Prefeitura oferece capacitação aprimorar atendimento em Unidade Básica de Petrolina

Na manhã desta sexta-feira (22), cerca de 40 profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) Bernardino Campos Coelho, localizada no bairro Vila Eduardo, participaram de uma oficina voltada ao acolhimento e à humanização, com foco na Comunicação Não Violenta. O encontro proporcionou um momento de escuta, aprendizado e partilha, com dinâmicas e orientações práticas sobre o cuidado com o outro e consigo, reforçando a importância do diálogo empático e da escuta ativa nas relações de trabalho e no atendimento ao público.
“A ponte que transforma conflitos em compreensão e palavras em cuidado” foi uma das reflexões que guiou as atividades desenvolvidas ao longo da manhã. A iniciativa foi conduzida pela equipe de saúde da Universidade Federal do Vale do São Francisco (PET Saúde Equidade da UNIVASF) e pela equipe multiprofissional (E-Multi) da Secretaria Municipal de Saúde, como parte do programa de gestão voltado à educação permanente e ao acolhimento dos servidores da rede municipal de saúde.
O cuidado integral, começa pelo bem-estar e valorização dos profissionais, é com essa finalidade que as capacitações contribuem diretamente na qualidade da assistência oferecida à população, promovendo ambientes mais saudáveis, colaborativos e humanos dentro das unidades de saúde.

Novo ônibus TFD traz mais conforto para pacientes de Petrolina que fazem tratamento em outra cidade

As viagens diárias de Petrolina para Recife ficaram mais leves para quem depende do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). A partir desta semana, os pacientes passaram a contar com um ônibus novinho, que conta com espaço para 62 lugares. O pedido foi feito pela Prefeitura de Petrolina à empresa Progresso.
O novo veículo oferece acessibilidade, ar-condicionado, assentos mais confortáveis, 50 poltronas e 12 leitos, garantindo segurança e qualidade para quem precisa enfrentar longas horas de estrada em busca de tratamento de saúde.
Para Zuleide Maria, que há anos utiliza o TFD no acompanhamento do tratamento para colocar uma prótese na perna, a novidade representa muito mais que um transporte. “Não só para mim, que sou deficiente, mas também para os idosos. Estávamos precisando de um ônibus mais confortável, que atendesse às novas necessidades. Estou muito feliz”, contou emocionada.
Histórias como a de Zuleide mostram o quanto o novo transporte significa dignidade, acolhimento e cuidado para os pacientes e suas famílias. Agora, quem utiliza o transporte pode ter a certeza de que cada viagem até a capital pernambucana será feita com mais tranquilidade e respeito.

Movimento que transforma: A força da fisioterapia no cuidado com as vidas em Petrolina

A cada sessão de fisioterapia, Antônio Adão Rodrigues reencontra o movimento e, com ele, a esperança. Agricultor da zona rural de Petrolina, ele vive no Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho – Núcleo 3, e há cinco anos viu sua rotina ser interrompida por uma dor intensa na coluna que o afastou da roça. Logo depois, veio o diagnóstico de Parkinson, doença neurológica progressiva que afeta os movimentos e exige acompanhamento contínuo.

“Estava trabalhando quando senti uma dor muito forte. Minha coluna travou e precisei ficar internado. Depois disso, também descobri o Parkinson. Mas graças a Deus e a fisioterapia que faço no postinho, venho melhorando. A fisioterapia tem me ajudado muito”, conta seu Antônio.

Ele é um dos muitos pacientes que recebem atendimento gratuito de fisioterapia oferecido pela Prefeitura de Petrolina, por meio da Equipe Multiprofissional (E-MULTI) da Atenção Básica. Os serviços estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), no Hospital Municipal e em clínicas conveniadas. O acesso se dá por encaminhamento médico, com marcação feita pela Secretaria de Saúde.

