HU-Univasf diagnostica caso raro de hemofilia adquirida: relato foi publicado em revista científica internacional

Um caso recente de um tipo raro de hemofilia adquirida foi diagnosticado no Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Nessa doença, o organismo desenvolve anticorpos contra a coagulação do sangue, provocando hemorragias.

O paciente é um homem de 52 anos que não possuía histórico de sangramentos, mas começou a apresentar hematomas extensos por todo o corpo. O médico hematologista Jandir Nicacio explicou que a hemofilia hereditária (presente desde o nascimento) é uma doença comum entre as chamadas coagulopatias (doenças que dificultam a coagulação do sangue), mas a adquirida é rara e surge na vida adulta. “O Brasil é o quarto país em incidência de hemofilia no mundo inteiro. Temos em torno de 14 mil hemofílicos no país, mas a hemofilia adquirida, ao contrário da hereditária, é uma doença muito rara. Temos uma taxa variando de 2 a 3 casos para cada 1 milhão e meio indivíduos”, destacou.

A hemofilia A adquirida acontece com maior frequência em mulheres no pós-parto, em pessoas acima dos 60 anos ou está associada a doenças autoimunes. O paciente atendido, por outro lado, se trata de uma ocorrência ainda mais rara porque não se encaixa nesses perfis. Após a investigação detalhada, com exames de sangue e relato clínico, a equipe médica identificou uma possível associação entre o surgimento da doença e o uso prolongado de antibióticos para tratamento de uma infecção nos chamados tecidos moles (pele, músculos e gordura).

O médico alertou que, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, a hemofilia adquirida apresenta uma alta taxa de mortalidade que pode variar entre 20% e 70% como consequência de sangramentos graves ou de complicações relacionadas ao tratamento imunossupressor (que reduz a atividade do sistema imunológico). “A abordagem terapêutica, quanto mais precoce e assertiva, melhora e aumenta a probabilidade de um desfecho positivo, que foi o que aconteceu com esse paciente. Ele foi rapidamente diagnosticado e teve uma resposta excelente”, ressaltou Jandir.

O paciente passou por uma terapia imunossupressora e fez uso de medicamentos para controlar as hemorragias (transfusão de fatores de bypass). Com oito semanas de tratamento, ele já percebeu a interrupção completa dos sangramentos e segue em acompanhamento no Ambulatório de Coagulopatias do HU-Univasf.

Assistência unida ao ensino e à pesquisa
Todo o acompanhamento desse caso foi feito também com a participação de residentes e alunos. Para Jandir Nicacio, a atuação dentro de um Hospital Universitário reforça, na prática, a integração entre a assistência, o ensino e a pesquisa. “Junto com os estudantes construímos toda a narrativa da discussão clínica e ensinamos a escrita científica. Esse processo os capacita tecnicamente, mas também estimula a pesquisar, a se aprofundar e a publicar, especialmente casos que sejam raros e de repercussão na saúde pública”, pontuou.

Integrante dessa equipe diagnóstica, o angolano Paulo Cufua, residente em Clínica Médica do HU-Univasf por meio do Programa de Cooperação Brasil-Angola da Ebserh, afirmou que o seu processo de formação tem sido crescente ao acompanhar condições de saúde complexas no Hospital. “A participação neste caso clínico reforça a relevância de abordagens clínicas criteriosas, integração de hipóteses diagnósticas raras e trabalho multidisciplinar. Essa experiência evidenciou que, mesmo em condições raras, o pensamento clínico estruturado e o acompanhamento cuidadoso podem transformar uma situação desafiadora em uma oportunidade de aprendizado e melhoria da prática médica”, declarou.

Publicação internacional
O relato deste caso foi recentemente publicado no Journal of Brown Hospital Medicine, revista científica da Escola de Medicina da Warren Alpert, da Universidade Brown, nos Estados Unidos. Além de Jandir Nicacio e Paulo Cufua, o artigo científico de título “Post-Infectious Acquired Hemophilia A: A Case Report and Review of the Literature” (em português: Hemofilia A adquirida pós-infecciosa: relato de caso e revisão da literatura) também contou com a coautoria do hematologista André Luiz Fernandes, do residente Christian Mangueira e da estudante Naiara Barros. O artigo pode ser lido aqui.

