioleta;
  • e infecções (causadas por vírus como o do HPV e o da hepatite e pela bactéria Helicobacter pylori).

Disparidades

Ao comparar países, regiões geográficas e nível de desenvolvimento, o estudo identifica disparidades ao redor do mundo.

Os países do norte da Europa apresentam percentual de mortes evitáveis bem próximo de 30%. O mais bem posicionado é a Suécia (28,1%), seguido por Noruega (29,9%) e Finlândia (32%). Isso significa que, de cada dez mortes, apenas três poderiam ser evitadas.

Já no outro extremo, as dez maiores proporções de mortes evitáveis estão em países africanos. A pior situação é em Serra Leoa (72,8%). Em seguida, figuram Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%).

Nesses países, sete em cada dez mortes poderiam ser evitadas com mais prevenção, melhor diagnóstico e acesso a tratamento.

Menores índices de mortes evitáveis:

  • Austrália e Nova Zelândia: 35,5%;
  • Norte da Europa: 37,4%;
  • América do Norte: 38,2%.

Maiores proporções:

  • África Oriental: 62%;
  • África Ocidental: 62%;
  • África Central: 60,7%.

A América do Sul tem 43,8% de mortes por câncer evitáveis, indicador bem parecido com o do Brasil.

IDH

As desigualdades também aparecem quando os países são agrupados por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um indicador da Organização das Nações Unidas (ONU) que leva em consideração os níveis de saúde, educação e renda.

Nos países de baixo IDH, que significa pior qualidade de vida, seis em cada dez (60,8%) mortes por câncer poderiam ter sido evitadas.

Em seguida, situam-se os grupos de IDH alto (57,7%), médio (49,6%) e muito alto (40,5%). O Brasil é considerado um país de IDH alto.

A pesquisa revela que no grupo de países com baixo e médio IDH, o câncer de colo de útero é o primeiro na lista de mortes evitáveis.

Já nos grupos de IDH alto e muito alto, esse tipo de câncer sequer aparece entre os cinco principais tipos da doença em número de mortes evitáveis.

Outra forma de enxergar a disparidade entre os países é a diferença entre as taxas de mortalidade por câncer do colo do útero. Em países com IDH muito alto, a proporção é de 3,3 de vítimas da doença a cada 100 mil mulheres. Já nos de IDH baixo, essa relação sobe para 16,3 por 100 mil.

Tipos de câncer

O estudo publicado na The Lancet estima que 59,1% das mortes evitáveis são relacionadas aos cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero.

Quando se observa apenas os casos de câncer que poderiam ser evitados por medidas preventivas, o maior causador do óbito é o câncer de pulmão. Foram 1,1 milhão de mortes, correspondendo a 34,6% de todas as mortes preveníveis por câncer.

Já o câncer de mama nas mulheres foi o que teve mais mortes tratáveis, ou seja, pessoas que poderiam sobreviver recebendo diagnóstico no tempo certo e acesso a tratamento adequado. Foram 200 mil, o que representa 14,8% de todas as mortes em casos tratáveis.

Combate

Os pesquisadores apontam caminhos para diminuir o número de mortes evitáveis. Um deles é a realização de campanhas e ações que diminuam a incidência do tabagismo e do consumo de álcool, além de aumento de preço desses produtos, como forma de desestimular o consumo.

O estudo direciona atenção também ao excesso de peso. “O crescente número de pessoas com excesso de peso representa desafios consideráveis para a saúde global”, apontam os autores.

Eles sugerem iniciativas como intervenções “que regulam a publicidade, a rotulagem e [majoração] de impostos sobre alimentos e bebidas não saudáveis”.

Os autores apontam ainda a necessidade de focar em metas relacionadas à detecção do câncer de mama.

“Alcançar as metas da OMS de que pelo menos 60% dos cânceres de mama sejam diagnosticados nos estágios um ou dois [escala que vai até zero a cinco] e que mais de 80% dos pacientes recebam diagnóstico dentro de 60 dias após a primeira consulta”.

“São necessários esforços globais para adaptar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer a fim de enfrentar as desigualdades nas mortes evitáveis, especialmente em países com baixo e médio IDH”, conclui o estudo.

Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) fazem campanhas regulares de prevenção e diagnóstico precoce.

Edição: Vinicius Lisboa/Agência Brasil