Um sistema que cuida de pessoas
Além de seu Antônio, a rede também acolhe pessoas como o aposentado José Valdomiro Lacerda, morador do bairro Fernando Idalino. Há dois anos, ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que deixou sequelas nos movimentos. Desde então, tem feito fisioterapia regularmente, antes na rede conveniada e, agora, no ginásio de fisioterapia do Hospital Municipal.

Quem acompanha cada passo de sua recuperação é a esposa, Maria Neuzita Cavalcanti da Silva. “Sem dúvida alguma, vemos a evolução do Valdomiro. Em casa, ele já anda segurando o bastão. Eu fico sempre ao lado, claro, mas é um avanço. Ele já ganhou força nas pernas. Só o braço ainda precisa melhorar. A fisioterapia tem mudado a vida dele”, diz, emocionada.

Reabilitação com dignidade
Com atendimentos em fisioterapia ortopédica, neurológica (adultos e infantil) e pélvica, o município tem investido em estrutura e equipe multiprofissional para garantir o cuidado integral. O objetivo vai além da recuperação física, trata-se de devolver autonomia, dignidade e bem-estar a cada paciente.

Casos como o de seu Antônio e o de Valdomiro mostram que, por trás de cada exercício há uma história de superação. Há um corpo que reaprende a se mover, uma mente que reencontra equilíbrio e uma vida que segue em frente, com apoio, respeito e cuidado. Em Petrolina, a fisioterapia é mais do que um serviço. É um instrumento de transformação e esperança, que prova, a cada atendimento, que saúde pública de qualidade é possível, e faz toda a diferença.

Agosto Lilás reforça a importância da denúncia contra a violência doméstica em Petrolina

O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Lilás, que busca conscientizar a população sobre a violência contra a mulher e fortalecer a luta pelo fim desse tipo de violência. Em Petrolina, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome, reforça a importância de estar atento aos sinais de abuso e de conhecer os canais de denúncia disponíveis. Denunciar é um passo fundamental para proteger vidas e garantir que os direitos das mulheres sejam respeitados.
Para facilitar o acesso, a Prefeitura de Petrolina divulga quais os diversos canais de atendimento disponíveis à população. A Patrulha da Mulher, atende pelo telefone 153, e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), pelo telefone 87 3866-6625, funcionam 24 horas oferecendo apoio imediato às vítimas. Já o WhatsApp Mulher, o número disponível é  (87) 9 9165-1803, atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, garantindo acompanhamento especializado. Além desses, a Central de Atendimento à Mulher pode ser acionada pelo número 180, serviço gratuito e disponível em todo o Brasil.
O Agosto Lilás é um momento de reflexão e conscientização, mas o compromisso com a proteção das mulheres deve ser constante. A Prefeitura reforça que não há justificativa para a violência e que buscar ajuda é um ato de coragem e cidadania. Cada denúncia é um passo para romper o ciclo de abuso e garantir um futuro mais seguro para todas as mulheres.
A Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome de Petrolina reforça que o cuidado com a vida e a dignidade das mulheres é prioridade. Denunciar é proteger, amparar e transformar realidades. A participação da sociedade também é fundamental: familiares, vizinhos e amigos podem ajudar ao identificar sinais de violência e incentivar a denúncia, contribuindo para uma Petrolina mais segura e justa para todas as mulheres. Se você ou alguém próximo está em situação de violência, não hesite: procure ajuda pelos canais disponibilizados e faça parte dessa rede de proteção e acolhimento.

Hospital Dom Malan em Petrolina forma enfermeiros para planejamento reprodutivo com ênfase em Dispositivo Intrauterino (DIU)

Termina nesta sexta-feira (15), no Hospital Dom Malan pertencente a rede estadual de saúde em Petrolina, o primeiro ciclo de formação de enfermeiros em planejamento reprodutivo, com ênfase na inserção, revisão e retirada de DIU – Dispositivo Intrauterino, que é um método contraceptivo reversível de longa duração, eficaz na prevenção da gravidez. O dispositivo é uma pequena peça de plástico flexível em forma de T que é inserida no útero pelo médico, através da vagina. Existem dois tipos principais: o DIU hormonal (SIU com levonorgestrel) e o DIU de cobre ou prata.