Prefeitura de Petrolina alerta para a importância do cuidado com a saúde mental

Dados oficiais do Ministério da Saúde apontam que cerca de 31% da população brasileira apresenta algum transtorno mental comum, como ansiedade e depressão, colocando o Brasil entre os países com os maiores índices de ansiedade da América Latina. Diante desse cenário, o cuidado com a saúde emocional torna-se fundamental para a promoção da qualidade de vida da população.

Atenta a essa realidade, a Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, reforça durante este mês as ações do ‘Janeiro Branco’, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a importância da saúde mental.

Em Petrolina, os cuidados com a saúde mental começam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que contam com equipes multiprofissionais preparadas para o primeiro acolhimento, escuta qualificada e encaminhamentos quando necessário. Além disso, o município oferece suporte em outros serviços da rede, como o Centro de Parto Normal, Centro Auditivo, e atendimentos especializados, realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), voltados ao cuidado contínuo de pessoas com sofrimento psíquico.

Petrolina também conta com o apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento gratuito, sigiloso e humanizado, voltado ao apoio emocional e à prevenção do suicídio. O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, por meio do telefone 188, com ligação gratuita, garantindo escuta qualificada a todas as pessoas que necessitarem.

Programação:

20/01 às 16h – Abrigo Municipal

23/01 às 11h – Centro Auditivo de Petrolina

28/01 às 10h – Parque Municipal Josepha Coelho

30/01 às 9h – CAPS Infantojuvenil

31/01 às 7h – Mutirão psicológico na UBS Leonor Elisa (Dom Avelar)

HU-Univasf reforça contatos oficiais para confirmação de agendamentos de consultas e cirurgias

Em função da instabilidade técnica apresentada no número de WhatsApp utilizado para agendamento de consultas e exames de pacientes do Hospital Universitário da Univasf (HU-Univasf/Ebserh), as equipes do hospital estão entrando em contato por meio do seguinte número de telefone fixo:

Número que aparece durante a ligação para pacientes: (87) 2101-6500.

Caso os pacientes queiram entrar em contato para realizar agendamentos, os números a serem discados são: (87) 2101-6585 ou 2101-6514.

Contamos com a compreensão e colaboração de todos os usuários para o atendimento em tempo hábil, evitando atrasos ou cancelamentos de procedimentos, sobretudo para aqueles que aguardam em fila de espera.

Simão Durando lança tratamento gratuito para varizes que vai beneficiar centenas de petrolinenses

Imagine se livrar das dores e limitações causadas pelas varizes. É exatamente isso que o prefeito Simão Durando quer oferecer com o lançamento do Programa Municipal de Escleroterapia, uma ação inédita da rede pública de saúde.

A iniciativa amplia o acesso a procedimentos médicos especializados, garantindo atendimento gratuito e de qualidade. “Estamos levando para a saúde pública um tratamento antes inacessível para muita gente. Nosso compromisso é cuidar das pessoas, com ações concretas que melhoram a qualidade de vida de todos”, afirmou Simão Durando.

Na primeira etapa, 600 pessoas serão atendidas. A triagem ocorrerá nos dias 14, 15 e 16 de janeiro, e os procedimentos serão realizados nos dias 19, 21, 26 e 28 de janeiro, sempre no Hospital Municipal de Petrolina, a partir das 7h. Os interessados devem agendar nas Unidades Básicas de Saúde.

O prefeito reforçou que o Programa de Escleroterapia integra uma política ampla de fortalecimento da saúde, com foco na atenção básica, prevenção e resolutividade. “Seguimos avançando, levando o poder público onde ele é mais necessário, com responsabilidade e olhar humano”, concluiu.

Anvisa aprova novo fármaco com injeção semestral para prevenção do HIV

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para prevenção do HIV-1, como profilaxia pré-exposição (PrEP). O fármaco tem alta eficácia contra o vírus e, além da apresentação em compromido, para uso oral, está disponível como injeção subcutânea que só precisa ser administrada a cada seis meses, o que facilita a adesão.A indicação é destinada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que estejam sob risco de contrair o vírus. Antes de iniciar o tratamento, é obrigatório realizar teste com resultado negativo para HIV-1.

Os estudos clínicos apresentados demonstraram 100% de eficácia do Sunlenca na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero; além de 96% de eficácia em comparação com a incidência de HIV de base e 89% superior à PrEP oral diária.

O regime de injeções semestrais mostrou boa adesão e persistência, superando desafios comuns em esquemas diários, informou a Anvisa, por meio de sua assessoria de imprensa.

De acordo com a Anvisa, a Sunlenca é um antirretroviral inovador composto por lenacapavir, fármaco de primeira classe que atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1.

Essa ação impede a replicação do vírus, tornando-o incapaz de sustentar a transcrição reversa, processo em necessário para que use as células do hospedeiro para se multiplicar.

A agência advertiu que, embora o registro tenha sido concedido, o medicamento depende ainda da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Já sua disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.

Prevenção

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia essencial para prevenir a infecção pelo HIV. Ela envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o vírus, mas estão sob risco de contrair a doença, reduzindo significativamente as chances de transmissão.

A PrEP faz parte da chamada “prevenção combinada”, que inclui outras medidas, como testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral (TARV), profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados específicos para gestantes soropositivas, esclareceu a Agência.

O lenacapavir passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025 como opção adicional para PrEP, classificando-o como a melhor alternativa após uma vacina, recurso que ainda não está disponível no caso da prevenção do HIV.

Fonte: Agência Brasil

Governo do Estado reforça infraestrutura hospitalar e assegura funcionamento da Carreta da Mulher Pernambucana em 2026

O ano da saúde em Pernambuco. É dessa forma que 2026 pode ser definido, devido às ações do Governo do Estado para melhorar a assistência em saúde em todas as regiões. As ações envolvem a melhoria da infraestrutura médico-hospitalar na Região Metropolitana do Recife e no interior, além do reforço de iniciativas como a Carreta da Mulher Pernambucana, que já realizou cerca de 60 mil atendimentos.
 
“Estamos cuidando da saúde das pernambucanas e dos pernambucanos com ações em diversas frentes. Terminamos 2025 celebrando o funcionamento do Hospital da Mulher do Agreste, uma obra que deveria ter sido entregue há pelo menos 10 anos. E estamos avançando nas obras do Hospital da Restauração, a maior emergência de Pernambuco. Isso sem falar nos investimentos em outras unidades e em programas transformadores, como a Carreta da Mulher Pernambucana, por meio dos quais levamos atendimento de qualidade até as mulheres”, afirmou a governadora Raquel Lyra.
 
O Governo do Estado está realizando a primeira grande obra do Hospital da Restauração, que foi construído na década de 1960. Parte do sétimo andar já foi entregue e, atualmente, encontram-se em fase de conclusão as obras do sexto andar – que abriga os serviços de Ortopedia e Traumatologia e a Unidade Avançada em Neurocirurgia-, e do oitavo andar, destinado ao setor de Clínica Geral. Quando encerrar a obra no oitavo andar, o Estado começará a do quinto. Quando encerrar a obra no sexto andar, terá início a do quarto. 
 
“Precisamos dizer que está acontecendo uma verdadeira revolução dentro do maior hospital do nosso Estado. Estamos requalificando áreas estratégicas da unidade, como a unidade de trauma, a emergência clínica, entre outras. A Restauração passou a contar com uma nova ressonância magnética, duas novas tomografias, hemodinâmica, diversos aparelhos de ultrassom, além da requalificação completa dos equipamentos do bloco cirúrgico e da área diagnóstica, como os novos aparelhos de endoscopia. É um trabalho contínuo e seguimos trabalhando sem deixar ninguém para trás”, reforçou a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.
 
Além do Hospital da Restauração, o governo estadual trabalha para garantir a manutenção preventiva de outras cinco grandes emergências do Estado: Getúlio Vargas, Otávio de Freitas, Barão de Lucena, Agamenon Magalhães e Regional do Agreste. O Governo de Pernambuco também investe na manutenção predial, preventiva e corretiva em dez hospitais regionais geridos pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), além da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope).
 
MATERNIDADES – Em maio de 2025, o Hospital da Mulher do Agreste (HMA) foi a primeira maternidade entregue de um total de cinco que estão programadas. A unidade recebeu um investimento total de R$ 84,8 milhões e tem capacidade para mais de 700 partos mensais. Haverá, ainda, maternidades em Garanhuns, Serra Talhada, Ouricuri e Igarassu. As quatro unidades representam um investimento de R$ 240 milhões. Quando estiverem prontas, irão garantir 550 novos leitos no Estado.
 