O curso está sendo realizado pela Escola de Saúde Pública de Pernambuco e está formando dez enfermeiras obstetras do Hospital Dom Malan para o atendimento.  A parte prática será realizada no mês de setembro.

Esse curso é de extrema relevância.  Nossas enfermeiras ficarão habilitadas à colocação de DIU de cobre, oferecendo um aumento importante na oferta desse método contraceptivo de longa duração. É um marco no planejamento familiar das pacientes da região.  Sem falar que ainda vão ficar habilitadas a capacitar novos profissionais para o planejamento reprodutivo, com ênfase na inserção, revisão e retirada de DIU,” destacou o diretor médico do Hospital Dom Malan Ismep, Danilo Kauêr Brito.

Atendimento com DIU

O atendimento às mulheres para a inserção do DIU acontecerá no ambulatório do Hospital Dom Malan a partir do mês de setembro. As 200 mulheres que serão contempladas com o dispositivo nessa fase foram cadastradas a partir do atendimento ambulatorial em ginecologia e obstetrícia da unidade de saúde.

Assessoria de Comunicação HDM Ismep

Hospital Dom Malan realiza mais de 25 mil e 200 exames em pacientes somente no mês de julho

O  Hospital Dom Malan (HDM), em Petrolina, pertencente a rede estadual de saúde,  realizou mais de 20 mil exames durante o mês de julho, de acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira(12). Foram 25.227 exames de imagens e de laboratório. Esse número é 25% maior se comparado ao mês anterior.

O balanço do mês de julho apresentou aumento também em consultas ambulatoriais. Foram 2.430 atendimentos. O número é maior do que o realizado em junho, quando foram totalizados 2.331 atendimentos em consultas com especialistas como pediatras e ginecologistas.

No balanço de serviços prestados em junho,  destaque  também para o número de cirurgias realizadas na maior maternidade do interior do estado. Foram 635, enquanto em junho foram 622 cirurgias.  Nesse período, a maternidade realizou 490 partos. Neste ano, o maior número de partos do Hospital Dom Malan foi registrado no mês de maio; foram 698 partos. A média mensal é de 600 partos na maternidade que atende pacientes da macrorregional de hospitais de Pernambuco e Bahia, envolvendo 53 municípios.

Assessoria de Comunicação do HDM ISMEP

HU-Univasf recebe novos respiradores pulmonares e aparelhos de ar condicionado

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf/Ebserh) recebeu, no início do mês, dez novos ventiladores pulmonares, além de cem novos aparelhos de ar condicionado. A modernização dos equipamentos para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) possibilita a oferta de melhor ventilação protetora pulmonar para pacientes, bem como a monitorização avançada do pulmão e ferramentas de diagnóstico, enquanto o reforço na climatização dos ambientes trará maior conforto em função da elevação da temperatura prevista para os próximos meses.

“Estamos incorporando ventiladores pulmonares de ponta, com tecnologia avançada para pacientes críticos. Além dessa qualificação, a ampliação do parque tecnológico da UTI vai possibilitar o compartilhamento dos ventiladores atuais com outras áreas assistenciais, entre elas a Sala de Emergência e a Sala de Cuidados Intermediários. Os novos equipamentos favorecem modos ventilatórios avançados que permitem um melhor acompanhamento de informações em tempo real sobre o paciente, monitorizações avançadas e que consequentemente facilitam o melhor manuseio do ventilador para o paciente, possibilitando uma melhor qualidade e um menor tempo de uso do ventilador mecânico, porque a gente consegue fazer o processo de retirada do ventilador mecânico de uma forma mais segura, mais assertiva”, ressalta o chefe da Divisão de Gestão do Cuidado e Apoio Diagnóstico e Terapêutico, Fabrício Olinda.

Os novos dispositivos representam um investimento total de mais de R$ 1,7 milhão, com apoio da Ebserh e também por meio de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Augusto Coutinho e pelo senador Humberto Costa.

“A aquisição dos novos ventiladores foi resultado de um processo de gerenciamento de tecnologia médica baseado na análise do ciclo de vida do parque instalado. A idade média dos equipamentos indicou a necessidade de substituição e a atualização visa garantir a aderência às diretrizes clínicas atuais e manter a capacidade operacional da UTI com segurança e eficiência. Os novos modelos incorporam tecnologias que representam um salto qualitativo relevante. Destacam-se os recursos de desmame automatizado, modos ventilatórios avançados e interface de operação mais intuitiva. Além do impacto direto na eficiência assistencial, esses diferenciais contribuem para a qualificação da formação prática dos profissionais de saúde em um ambiente de alta complexidade. A aquisição também posiciona a instituição como capaz de avançar para o conceito de Hospital 4.0, ao integrar dispositivos inteligentes, conectividade e suporte à decisão clínica em tempo real”, explica o chefe do Setor de Engenharia Clínica, Carlos Henrique Melo.

Morango do amor exige moderação, endocrinologista alerta para os riscos do consumo excessivo de açúcar 

Apesar da aparência inofensiva, o tradicional morango do amor, fruta coberta por uma camada espessa de açúcar caramelizado, pode representar riscos à saúde quando consumido com frequência. O alerta é do endocrinologista Enzo Loandos Oliveira, do Instituto de Educação Médica (IDOMED).

Nos meses de julho e agosto de 2025, o consumo da iguaria aumentou e o morango do amor se proliferou por todo o país, aparecendo também em vídeos e publicações nas redes sociais, onde é exibido como uma alternativa “romântica” ou “estética” aos doces tradicionais. No entanto, o resultado final é um alimento altamente calórico e com alto índice glicêmico.

“O morango em si é uma fruta rica em fibras e antioxidantes. O problema é que, quando envolvido em uma calda de açúcar puro, perde seu valor nutricional e se transforma em uma sobremesa com potencial inflamatório e risco metabólico”, explica Enzo.

Segundo o especialista, o consumo frequente de alimentos ricos em açúcar, como o morango do amor, está associado ao aumento da incidência de doenças como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e até problemas cardiovasculares. Além disso, há impactos na saúde bucal, já que o açúcar endurecido pode grudar nos dentes e favorecer o surgimento de cáries, principalmente em crianças.

“Uma camada de açúcar caramelizado como a do morango do amor pode conter o equivalente a três ou quatro colheres de sopa de açúcar refinado, o que é suficiente para causar um pico glicêmico significativo”, destaca o endocrinologista.

Embora o consumo eventual desse tipo de doce não represente, por si só, um risco grave à saúde, a recomendação é de cautela. “O consumo pontual, uma vez ou outra em ocasiões especiais, não é o problema. A preocupação está na repetição, no hábito de incluir esse tipo de doce na rotina alimentar”, afirma o médico. “Não existe uma quantidade exata segura, mas quanto menos açúcar refinado, melhor para o corpo.”

Entre os sinais que o corpo pode apresentar com o consumo excessivo de açúcar, o médico cita cansaço constante, oscilações de humor, aumento de gordura abdominal, compulsão alimentar, acne, dores de cabeça e maior propensão a infecções.

“O corpo dá sinais de que algo está errado. Muitas vezes, os pacientes sentem fadiga crônica e não associam isso ao excesso de açúcar na alimentação”, explica.

Para ele, o papel do endocrinologista vai além do diagnóstico e do tratamento. “Também somos educadores em saúde. Quando o paciente consome doces com frequência, mesmo em versões ‘disfarçadas’ como frutas caramelizadas ou doces caseiros, é fundamental orientar sobre os riscos e ajudar a construir novos hábitos alimentares. A prevenção ainda é o melhor caminho”, conclui.