NOMEAÇÕES – Desde 2023, já foram nomeados 2.939 profissionais da saúde, otimizando a qualidade do atendimento médico à população.
 
CUIDA PE e FILAS ZERADAS – Através do Cuida PE, criado para auxiliar na redução de filas de exames, consultas e de procedimentos cirúrgicos, já foram realizadas mais de 250 mil cirurgias eletivas no Estado, desde o começo do programa, em 2023. As filas de ressonância, tomografia e densitometria óssea, que são de alta complexidade, já foram zeradas em 135 municípios, o que representa 62,5% das cidades do Estado.
 
“A gestão da governadora Raquel Lyra consolida uma mudança concreta na forma como o Estado enfrenta as filas da saúde. Com o Cuida PE, pudemos reorganizar a oferta, ampliar a capacidade assistencial e qualificar a regulação. Com isso, garantimos um acesso mais facilitado a exames e procedimentos que antes representavam longas esperas para a população. Esse avanço fortalece a rede, reduz desigualdades entre os municípios e reafirma o compromisso do governo com uma saúde mais eficiente e humanizada”, afirmou a secretária executiva de Regulação em Saúde da SES-PE, Bruna Dornelas.

Seleção pública para contratação temporária de 133 profissionais é aberta pelas Secretarias de Administração e de Saúde

As Secretarias de Administração (SAD) e de Saúde (SES) publicaram, no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (08), portaria conjunta que abre seleção pública simplificada para contratação temporária de 133 profissionais de níveis médio e superior, para atuação na SES. As inscrições podem ser realizadas a partir da próxima quinta-feira (15) até o dia 29 de janeiro.

A oportunidade abrange diversos cargos, sendo 38 assessores jurídicos, 32 analistas administrativos, 12 administradores hospitalares, 27 contadores e 24 assistentes administrativos. Para participar, basta acessar o endereço selecionases.saude.pe.gov.br/. As remunerações variam de R$ 1.860,00 até R$ 3.825,00, com jornadas de 40 horas semanais em regime de trabalho de diarista.

A secretária de Administração em exercício, Luciana Pires, destacou a relevância da seleção pública simplificada. “Por meio dessa iniciativa, novos profissionais qualificados contribuirão para a melhoria das atividades desempenhadas pela Secretaria Estadual de Saúde, trazendo mais benefícios para a população”, disse.

O processo seletivo será realizado em etapa única, de avaliação curricular, de caráter classificatório e eliminatório. Pré-requisitos e mais detalhes sobre a seleção pública simplificada podem ser conferidos no edital, disponível no Diário Oficial desta quinta-feira (08).

Hospital Dom Malan em Petrolina está na lista dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil

O Hospital Dom Malan em Petrolina, pertencente à rede estadual de saúde, está na  lista dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS),  divulgada nesta segunda-feira (05).

O estudo foi realizado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), o Instituto Ética Saúde (IES), o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A iniciativa resultará no Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, cuja premiação dos 10 melhores hospitais do país ocorrerá em maio.

O Hospital Dom Malan é administrado pelo Instituto Social das Irmãs Medianeiras da Paz – ISMEP em parceria com o Governo de Pernambuco, integra a Macrorregião Interestadual de Saúde Pernambuco Bahia, com abrangência de 53 municípios. A unidade realiza, em média, 600 partos mensais e cerca de 11 mil atendimentos de urgência, oferecendo serviços especializados como assistência a mulheres em  gestações de alto risco, banco de leite humano, alojamento Canguru e a única UTI pediátrica do Vale do São Francisco.

Assessoria de Comunicação do HDM Ismep

Queima de fogos pode desencadear crise sensorial em autistas

Foto: Alexandre Macieira/SECOM

Tradição na virada do ano, a queima de fogos de artifício traz prejuízos a parte da população mais sensível aos ruídos causados pelo estouro dos artefatos. Entre elas, idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O neuropediatra e professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Anderson Nitsche, explica que os efeitos dos fogos nos autistas podem ir além da hora da virada.

“As crianças e pessoas autistas têm uma sensibilidade maior ao som e isso causa uma perturbação momentânea, mas que pode até durar por mais tempo, gerando sofrimento de insônia durante alguns dias”, afirma o professor.