Petrolina amplia atendimento pediátrico e reforça cuidado com as crianças

A partir desta segunda-feira (11), a Prefeitura de Petrolina dá mais um passo importante na ampliação da assistência à saúde infantil. A Secretaria Municipal de Saúde passa a oferecer atendimento pediátrico para toda população na Unidade do Servidor, localizada na Avenida Guararapes.
O novo serviço da unidade vai funcionar às segundas, terças e quintas-feiras, os agendamentos vão ocorrer por meio do setor de regulação. Além disso, haverá atendimento livre para as crianças que nascem no Centro de Parto Normal, garantindo mais acolhimento e continuidade no cuidado desde os primeiros dias de vida.
A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal com a saúde das famílias petrolinenses, especialmente das crianças, que passam a contar com mais um espaço dedicado ao acompanhamento médico especializado.
Texto: Débora Sousa

Projeto busca tratar doença de Chagas perto da casa dos pacientes

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um novo protocolo para a o controle da doença de Chagas está em testes em uma das regiões com a maior prevalência da enfermidade: o Sertão do Pajeú, em Pernambuco. A principal estratégia é a descentralização do tratamento, para que ele possa ser feito na cidade em que o paciente reside. Atualmente, é necessário deslocamento para unidades de saúde especializadas, como a Casa de Chagas, no Recife, que ainda concentra a maioria dos atendimentos no estado.

Um dos grandes desafios é o diagnóstico, já que a doença de Chagas não causa sintomas específicos logo após a infecção. A infecção costuma se tornar crônica de forma silenciosa, desenvolvendo complicações, principalmente no coração, o que provoca a morte de cerca de 4,5 mil pessoas no Brasil por ano, segundo o Ministério da Saúde. Quando a doença é descoberta mais cedo, o paciente pode ser tratado com medicamentos, evitando complicações.

De acordo com a Organização Panamericana da Saúde (Opas), menos de 10% das pessoas com doença de Chagas nas Américas são diagnosticadas, e menos de 1% das que têm a doença recebem tratamento antiparasitário. Como consequência, a maioria dos pacientes só descobre que tem a doença em estágios avançados. Por isso, o projeto-piloto em Pernambuco foi nomeado “Quem tem Chagas, tem pressa”.

Testes rápidos
Na primeira etapa, profissionais de saúde, estudantes da área e moradores das cidades pernambucanas de Triunfo e Serra Talhada participaram de atividades de formação sobre a doença. Já na segunda fase, no final de julho, cerca de 1 mil pessoas nos dois municípios foram submetidas a testes rápidos que comprovaram a seriedade do problema na região: 9% dos moradores testaram positivo para a doença. De acordo com o médico da Casa de Chagas, Wilson Oliveira, responsável pelo projeto, a média de positividade dos testes no país varia de 2% a 5%.

A gerente de Vigilância das Arboviroses e Zoonoses da Secretaria de Saúde de Pernambuco, Ana Márcia Drechsler, diz que o teste rápido é um dos principais ativos do projeto, já que atualmente todos os casos suspeitos precisam fazer um exame de sorologia no centro de referência, que fica a oito horas de distância de carro.

Além disso, o teste sorológico leva até 45 dias para ficar pronto, enquanto o teste rápido emite resultado em minutos. Mas ela explica que, por segurança, os resultados positivos continuarão sendo encaminhados para a sorologia, para a confirmação definitiva.

“A gente precisa muito descentralizar o diagnóstico e fazer essa detecção mais precocemente, para que haja menos casos de pacientes crônicos. Nós estamos validando o teste rápido com esse projeto e, se tudo der certo, além de uma economia de tempo, a gente vai ter também uma economia de exames, porque só as pessoas com teste rápido positivo é que vão fazer a sorologia”, acrescenta a gerente da Secretaria de Saúde.

Os testes utilizados no projeto são produzidos pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Fiocruz).

Em setembro, começa a fase de tratamento dos pacientes que tiverem a infecção confirmada, e o projeto também prevê que eles possam fazê-lo perto de casa. O médico responsável pelo projeto, Wilson Oliveira, diz que isso é essencial para que todos possam concluir o tratamento, feito com medicamentos que devem ser tomados por 60 dias.

“No centro de referência, nós temos doentes que, muitas vezes, têm que andar 800 quilômetros para ser atendidos. E, sabendo que pelo menos 70% dos pacientes com Chagas não desenvolvem doença cardíaca, ou desenvolvem uma doença pouco agressiva, eles poderiam ser atendidos perto da sua residência, na assistência primária, que tem uma alta resolutividade”, complementa.

Doença negligenciada
Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas é transmitida principalmente durante a picada pelo inseto barbeiro contaminado, mas também pode ser adquirida pela ingestão de alimentos infectados, por transmissão sanguínea, ou de mãe para filho, durante a gravidez e o parto.

“A doença de Chagas é negligenciada porque é uma doença grave que atinge a população mais pobre, que é provocada pela pobreza e que gera mais pobreza”, explica Wilson Oliveira.

“Por isso, é subdiagnosticada, e poucas pessoas fazem o tratamento. A maioria vai descobrir no fim da vida, quando já está muito debilitado, com doença cardíaca ou digestiva”, acrescenta.

Barbeiro

Historicamente, a prevalência está bastante associada a regiões rurais com habitação precária, já que o barbeiro é mais encontrado em ambientes de mata, lavoura e criação de animais e, nas casas, costuma se esconder em frestas e buracos.

O agricultor Roberto Barbosa dos Santos conta que essa era a realidade na cidade de Triunfo quando ele era criança: “A gente não tinha colchão em casa. Minha mãe pegava um saco, abria ele no meio, enchia de palha de banana seca, e a gente dormia assim. Aquele era um lugar adequado para o o barbeiro, né? E as paredes, como não eram rebocadas, tinham as frestas dos tijolos e das pedras, onde eles também se alojavam”

Infelizmente, ele faz parte das estatísticas de diagnóstico tardio da doença. Roberto suspeita que tenha herdado a doença da mãe, já que ela morreu de infarto e outros oito irmãos também têm a doença. No entanto, só foi diagnosticado na idade adulta e não teve acesso a tratamento precoce.

“Eu descobri em 2006, quando eu trabalhava no corte de cana no interior de São Paulo, e precisei fazer o exame de Chagas. De 2015 para cá, o fôlego começou a faltar, o cansaço começou a se instalar, e, uns dois anos depois, comecei a me sentir bem fraco mesmo. Tive até um princípio de infarto”, ele lembra.

Hoje, Roberto precisa usar um marcapasso e convive com outras complicações da doença, mas quer ajudar a evitar que novos pacientes tenham o mesmo percurso. Por isso, participa do projeto como presidente da recém-criada filial de Triunfo da Associação dos Pacientes Portadores de Doença de Chagas, Insuficiência Cardíaca e Miocardiopatia de Pernambuco.

A Diretora de Saúde Global e Responsabilidade Corporativa da Novartis Brasil, Michelle Ehlke, acredita que o projeto em Pernambuco pode se tornar referência para políticas públicas em todo o Brasil. A empresa é parceira institucional do projeto e planeja expandi-lo:

“A proposta é fortalecer a atenção primária como porta de entrada qualificada, em uma região onde o acesso ainda é limitado. A experiência no Sertão do Pajeú tem potencial para se tornar referência e ser replicada em outras regiões endêmicas do país, promovendo equidade, prevenção e sustentabilidade no cuidado. Caso o projeto seja validado, a intenção da Novartis é ampliar esse esforço, buscando novas parcerias para implementar o programa em outras localidades onde a doença continua impactando severamente a população”, declarou a diretora da empresa.

Edição: Agência Brasil