Diante do barulho intenso, pessoas no espectro autista podem entrar no que é chamado de crise sensorial, em que o estímulo gera alterações de comportamento que vão desde ansiedade e vontade de fugir daquele meio, até agressividade contra si ou demais pessoas que estão ao redor.

A neurologista e diretora clínica do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Vanessa Rizelio, explica que as pessoas que têm TEA não conseguem processar que aquele ruído alto, por um período prolongado, é um momento de celebração – uma vez que, para eles, promove uma sensação desagradável que não é bem processada pelo cérebro.

“O cérebro deles entende como uma coisa negativa, algo que está gerando um desconforto e a reação vai ser sair daquela situação. Muitas vezes, isso se vai manifestar como ansiedade, irritabilidade, fora o prejuízo depois no sono que pode impactar até o dia seguinte”, destaca Vanessa.

Fundadora da Associação de Neurologia do Estado do Rio de Janeiro (ANERJ), a neuropediatra Solange Vianna Dultra, aponta outros efeitos que a queima de fogos pode desencadear no organismo dessas pessoas.

“O coração dá uma descarga de adrenalina, acelera, a pressão sobe. Eles não conseguem entender que é uma festa. É como se estivessem no meio de um tiroteio. Algumas pessoas se desregulam até na hora de recreio na escola por causa do barulho”, explicou a especialista.

Alternativas
Algumas cidades brasileiras já começaram a rever a prática da queima de fogos na virada do ano em celebrações públicas e há legislações específicas proibindo artefatos com barulho. A adoção de fogos sem estampido, espetáculos de luzes e apresentações com drones são alternativas para preservar o simbolismo das celebrações, sem impor um custo sensorial a parte da população.

A psicóloga com especializações em neuropsicologia e em saúde mental, Ana Maria Nascimento, acredita que essas alternativas mantêm o caráter coletivo da festa e ampliam o direito à participação. Em um contexto em que já existem soluções ao barulho, ela defende que insistir no uso de fogos ruidosos “parece um gesto de indiferença”.

“Celebrar pressupõe convivência. Quando a alegria de uns depende do sofrimento de outros, é legítimo questionar se essa tradição ainda faz sentido”.

A neuropediatra Solange Vianna destaca que o sofrimento causado pelo ruído dos fogos não é só para a criança autista, mas para toda a família. Ela ressalta que, no caso de fogos silenciosos, a luminosidade não é um problema, porque basta a família manter a criança com TEA longe de janelas.

O professor da PUC-PR também ressalta a necessidade de a sociedade olhar para a questão com mais empatia, adaptando tradições para promover a inclusão dessas pessoas nas festividades.

“Acolher, entender e perceber que há pessoas que sofrem com determinadas tradições é tão importante quanto as próprias vivências”, aponta Anderson Nitsche.

De acordo com Nitsche, o autismo tem uma prevalência mundial em torno de 3% da população. Nem todos os autistas têm alterações sensoriais, auditivas. Para o especialista, empatia é a palavra-chave para a questão. “O processo de inclusão passa pela ideia de entender que há pessoas que são diferentes da gente e que, muitas vezes, a minha liberdade fere a liberdade do outro e gera nelas um sofrimento desnecessário”.

Idosos e crianças
Os idosos são outro grupo que sofre o impacto dos ruídos intensos, especialmente aqueles com demência, uma vez que têm dificuldade no processamento das informações. De acordo com Vanessa, o idoso com demência pode entrar em surto de delírios e alucinações diante da queima de fogos, prejudicando também o sono, a memória e o raciocínio para o dia seguinte.

Os bebês também são afetados de maneira negativa, uma vez que têm uma necessidade de dormir por períodos mais longos do que crianças mais velhas e adultos.

“Se o bebê passa a ser despertado por esse ruído ou não consegue adormecer, isso traz prejuízos. Porque os fogos começam a ser soltados muitas horas antes e o ruído vai gradualmente aumentando até chegar ao ápice, à meia-noite”, lembra Vanessa.

Nesses casos, o uso no ambiente de outros sons, como ruído branco, ou de abafadores, para crianças maiores, pode minimizar esse impacto.

Vanessa Rizelio critica que, embora em muitas cidades brasileiras esteja proibida a venda de fogos de artifício, não há uma fiscalização de fato.

“Em Curitiba, por exemplo, essa lei já está em vigência há mais de cinco anos e nós continuamos ouvindo muitos fogos de artifício com barulhos intensos sendo soltos em comemorações, principalmente no ano novo”. Ela defende mais rigor para “minimizar o impacto de um comportamento humano que já deveria ter sido mudado há muito tempo”, afirma.

Fonte: Agência Brasil

Inmet alerta para calor extremo e tempestades nos últimos dias de 2025

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) destaca para os últimos dias do ano um cenário de calor extremo (alerta vermelho) e pancadas de chuva sobretudo para as regiões Sudeste e Sul do país.

Sistema de Avisos de Meteorologia do Inmet emite alertas por cores (amarelo, laranja e vermelho), conforme o potencial de risco.

Ondas de calor

Para os últimos dias de 2025, o Inmet mantém um alerta vermelho, ou seja, de grande perigo à saúde, devido à onda de calor ativo até as 18 horas desta terça-feira (30), para seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Nessas localidades, as ondas de calor são caracterizadas por temperaturas até 5 graus Celsius (°C) acima da média histórica por um período maior do que cinco dias.

A cidade de São Paulo registrou neste domingo (28) 37,2°C, a maior temperatura para dezembro desde 1961. Algumas cidades do interior paulista ultrapassaram os 42°C.

Nos últimos dias, a região Sudeste tem enfrentado uma onda de calor devido a uma massa de ar quente estacionada em toda a região, que abrange também partes de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e impede a chegada de frentes frias.

Na Região Centro-Oeste, o calor intenso continua com máximas próximas de 39°C no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, acompanhadas de pancadas isoladas de chuva.

Nas porções do sertão e do agreste de diversos estados da Região Nordeste, o risco à saúde é provocado pela baixa umidade relativa do ar que, de acordo com Inmet, pode variar entre 30% e 20%.

Tempestades

Para os últimos dias do ano, a tendência é de que o calor perca um pouco a intensidade com a chegada de uma frente fria com fortes chuvas, o que deve provocar instabilidades em diversas partes do país.

Todo o estado de São Paulo, o Sul do Rio de Janeiro e Sul/Sudoeste de Minas Gerais estão sob alerta amarelo de tempestades até às 10h desta terça-feira (30).

O volume de chuvas pode variar até 50 milímetros por dia (mm/dia), acompanhadas de ventos intensos (40-60 km/h) e de queda de granizo.

O risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de galhos de árvores e de alagamentos é baixo.

As chuvas intensas ainda vão atingir grandes partes do Norte, desde o Norte do Amapá, abrangendo o Amazonas, Pará, Maranhão e todo o estado de Tocantins. A área chuvosa engloba a região Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás), e desce até a região Sudoeste do país.

As tempestades devem ser mais críticas nos três estados da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), além do litoral Sul paulista e do Sudoeste de Mato Grosso do Sul. Para estes estados, o Inmet também emitiu alerta laranja para tempestades até 23h59 desta terça-feira.

Nestas localidades, as chuvas podem chegar a 100 mm/dia, com ventos intensos (60-100 km/h), e queda de granizo. O Inmet avisa que há risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.

Réveillon

Na Região Sudeste, o dia da virada deve ser abafado, com previsão de pancadas de chuva típicas de verão entre o fim da tarde e o horário da virada. Há risco de temporais isolados com raios e rajadas de vento nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro  e Minas Gerais.

No Sul, a instabilidade persiste, especialmente na metade Norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde o ano deve terminar com chuvas e risco de temporais. No Sul gaúcho, o tempo tende a ficar mais firme.

No Norte e Nordeste, permanece o padrão de verão, com sol e calor. O litoral nordestino é a região com menor risco de chuva para o horário da queima de fogos.

Instruções

Em caso de rajadas de vento, o Inmet orienta o cidadão a não se abrigar embaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

Se possível, desligar aparelhos elétricos e quadro geral de energia.

Mais informações podem ser obtidas na Defesa Civil local (telefone 199) e no Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Nos casos de ondas de calor e de baixa umidade relativa do ar, o Inmet orienta a ingestão de bastante líquido e evitar desgaste físico nas horas mais secas e não se expor ao sol nas horas mais quentes do dia.

Inmet

Para ver a temperatura máxima e mínima prevista para os próximos dias em todo país, é possível acessar a página do Inmet na internet. Também é possível verificar alertas para cidades específicas, no Sistema de Avisos de Meteorologia do Inmet.

Fonte: Agência Brasil